2010-02-06

Subject: Perda de biodiversidade é importante e há que saber comunicá-lo às pessoas

 

Perda de biodiversidade é importante e há que saber comunicá-lo às pessoas

 

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O falhanço das conversações climáticas das Nações Unidas em Copenhaga em Dezembro não podia ter sido um prelúdio menos prometedor para o Ano Internacional da Biodiversidade que está em curso.

Tal como com as alterações climáticas, a ameaça da perda em larga escala da biodiversidade e a necessidade de uma acção política global para a reverter, cresce a cada dia que passa.

Num encontro sobre biodiversidade organizado pelo governo britânico em Janeiro, Robert Watson, antigo líder do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), alertou para os danos que o ambiente natural está a sofrer se aproximam de um ponto de não retorno, uma frase familiar no debate sobre alterações climáticas.

Ambas as questões enfrentam desafios formidáveis para persuadir os líderes políticos e o público da necessidade urgente de acção. As razões são complexas mas a raiz de tudo é o conflito entre a necessidade de alterar radicalmente a nossa utilização de dos recursos naturais e o desejo de manter as actuais formas de crescimento económico, tanto nos países desenvolvidos, como nos em desenvolvimento.

As soluções são igualmente complicadas. Parte da resposta, em cada caso, depende de aumentar a capacidade dos meios de comunicação social para comunicar mensagens produzidas pela ciência, de forma a que reflictam rigorosamente tanto a urgência da situação, como a forma como a vida das pessoas vai ser afectada.

Fazer passar estas mensagens não será tarefa fácil e até agora, no caso da biodiversidade, os esforços têm falhado em larga escala.

Já é claro que os governos signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD) falharam a sua meta de 2010, estabelecida em 2002, de alcançar "uma redução significativa da taxa de perda de biodiversidade".

Os delegados à conferência de Londres e em outros encontros realizados para o lançamento do Ano da Biodiversidade admitiram livremente que este falhanço em agir em parte é devido a problemas de comunicação. A comunidade científica não foi capaz de comunicar efectivamente as suas preocupações aos decisores, pelo menos não de forma que torne uma prioridade a conservação da biodiversidade numa agenda predominantemente preocupada com o emprego e o crescimento económico.

Discussões sobre um novo conjunto de metas para a protecção da biodiversidade na próxima década já estão em curso e deve-se chegar a um acordo em Outubro na próxima revisão da CBD em Nagoya, Japão. As novas metas não só devem ser mais realistas e concretas mas também devem ser acompanhadas por uma estratégia de comunicação mais sofisticada.

Esta estratégia tem que corrigir as fraquezas das abordagens actuais, como por exemplo, as questões que os cientistas pensam ser mais importantes muitas vezes parecem abstractas e distantes das preocupações do dia a dia das pessoas. A taxa a que o mundo está a perder espécies é um exemplo típico.

Mesmo o termo 'biodiversidade' sofre desta fraqueza, por não ser concreto como conceitos como a subida do nível do mar. Alguns conselheiros de comunicação sugerem mesmo que se evite o termo sempre que possível por isso mesmo, o que não é prometedor para os que pretendem lançar uma campanha global em volta dele.

 

Demasiada da cobertura da biodiversidade falha em associá-la com questões que afectam directamente a vida das pessoas. Mesmo conceitos como a 'teia da vida', usada para enfatizar a interligação dos sistemas vivos, não explica imediatamente o motivo porque devemos preocupar-nos com o declínio do número de insectos ou plantas em locais distantes.

Por último, o tom apocalíptico que por vezes é usado em tentativas para levar a mensagem a bom termo ainda enfraquece mais a proposta de acção construtiva. Demasiadas vezes, essa visão promove ou cinismo ou a apatia entre os que não relacionam os cenários de desastre com a sua experiência pessoal.

Os activistas das alterações climáticas tiveram essa experiência nos últimos meses, quando tentaram defender a prevenção do aquecimento global durante o Inverno mais frio que o hemisfério norte teve desde há várias décadas.

Forjar um estratégia eficaz de comunicação que evite estas armadilhas é claramente um dos maiores desafios que a comunidade da biodiversidade enfrenta no planeamento para a próxima década e os investigadores têm que firmar as bases científicas do caso. Os danos causados pela divulgação das falhas científicas às campanhas sobre alterações climáticas lembram-nos que, com temas tão cruciais como estes, raciocínios científicos desleixados podem ter impactos vastos e duradouros.

Igualmente importante é a necessidade de incluir estas evidências científicas no crescimento económico viável mas sustentável, o que significa gerar discurso público que se relacione directamente com as necessidades do ambiente e as prioridades sociais, como emprego, saúde e alimentação.

Os componentes desse diálogo, como o potencial dos produtos naturais para produzirem novos medicamentos, já existem mas é preciso fazer muito mais para os incluir numa estratégia viável e efectiva para reverter estas tendências.

Se o falhanço em Copenhaga puder ter o efeito de um despertar para comunidade da biodiversidade, só isso já terá sido um resultado positivo. 

 

 

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