2010-02-03

Subject: Críticas inundam IPCC

 

Críticas inundam IPCC

 

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@ NatureApenas dois anos após vencer o Prémio Nobel da Paz, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas atravessa um período de análise interna.

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) sempre foi alvo preferencial dos cépticos climáticos mas nas últimas semanas as críticas subiram de tom e o painel admitiu um erro clamoroso no seu último relatório, publicado em 2007, que dizia que os glaciares dos Himalaias deveriam derreter completamente até 2035. 

Para além disso, o seu secretário-geral Rajendra Pachauri está sob pressão para se demitir por o instituto que dirige, o Instituto da Energia e dos Recursos de Nova Deli, tem ligações com companhias que podem beneficiar das políticas climáticas.

Em resposta a esta situação, muitos cientistas climáticos (incluindo vários já envolvidos na próxima avaliação do IPCC a ser publicada em 2014) avançaram ideias para o painel reconsiderar as suas regras e procedimentos. A esperança é reduzir erros no produto final e criar política sobre potenciais conflitos de interesse.

O IPCC já tinha tudo planeado para que a próxima avaliação, conhecida por AR5, seguisse as mesmas directrizes básicas que a última, com três grupos de trabalho a analisar três áreas de interesse diferentes: a ciência física das alterações climáticas, os impactos que essas alterações devem provocar e a forma como podem ser mitigados. Há dois editores que revêem cada capítulo e tudo será verificado antes da publicação, primeiro por peritos e depois pelos governos. Os governos e as organizações científicas mundiais estão em busca de personalidades que sejam autores e revisores, com as candidaturas a decorrerem até 12 de Março.

Para além do erro dos glaciares dos Himalaias, o painel foi acusado de de dizer que as alterações climáticas causaram um aumento das perdas económicas devidas ao clima extremo. Na semana passada, o IPCC refutou essa alegação, dizendo que um estudo do relatório tinha sido retirado do contexto. Outros desafiaram a fonte de uma estimativa mencionada no relatório que diz que até 40% da floresta tropical amazónica "pode reagir drasticamente" à redução da precipitação.

Os envolvidos no processo dizem que funciona bem. "O IPCC é um processo de baixo para cima com centenas de cientistas a dedicar o seu tempo voluntariamente e sem pagamento", diz Thomas Stocker, da Universidade de Berna e co-presidente do primeiro grupo de trabalho da AR5 sobre a ciência das alterações climáticas. "Este modelo tem sido muito bem sucedido."

"Na minha opinião, as estruturas institucionais e processos do IPCC são muito fortes", acrescenta Pachauri, que diz que não se demite. "O que temos que fazer é garantir que tudo está de acordo com esses procedimentos enquanto preparamos as avaliações."

Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Investigação Atmosférica de Boulder, Colorado, e um dos autores do relatório de 2007, diz que os críticos subestimam de forma grosseira o rigor da revisão do IPCC. No entanto, diz ele, os relatórios dos três grupos de trabalho podiam estar melhor coordenados: o erro de 2007 sobre os Himalaias reflecte isso, pois a situação surge nos impactos apesar de o grupo de ciência não ter encontrado nenhum estudo revisto que apoiasse a conclusão.

 

A coordenação será ainda mais importante na próxima avaliação, que se focará mais fortemente na avaliação dos aspectos socioeconómicos das alterações climáticas e suas implicações para um desenvolvimento sustentável. Por isso, situações como a disponibilidade de água, redução do gelo e subida do nível do mar devem receber mais escrutínio e terão que ter um tratamento mais consistente nos diversos grupos. Foi sugerido que que cada grupo de trabalho designe um pequeno grupo de autores para coordenar com os outros grupos.

Inevitavelmente vão surgir erros, diz Jürgen Willebrand, oceanógrafo do Instituto de Ciências Marinhas de Leibniz em Kiel, Alemanha, e coordenador do relatório de 2007. "Os relatórios do IPCC são escritos por humanos, com certeza que erros do género podem ser encontrados noutros relatórios anteriores mas ninguém os detectou porque na época o IPCC era menos visível para a sociedade, políticos e média."

Andrew Weaver, climatólogo da Universidade de Victoria no Canadá, quer alterações processuais mais profundas. Segundo ele, em vez de realizar avaliações "monolíticas", o IPCC deve focar-se em problemas mais específicos como a descrição do percurso das emissões necessário a evitar uma dada subida de temperatura. 

"Se se tem equipas interdisciplinares a trabalhar em problemas específicos, pode-se ter cientistas, economistas e engenheiros a olhar para eles. Há tanta ciência a analisar, precisa é de ser mais focada."

Qualquer alterações estrutural, no entanto, terá que ser aprovada em sessão plenária do IPCC e a próxima será em Outubro em Busan, Coreia do Sul. 

 

 

Saber mais:

IPCC admite erro em relação a glaciares dos Himalaias

Aquecimento polar causado pelo Homem

Alterações climáticas subestimadas?

Alterações climáticas: uma causa Nobel

Publicado relatório sobre alterações climáticas

 

 

 

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