2010-02-07

Subject: Alterações climáticas escondem declínio de xarope de ácer?

 

Alterações climáticas escondem declínio de xarope de ácer?

 

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@ NatureA queima de combustíveis fósseis como o carvão ou o petróleo liberta dióxido de carbono que altera o equilíbrio dos isótopos de carbono que se encontram naturalmente no ambiente, um efeito que está agora a ser encontrado nos alimentos, revela um estudo americano.

Os métodos modernos de análise das origens dos alimentos processados usam isótopos (átomos do mesmo elemento com diferente número de neutrões). 

Dos isótopos de carbono naturais, o mais comum é o carbono-12 (seis neutrões) e o carbono-13 (com sete neutrões) é mais raro. Em muitas plantas, 108 em cada 10 mil átomos de carbono são carbono-13. No entanto, em plantas como a cana-de-açúcar e o milho, que têm um tipo diferente de fotossíntese, 110 em cada 10 mil átomos são carbono-13.

A análise dessa razão é uma parte essencial da forma como as entidades reguladoras alimentares determinam se adoçantes de baixo custo, como o xarope de milho, foram adoçados aos alimentos. Como os adoçantes feitos a partir de cana-de-açúcar e milho têm uma proporção maior de carbono-13, a razão de isótopos de carbono do produto final vai ser alterado.

Como parte de um projecto destinado a mostrar como funciona a análise de isótopos, o geoquímico William Peck, da Universidade Colgate em Hamilton, Nova Iorque, levou os seus estudantes a analisar o xarope de ácer de diferentes partes do nordeste americano. "O nosso objectivo era na realidade apenas verificar se os valores isotópicos variavam com a geografia ou se alguém estava a usar adoçantes", diz Peck.

Todos os valores isotópicos recolhidos pela turma eram semelhantes mas quando compararam os seus valores com os obtidos em xarope de ácer e publicados no final da década de 70 e início da década de 80, notaram que havia diferenças significativas. A análise revelou que a quantidade relativa de carbono-13 no xarope de ácer desceu desde a década de 70. Isso levou Peck a considerar a possibilidade de ser possível que as razões isotópicas base se podem estar a alterar devido às alterações climáticas.

Para o determinar, Peck e a sua aluna e co-autora Stephanie Tubman obtiveram amostras de xarope de ácer de produtores dos estados de Nova Iorque e Vermont, cobrindo o período de 1970 a 2006. Algumas destas amostras não estavam em boas condições: "Quando abrimos uma lata velha de xarope, cheirava a relva acabada de cortar, era um nojo. A minha aluna teve que raspar camadas de um dedo de altura de bolor para analisar para decidir se o bolo podia estar a alterar a razão isotópica do xarope", recorda Peck. Mas afortunadamente não alterava.

Os investigadores analisaram 246 amostras deste período de 36 anos e relatam na revista Journal of Agriculture and Food Chemistry que as razões isotópicas no xarope de ácer se alteraram ao longo dos anos. Amostras da década de 70 tinham 108,7 isótopos de carbono-13 por cada 10 mil átomos de carbono, enquanto a média de 2006 era de 108,5. Por isso, os valores de carbono-13 do xarope estão a aproximar-se do valor médio de 108 que os áceres e maioria das plantas deve ter, explica Peck.

 

A razão, sugere ele, é que o carbono libertado pela queima de carvão ou petróleo, que têm muito pouco carbono-13 comparado com o que existe naturalmente na atmosfera, está a alterar as razões ambientais de isótopos de carbono. Os dados atmosféricos mostram que as razões isotópicas alteradas estão directamente correlacionadas com as alterações nos isótopos do xarope de ácer ao longo dos 36 anos estudados, diz Peck.

"Já sabíamos que os valores isotópicos de carbono se estavam a alterar mas ninguém estava a aplicar este conhecimento à ciência alimentar", diz o geoquímico John Valley, da Universidade de Wisconsin-Madison. "Claramente, os estudos de análise de alimentos precisam de passar a ter os dados isotópicos atmosféricos em linha de conta."

As descobertas colocam a possibilidade de os produtores de alimentos que são analisados através da razão isotópica de carbono poderem estar a adicionar adoçantes baratos sem serem detectados mas Peck duvida que tal seja o caso. "Os produtores podiam ter feito batota mas não tinham a informação necessária a faze-lo de forma eficaz."

A descoberta aplica-se a muito mais que alimentos. A análise isotópica de tecidos humanos está a ser considerada em alguns países para ajudar a determinar a origem dos migrantes. "Penso que este estudo do xarope de ácer demonstra o perigo dos testes de tecidos. Se estamos a tomar decisões sérias sobre a vida das pessoas com análises isotópicas temos que nos lembrar que há muitos efeitos a determinar os valores finais", diz Valley.

Quanto a se a alteração isotópica do xarope de ácer, por agora, permanece um mistério. "Tivemos uma festa das panquecas com a turma no final do estudo, para celebrar as descobertas", diz Peck. "Ninguém foi suficientemente corajoso para experimentar os xaropes da década de 70." 

 

 

Saber mais:

William Peck

John Valley

 

 

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