2010-02-15

Subject: Alterações climáticas vão tornar o mundo mais aromático

 

Alterações climáticas vão tornar o mundo mais aromático

 

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Wild flowers with mountain peaks in background

Os níveis de CO2 aumentam e o mundo aquece, e com isso a utilização das terras, a precipitação e a disponibilidade de água também vão mudar.

Em resposta a estas perturbações, as plantas vão passar a emitir níveis superiores de químicos perfumados conhecidos por compostos orgânicos biogénicos voláteis. Isso irá posteriormente alterar a forma como as plantas interagem mas com as outras e como se defendem contra as pragas, revela um novo estudo.

De acordo com os cientistas que lideraram o estudo, o mundo pode já estar a tornar-se mais perfumado, pois as plantas podem já ter começado a emitir mais substâncias perfumadas.

"O aumento é exponencial", diz Josep Penuelas, da Unidade de Ecologia Global da Universidade Autónoma de Barcelona. "Pode ter já ter subido em 10% nos últimos 30 anos e pode aumentar 30 a 40% com o aquecimento de dois ou três graus Celsius projectado para as próximas décadas."

Os compostos orgânicos biogénicos voláteis (BVOC) são emitidos regularmente pelas plantas para a atmosfera. Diferem em tamanho, propriedades e origem e podem variar de isoprenos, monoterpenos, sesquiterpenos e os chamados voláteis das folhas verdes e induzidos por herbívoros até compostos orgânicos voláteis oxigenados como os carbonil, ácidos e álcoois.

Todos estes compostos desempenham papéis vitais no crescimento e metabolismo, comunicação, reprodução e protecção ou defesa da herbivoria, seja por parte de ruminantes ou por pragas de insectos, mas as plantas emitem diferentes níveis destes compostos dependendo das condições ambientais.

Ainda que importantes investigações já tenham sido feitas para avaliar o impacto do aquecimento global nas trocas de CO2 na atmosfera, pouca atenção tem sido dada à forma como a alteração da temperatura vai afectar as emissões de compostos importantes como os BVOC.

Asim, Penuelas e Michael Staudt, do Centro de Ecologia Funcional e Evolução de Montpellier, realizaram uma análise da forma como as alterações climáticas irão afectar a expressão destes compostos.

"Com base nos trabalhos analisados, podemos ter uma certeza razoável de que as alterações climáticas globais de modo geral terão um impacto nas emissões de BVOC", escrevem eles na última edição da revista Trends in Plant Sciences. "O impacto mais provável é um aumento das emissões de BVOC devido ao aquecimento global e que as emissões alteradas irão afectar a sua função fisiológica e ecológica bem como o seu papel ambiental."

Em particular, dizem que as temperaturas mais elevadas vão levar as plantas a produzir mais BVOC e alongar a estação de crescimento de muitas espécies, aumentando ainda mais os BVOC produzidos.

 

Ao aumentar a actividade das enzimas que sintetizam os BVOC e fazendo com que seja mais fácil a sua difusão para o ar, a subida da temperatura vai causar um aumento brusco e exponencial de BVOC. As emissões globais podem já ter aumentado 10% nos últimos 30 anos e podem aumentar mais 30 a 45%, dizem eles.

Por exemplo, estudos já mostraram que a subida artificial da temperatura do ar em 3 ou 4ºC faz as plantas que crescem em ilhas sub-árcticas emitirem entre 56 e 83% mais isopreno. Temperaturas superiores também vão tornar possível que mais plantas que emitem grandes quantidades destes compostos colonizem as latitudes mais elevadas. 

As temperaturas não serão o único factor a fazer as plantas emitirem mais químicos aromáticos. Alterações na utilização da terra podem significar que as florestas tropicais estão a ser substituídas por árvores plantadas, como palmeiras e borracha, que emitem maior quantidade de compostos orgânicos voláteis.

Os cientistas também suspeitam que concentrações superiores de CO2 na atmosfera, níveis superiores de radiação UV a chegar aos pólos e aumento da poluição por ozono irão afectar a forma como as plantas produzem BVOC, apesar de não ser tão claro de que forma.

No conjunto, no entanto, os cientistas consideram que o impacto nas plantas de todo o mundo pode ser significativo e estar ser desvalorizado pois a comunicação entre plantas pode ser afectada. Por exemplo, alguns BVOC como os terpenos, metil-jasmonato ou metil-salicilato funcionam como sinais entre as plantas, alertando-as de ataques de herbívoros, logo plantas forçadas a produzi-los em maior quantidade estarão em constante estado de alerta.

Também pode acontecer que uma atmosfera mais aromática confunda polinizadores como as abelhas, alterando a reprodução das plantas ou dos insectos suas pragas. "A temperatura é um motor muito poderoso das emissões", diz Penuelas. "O aumento das emissões vai afectar a fisiologia e a ecologia, ou seja, todo o funcionamento da vida."

Ele e Staudt dizem que vários estudos mais detalhados a longo prazo serão necessários para se compreender melhor o impacto das emissões elevadas de BVOC em diferentes habitats. Ainda que estejam razoavelmente seguros de que os níveis de BVOC irão subir e que o mundo se tornará mais aromático em resultado disso, o problema é demasiado complexo para daí se retirarem as consequências. 

 

 

Saber mais:

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