2010-01-28

Subject: Metano causa ciclo vicioso no aquecimento global

 

Metano causa ciclo vicioso no aquecimento global

 

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Muhammad Sabri/AFP/Getty Images em nprO dióxido de carbono é o gás que mais frequentemente associamos ao aquecimento global mas o metano também desempenha um papel muito importante.

Por razões que não são bem compreendidas, o metano deixou de aumentar na atmosfera na década de 90 mas agora parece estar novamente em alta e os cientistas estão a tentar compreender porquê e o que fazer em relação a isso.

O metano é produzido por um enorme leque de fontes, incluindo zonas húmidas, arrozais, animais ruminantes, minas de carvão, lixeiras e até termiteiras.

Drew Shindell, do Instituto Goddard da NASA em Nova Iorque, diz que "já subiu 150% desde os níveis pré-industriais, o que representa uma subida enorme, enquanto o CO2 apenas subiu algo como 30% em relação aos mesmos níveis."

Molécula a molécula, o metano é muito mais eficiente do que o dióxido de carbono como gás de efeito de estufa na atmosfera, o que é apenas parte do problema. "O metano é muito mais complicado quando chega à atmosfera do que algo como o dióxido de carbono, pois reage com muitos outros compostos químicos importantes."

Por exemplo, o metano na atmosfera também é responsável pela criação de ozono ao nível do solo, o que não é apenas mau para a saúde mas também contribui para o aquecimento global. Shindell adicionou recentemente todos os efeitos das emissões de metano e percebeu que o efeito de aquecimento é mais de 60% superior ao do dióxido de carbono, o que "nos diz que o metano é um participante importante nesta questão".

O metano na atmosfera estabilizou na década de 90, aparentemente devido aos esforços por parte das indústrias para manter este gás problemático em cheque, mas desde 2007 os níveis de metano voltaram a subir.

Um estudo publicado na revista Science sugere que pelo menos parte desta subida provém das vastas zonas húmidas do Canadá, Rússia e Árctico. O metano nestas zonas húmidas é produzido por bactérias de origem natural mas o autor do estudo Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo, diz que as bactérias estão a produzir mais metano devido à subida das temperaturas.

"Quanto mais alta a temperatura, mais eficientes estas bactérias são na produção de metano", diz ele. Logo, o aquecimento global está a levar estas zonas húmidas a produzir mais metano e o metano esta, por sua vez, a causar mais aquecimento global. "Isto realmente demonstra o facto de que estamos perante um ciclo vicioso no sistema climático."

Segundo Palmer, ainda não chegámos a um ponto em que o efeito de aquecimento esteja descontrolado mas ele e outros peritos climáticos estão preocupados com o facto de pudermos vir a atingir esse ponto de não retorno.

Não há forma óbvia de controlar o metano produzido naturalmente pelas zonas húmidas, a não ser evitar que elas aqueçam demasiado, mas pelo menos metade das emissões de metano são devidas às actividades humanas, desde a criação de gado à exploração de gás natural e às minas de carvão.

 

Dado que o metano é o composto principal do gás natural, esforços para o capturar podem realmente pagar-se a si próprios pois usamos o gás como fonte de energia. Shindell diz que há outros benefícios no controlo do metano: este gás contribui para o ozono, que leva a custos sociais elevados a nível de saúde e de danos às culturas.

"Por isso, se contabilizarmos todos aspectos económicos, todos os ganhos que obtemos através do controlo do metano nem têm relação com o clima, logo as reduções pagam-se a si próprias", diz Shindell.

Mesmo assim, há relativamente poucos esforços actualmente para controlar o metano. Mohamed El-Ashry, da Fundação das Nações Unidas, considera que isso em parte se deve a receios por parte dos governos e activistas que atacar o metano se torne uma distracção perigosa. "As pessoas estão preocupadas com a possibilidade de afastar a atenção do dióxido de carbono mas não devia ser assim."

Ambos os problemas têm que ser resolvidos mais cedo ou mais tarde mas os projectos globais sobre metano praticamente encalharam completamente no ano passado.

El-Ashry diz que a situação se deveu em parte à incerteza sobre o resultado das conversações sobre alterações climáticas e aquecimento global em Copenhaga e em parte devido à crise financeira mundial pois o crédito não existiu para os projectos de metano, apesar de estarem prontos a arrancar. 

El-Ashry faz parte de um grupo que defende um novo financiamento de $200 milhões que ajude a reactivar estes programas de metano. "Há aqui uma oportunidade de efeito imediato em termos de impactos, particularmente no Árctico, bem como relativamente a impactos secundários como a saúde." 

Isto acontece porque uma coisa boa acerca do metano é que permanece na atmosfera apenas cerca de uma década, logo se conseguirmos reduzir as suas emissões teremos resultados visíveis rápidos. 

 

 

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