2010-02-04

Subject: Scan cerebral permite a paciente inconsciente comunicar

 

Scan cerebral permite a paciente inconsciente comunicar

 

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@ NatureImagens do cérebro permitiram a um homem antes considerado inconsciente responder a uma série de questões sim/não.

O estudo, publicado esta semana na revista New England Journal of Medicine, desafia a definição clínica de consciência e fornece uma oportunidade sem precedentes para comunicar com aqueles que não mostram sinais de consciência.

Os pacientes são classificados como inconscientes (ou em 'estado vegetativo') se são incapazes de responder de qualquer forma a uma extensa série de questões e pedidos mas se o paciente está completamente impossibilitado de se mover, uma mente consciente ou comunicativa pode passar despercebida através deste método.

"O problema com o estado vegetativo é que o diagnóstico é feito com base na falta de evidências", explica o neurocientista Adrian Owen, da Unidade de Ciência Cerebral do Conselho de Investigação Médica de Cambridge, Reino Unido.

Owen e a sua equipa fizeram notícia há três anos quando usaram uma técnica de obtenção de imagens cerebrais chamada imagiologia de ressonância magnética funcional (fMRI) para demonstrar que uma mulher em estado vegetativo podia responder a comandos verbais. Quando lhe era pedido que se imaginasse a jogar ténis ou a andar pela casa, o scan de fMRI revelou que ela activava as mesmas zonas do cérebro que sujeitos saudáveis a quem eram pedidas as mesmas actividades.

A descoberta acendeu um debate sobre se a mulher estava realmente consciente, com alguns a defender que Owen não estava a ver mais que uma activação automática das regiões cerebrais em resposta ao som de certas palavras.

Um desses críticos foi Lionel Naccache, neurocientista do Hospital Pitié-Salpêtrière de Paris, que apelou a cautela sobre a conclusão de que a mulher estava realmente consciente. Mas estas últimas evidências de comunicação com um paciente em estado vegetativo convenceram Naccache: "Isto é prova clara de consciência."

Owen e a sua equipa repetiram as suas experiências com fMRI em 54 pacientes que previamente tinham sido classificados como vegetativos ou 'minimamente conscientes' (situação em que o paciente pode reagir de forma inconsistente a comandos mas não comunica de forma interactiva). 

Descobriram que cinco desses 54 pacientes responderam a comandos para imaginar que jogavam ténis ou andavam pela sua casa. Quatro dos cinco tinham sido classificados como vegetativos mas quando os clínicos repetiram a sua avaliação após o estudo fMRI descobriram evidências de que dois dos quatro deviam antes ser classificados como minimamente conscientes.

Um dos pacientes reactivos, um homem com 22 anos que tinha sido diagnosticado como vegetativo há cinco anos, após um acidente de automóvel que o deixou com danos cerebrais traumáticos, foi seleccionado para outro estudo.

 

Como é difícil, se não impossível, determinar se alguém está a pensar 'sim' ou 'não', os investigadores pediram ao paciente que se imaginasse a jogar ténis quando a resposta à questão era sim e a imaginar-se a caminhar pela sua casa quando a resposta à questão era não. A visualização destas duas actividades estimula partes diferentes do cérebro que são facilmente distinguidas pela fMRI.

Perguntaram ao paciente uma série de questões simples com resposta sim/não relativas à sua história pessoal, como por exemplo "O nome do teu pai é Alexander?". Ele respondeu a cinco de seis questões de forma correcta e não se observou resposta à sexta questão.

Os resultados sugerem que a fMRI pode ser útil no diagnóstico de pacientes sem reacção, diz Owen. "Há coisas que simplesmente não se manifestam em comportamento exterior", diz Owen. "Este método pode dizer-nos que pacientes estão conscientes e do que são capazes."

Para Naccache, é a capacidade de reagir usando o código sugerido por Owen que indica que o homem está verdadeiramente consciente. "Quando estamos conscientes temos a capacidade de usar um código arbitrário para comunicar."

Parashkev Nachev, neurocientista do University College de Londres que não participou no estudo, alerta novamente para a interpretação excessiva dos resultados. O paciente apenas respondeu a uma série de questões muito básicas e os resultados, na sua perspectiva, não sugerem necessariamente que o paciente esteja completamente consciente ou tenha potencial de recuperação. "Não há dúvida que merece mais estudo mas não me parece que possa ser usado como ferramenta clínica neste ponto."

Owen tenciona fazer ao paciente uma série de questões com respostas não verificáveis, por exemplo perguntar-lhe se sente dor, uma questão que frequentemente perturba a família e o pessoal hospitalar. 

Mas dever-se-á perguntar a um paciente vegetativo se quer viver ou morrer? "Penso que há um enorme problema com isso", diz Owen. "Só porque um paciente é capaz de responder 'sim' ou 'não' isso não nos diz se têm o nível de competência necessário a responder perguntas difíceis e eticamente desafiadoras sobre o seu destino." 

 

 

Saber mais:

Merck Manual - estado vegetativo

Adrian Owen

 

 

 

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