2010-02-12

Subject: Transmissão do HIV nos homens

 

Transmissão do HIV nos homens

 

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BSIP, CAVALLINI JAMES / SCIENCE O HIV pode ser transmitido entre homens na forma de partículas virais livres encontradas a flutuar no fluido seminal e não através de células infectadas presentes no sémen.

Sabe-se que o vírus pode ser transmitido durante o acto sexual através do sémen mas tem sido difícil compreender se o material genético do vírus é transmitido na forma de partículas virais infecciosas com RNA ou se o DNA está encerrado nas células infectadas presentes no sémen. A resposta pode determinar que estratégias são mais úteis no bloqueio da transmissão de parceiro para parceiro.

"Estamos muito interessados em interromper a transmissão e isto diz-nos que realmente nos devemos focar na replicação do RNA no momento da transmissão no sangue e no tracto genital", diz o médico de doenças infecciosas Davey Smith, da Universidade da Califórnia, San Diego, que liderou o estudo.

Smith e a sua equipa analisaram amostras de seis pares de homens. Um membro de cada par, a fonte, tinha infectado o parceiro receptor com o HIV.

Os investigadores estudaram a composição genética de uma porção do vírus tanto na fonte como no receptor, bem como no sémen de cada fonte,  tendo descoberto que os vírus nos receptores eram mais fortemente aparentados com os vírus livres do líquido seminal do que os da fonte.

No entanto, o estudo é pequeno e alguns cientistas salientaram outros aspectos menos bons do método, mas Smith salienta que estudos como este nunca tinham sido feitos antes pela dificuldade em detectar o HIV rapidamente após a infecção e ainda mais difícil convencer pessoas recém-infectadas a juntarem-se a um estudo sobre o HIV. "É muito delicado falar de transmissão de HIV e ainda mais delicado começar a recolher amostras quando alguém acabou de ser diagnosticado."

Se apoiado por estudos adicionais, este trabalho pode apoiar a ideia de 'testar e tratar', que tem como objectivo reduzir ou prevenir a transmissão do HIV administrando antivirais aos HIV-positivos, reduzindo a quantidade de vírus presente nos seus líquidos corporais, diz Martin Stürmer, do Hospital Universitário Johann Wolfgang Goethe em Frankfurt, que não esteve ligado ao estudo.

"Estas descobertas apoiam ainda mais a estratégia de prevenção que diz que uma terapia de supressão anti-retroviral que resulta numa carga viral indetectável no plasma seminal interrompe a transmissão sexual do HIV", acrescenta Stürmer.

O estudo também pode promover o desenvolvimento de microbicidas tópicos, alguns já em testes clínicos, que têm como objectivo bloquear a entrada do HIV nas células da superfície da pele. "Uma das maiores distracções do movimento microbicida foi o facto de se poderem usar os medicamentos anti-retrovirais como microbicidas mas se o vírus se esconde nas células em forma de DNA então o microbicida não o vai bloquear", diz Smith.

 

Os medicamentos anti-retrovirais que são tomados oralmente antes da exposição ao HIV, uma abordagem conhecida como profilaxia de pré-exposição (PrEP) e que também está em testes clínicos, devem ser igualmente eficazes contra vírus transmitidos através de células ou líquidos corporais porque esses medicamentos têm como objectivo impedir a transmissão bloqueando a replicação viral. A utilização de preservativos impede a transmissão tanto por células como por vírus livres.

Ainda assim, o trabalho de Smith tem demasiado poucos participantes para responder a estas questões com certeza. Os resultados também seriam mais convincentes se as amostras tivessem sido recolhidas mais perto do momento de infecção do receptor pois o vírus muta rapidamente.

"As amostras nunca são recolhidas suficientemente perto" do momento da infecção, diz Ron Swanstrom, do Centro de Investigação sobre SIDA de Chapel Hill da Universidade da Carolina do Norte, que também estuda a transmissão do HIV entre parceiros sexuais. "É um problema inerente a este campo de investigação. Estamos a imiscuir-nos na vida privada das pessoas e trabalhamos muito por poucas amostras."

Swanstrom acrescenta que o trabalho de Smith não toca na questão da transmissão homem-mulher e, para além disso, como alguns dos participantes fonte do estudo também tinham sido infectados recentemente, o estudo não pode eliminar a possibilidade de que tivessem transmitido o vírus através do sangue durante o acto sexual e não através do sémen pois as partículas virais do sangue fonte e das amostras de sémen eram muito semelhantes geneticamente.

Stürmer salienta que outros estudos, incluindo um seu, indicam que a transmissão viral pode ocorrer entre parceiros sexuais mesmo quando o parceiro HIV-positivo está a ser tratado com sucesso e não se detectam vírus no seu sangue, logo não há garantia que a abordagem 'teste e tratamento' funcione.

Smith espera responder a estas questões estudando outros pares, investigando a genética do vírus e fazendo mais questões aos participantes. "Esperamos caracterizar melhor o que se passa no momento da transmissão, o que significa fazer perguntas difíceis como o que estavam a fazer no momento, se usavam preservativo e, se não, porque não." 

 

 

Saber mais:

HIV - The next shot

 

 

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