2010-02-18

Subject: Baleias-francas do Atlântico norte não foram caçadas até ao limiar da extinção

 

Baleias-francas do Atlântico norte não foram caçadas até ao limiar da extinção

 

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@ BBCUma das espécies de baleia mais raras do mundo não foi vítima da caça intensiva, como antes se supunha. 

Menos de 350 baleias-francas do Atlântico norte permanecem na natureza e a culpa desta situação tem sido atribuída às pontas de arpão usadas pelos baleeiros dos séculos XVI e XVII mas um novo estudo de ossos de baleia antigos confirma que a população destas baleias é pequena desde há séculos e com diversidade genética muito limitada. Esta situação sugere fortemente que um abate em massa destes animais nunca terá acontecido.

"É uma grande surpresa dado o que antes se pensava sobre a espécie", diz Brenna McLeod, antes na Universidade Trent em Peterborough, Ontário, que veio agora publicar este estudo na revista Conservation Genetics.

A baleia-franca do Atlântico norte Eubalaena glacialis tem sido normalmente tida como uma espécie que em tempo teria sido abundante e bem sucedida no oceano de que recebeu o nome. Assumiu-se que os baleeiros bascos do século XVI tinham dizimado a população, com os americanos que se lhes seguiram a reduzir a população aos números actuais, explica McLeod, agora na Universidade Saint Mary de Halifax, Nova Escócia. Essa caça teria deixado vivas as 300 a 350 baleias que restam.

@ BBCNo entanto, a descoberta em 1978 de um galeão baleeiro basco do século XVI pela historiadora Selma Barkham forneceu uma forma de verificar a veracidade desses pressupostos pois no barco foram encontrados ossos de baleia que, após anos de escavações, foram trazidos à superfície.

Uma investigadora, Moira Brown, agora no Aquário da Nova Inglaterra em Boston, percebeu que se DNA pudesse ser extraído desses ossos, poderia revelar todo o tipo de informação sobre as baleias caçadas.

Em estudos anteriores, McLeod, Brown e colegas conseguiram fazê-lo. Extraíram DNA de 218 ossos de baleia recuperados tanto do galeão como das costas do Quebec e Labrador, onde tinham estado por 400 anos em estações baleeiras bascas há muito esquecidas.

Desses ossos, apenas um pertencia a uma baleia-franca do Atlântico norte, todos os restantes pertenciam a baleias-corcunda. "Não havia nenhuma evidência de uma caça dirigida às baleias-francas", refere McLeod.

No seu último estudo, os investigadores tentaram então retirar mais informação deste único osso de baleia-franca do Atlântico norte com 400 anos de idade. "Este único osso dá-nos uma fotografia das características genéticas da população histórica", diz McLeod.

Obtendo amostras de 27 partes diferentes do DNA do osso, os investigadores puderam avaliar o número de variações (alelos) no seu código genético que podiam ter estado presentes na população histórica de baleias-francas do Atlântico norte mas que tivessem entretanto desaparecido na população actual.

Quanto maior tivesse sido o colapso na população de baleias-francas do Atlântico norte, mais alelos teriam sido perdidos, mas "não encontrámos alelos perdidos", diz McLeod. "Todos os que foram identificados ainda estão presentes na população contemporânea."

 

Os investigadores também descobriram que os perfis genéticos globais do osso antigo e os das baleias-francas do Atlântico norte modernas são muito semelhantes. "Isso não seria de esperar se a população tivesse perdido muita da sua variabilidade em resultado de uma grande redução do efectivo devido à caça à baleia", diz McLeod.

Resumindo, a população de baleias-francas do Atlântico norte do passado não era muito diferente da actual. "A caça à baleia realmente afectou a espécie reduzindo o seu efectivo mas não, nem de perto nem de longe, da forma que se pensava. Em vez de se contarem na casa dos 12 a 15 mil animais como antes se assumia e sugeria, pensamos que a população no Atlântico noroeste era muito mais pequena, talvez na ordem de alguns milhares", diz McLeod.

Ainda não há certezas sobre o que terá causado o colapso original nos números de baleias-francas do Atlântico norte, reduzindo-as ao efectivo actual mas esta espécie tem tendência para viver perto da costa.

"Nós especulámos que a espécie pode ter sido afectada por alterações climáticas históricas, como glaciações, que podem ter levado a espécie a alterar o seu habitat. Isso levaria a alterações na localização e disponibilidade de zonas de alimentação e reprodução e pode ter afectado  aptidão e o sucesso reprodutor dos indivíduos da população", explica McLeod.

A nova descoberta também lança uma nova perspectiva sobre os esforços para salvar esta baleia criticamente ameaçada de extinção. 

Actualmente, a recuperação da baleia está ser dificultada pelo facto de os animais serem frequentemente abalroados por navios ou ficarem presas em artes de pesca. As recentes alterações climáticas também estão a impedir as baleias de se reproduzirem mais rapidamente.

Mas ainda que tudo deva ser feito para impedir que as baleias-francas sejam mortas acidentalmente por navios e pescadores, "à luz dos dados aqui apresentados, algumas das condições que estão a desafiar a recuperação da baleia-franca do Atlântico norte estão presentes há milhares de anos, há muito mais tempo do que se pensava", diz McLeod.

Por isso, ainda que a população sobrevivente seja criticamente pequena, pode estar adaptada a lidar com muitas das alterações naturais que enfrenta actualmente. 

 

 

Saber mais:

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DNA profile of a sixteenth century western North Atlantic right whale Eubalaena glacialis

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