2010-01-30

Subject: Vapor de água pode estar por trás de abrandamento do aquecimento

 

Vapor de água pode estar por trás de abrandamento do aquecimento

 

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@ NatureUma intrigante queda no teor de vapor de água na atmosfera  superior da Terra está agora na lista dos possíveis culpados do nivelamento das temperaturas médias globais ao longo da última década, apesar do aumento constante das emissões de gases de efeito de estufa.

Apesar da década de 2000 a 2009 ser uma das mais quentes de que há registo, as temperaturas médias largamente estabilizaram após duas décadas de subidas rápidas. Os investigadores já tinham analisado tudo desde o Sol e oceanos à variabilidade aleatória para explicar esta pausa, que os cépticos alegam mostrar que os modelos climáticos não são fiáveis.

Agora, uma equipa liderada por investigadores da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) em Boulder, Colorado, relata que uma misteriosa queda de 10% no vapor de água atmosférico na estratosfera, a camada localizada 10 a 50 Km acima da superfície, que ocorreu desde 2000 pode ter atenuado o esperado aquecimento devido aos gases de efeito de estufa em cerca de 25%. Igualmente intrigante, o seu modelo sugere que um aumento no vapor de água estratosférico poderia ter desencadeado um aquecimento precoce de cerca de 30% nas décadas de 80 e 90. O trabalho foi publicado online pela revista Science.

O efeito sobre a temperatura é dominado pelo vapor de água na zona inferior da estratosfera, que absorve e irradia calor da mesma forma que as moléculas de água e outros gases de efeito de estufa o fazem na atmosfera inferior. A queda no vapor de água não explica toda a redução na taxa de aquecimento mas pode contribuir para ela, diz Susan Solomon, autora principal do estudo e cientista da NOAA que co-secretariou o grupo de ciências físicas do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas para a avaliação de 2007.

temperature graph

"O que estamos a tentar fazer não é explicar a tendência de várias décadas na totalidade mas os zig-zags dessa tendência", diz Solomon. "Penso que é muito cedo para saber como tudo se encaixa."

Em 1999, investigadores da Universidade de Reading, relataram números semelhantes aos de Solomon, sugerindo que o aumento do vapor de água estratosférico podia ter aumentado o aquecimento em 40% quando comparado com o dióxido de carbono sozinho. Investigações subsequentes desafiaram a magnitude desse efeito, bem como os próprios dados mas Solomon diz que o estudo actual "está basicamente a voltar a esse trabalho pioneiro".

Um dos investigadores de Reading, Keith Shine, diz que o artigo de Solomon faz um bom trabalho a documentar o efeito para a década actual, com base em medições de satélite mais fiáveis. Infelizmente, diz ele, dados anteriores de uma única série de medições com balões feitas por Boulder permanecem tremidas. "Sabemos que o vapor de água decididamente diminuiu depois de 2000, mas não podemos ter a certeza sobre o que aconteceu antes disso", diz Shine.

 

Permanece pouco claro o que está a conduzir estas alterações no vapor de água estratosférico. As temperaturas médias na zona mais fria da estratosfera, cerca de 16 Km acima dos trópicos, caíram cerca de 1 °C na última década, diz Bill Randel, que chefia a divisão de química atmosférica no Centro Nacional de Investigação Atmosférica em Boulder. Temperaturas inferiores congelam o vapor de água que poderia ter entrado na estratosfera mas, diz Randel, "não compreendemos realmente porque pode ter ocorrido essa alteração de temperatura um grau".

Outros investigadores consideram outros factores em jogo nas recentes tendências da temperatura. Um estudo publicado no ano passado considera o ciclo solar e a oscilação do sul El Niño, pois ambos estiveram nas suas fases negativas a maioria da década logo as temperaturas podem subir à medida que se deslocam para as suas fases positivas.

"Acho muito entusiasmante estarmos nesta fase de transição, vamos aprender muito", diz Judith Lean, física solar no Laboratório de Investigação Naval em Washington DC, co-autora do estudo do ano passado com David Rind, modelador climático do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque.

Com a actividade solar a aumentar e o El Niño a caminho, Lean e Rind sugerem que as temperaturas podem subir nos próximos anos, seguidas por uma ligeira estabilização coincidente com o próximo mínimo solar. O seu artigo, baseado na análise estatística das últimas tendências de temperatura, prevê a subida das temperaturas até 2030, incluindo cenários para eventos El Niño imprevistos e erupções vulcânicas. 

Um artigo de 2008 da revista Nature que investigou as correntes oceânicas e as temperaturas superficiais da água do mar no Atlântico norte, sugere o oposto, uma pausa no aquecimento na próxima década.

Jeff Knight, modelador climático no Centro Hadley do Met Office em Exeter, liderou no ano passado uma análise das tendências de temperatura desde 2000 e descobriu que os modelos climáticos actuais são capazes de reproduzir estes eventos a curto prazo. Segundo ele, os modelos produzem um período longo de temperaturas relativamente estáveis em uma em cada oito décadas, apesar de nenhum ter uma estabilização para além de 15 anos.

"Não é saudável focarmo-nos demasiado nas tendências por década", diz ele, sugerindo que os modelos climáticos podem simular estes eventos mas não precisam de ser necessariamente capazes de simular uma década qualquer em particular. 

 

 

Saber mais:

NOAA

Met Office

NASA

 

 

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