2010-01-24

Subject: Homem dizimou os gigantes australianos

 

Homem dizimou os gigantes australianos

 

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Palorchestes azaelO Homem, não as alterações climáticas, causou a extinção em massa da megafauna australiana, como os cangurus gigantes, há dezenas de milhares de anos.

Há muito que os cientistas debatem o que terá feito desaparecer cerca de 50 espécies de animais com mais de 45 kg, incluindo o canguru gigante, o Procoptodon e marsupial tipo wombat com mais de duas toneladas Diprotodon, no final do Pleistoceno, que se estendeu entre 2,6 milhões a há 12 mil anos.

Alguns propuseram que os ancestrais dos aborígenes australianos, que chegaram ao continente algures entre há 60 e 45 mil anos, rapidamente caçaram estes animais até à extinção. Outros têm defendido como causa a perturbação ambiental devida aos fogos ateados pelos humanos para abrir clareiras ou para espantar as presas, que teria alterado a vegetação, hidrologia e clima do continente. Do lado das alterações climáticas estão os investigadores que culpam a mais recente idade do gelo, que atingiu o seu pico há cerca de 21 mil anos.

Evidências de uma causa humana têm vindo, no entanto, a aumentar ao longo da última década. Um estudo datou a extinção da ave de dois metros de altura e 200 kg Genyornis apenas há cerca de 50 mil anos, logo após a colonização humana e numa época em que o clima era benigno. Esse trabalho, feito com base na casca dos ovos da ave não voadora, foi mais tarde confirmado por um projecto costa a costa que datou a extinção dos marsupiais gigantes, répteis e aves por todo o continente de há cerca de 46 mil anos.

No entanto, um local, Cuddie Springs na Nova Gales do Sul, tem sido usado como prova de um longo período de sobreposição entre a presença humana e a megafauna, aparentemente ilibando o Homem como agente principal da extinção dos animais. É o único local onde vestígios da megafauna são encontrados nas mesmas camadas sedimentares com artefactos aborígenes. As camadas sedimentares foram datadas por radiocarbono e luminescência como tendo entre 40 e 30 mil anos.

Mas alguns investigadores duvidaram dos resultados, que datam a megafauna apenas de forma indirecta, através de carvão e grãos de areia nas camadas contendo os fósseis e as ferramentas de pedra. Eles alegam que o local foi perturbado e que os fósseis de megafauna de depósitos mais antigos tinham acabado misturados com os depósitos mais recentes. Sem a proteína colagénio, os ossos não puderam ser directamente datados por radiocarbono.

Agora, uma equipa liderada por Rainer Grün, geocronologista da Universidade Nacional da Austrália em Camberra, usou ressonância electrónica (ESR) e técnicas que utilizam a série do urânio para datar directamente os dentes da megafauna. O seu laboratório é o único na Austrália, e um dos poucos no mundo inteiro, a utilizar a ESR desta forma.

Todos os espécimes de espécies extintas têm pelo menos 50 mil anos, alguns muito mais, relata a equipa num artigo da revista Quaternary Science Reviews. O resultado acaba com as alegações da sobrevivência tardia dos animais gigantes e de um longo período de coexistência entre eles e o Homem. 

 

A descoberta enfraquece os argumentos de que teriam sido as alterações climáticas a causa principal do desaparecimento da megafauna mas não descrimina entre os dois possíveis mecanismos que conduziram à catástrofe, morte rápida ou queima lenta, pois a data da colonização e a data da extinção não são conhecidas com precisão suficiente.

"Os nossos resultados eliminam um argumento forte contra a hipótese de morte rápida mas não a provam", diz Grün.

Richard Roberts, geocronologista na Universidade de Wollongong, Austrália, e o biólogo Barry Brook, da Universidade de Adelaide, Austrália, dizem num comentário publicado na revista Science que o "impacto humano deve ter sido o factor decisivo", possivelmente através da caça da megafauna jovem. O aumento da aridez durante a última idade do gelo pode ter reforçado este efeito mas a megafauna australiana estava bem adaptada a condições de secura pois já tinha sobrevivido a secas repetidas no passado, dizem eles.

Chris Johnson, ecologista da Universidade James Cook em Townsville, Austrália, diz que as datas directas de Cuddie Springs significam que o local agora "está de acordo com o grosso das restantes evidências" para uma extinção rápida da megafauna australiana entre 50 e 40 mil anos.

O arqueólogo James O'Connell, da Universidade do Utah, diz que ainda não há certezas. O'Connell, que trabalhou longamente em arqueologia australiana, incluindo Cuddie Springs, considera que pode ter havido um longo período de sobreposição entre a existência da megafauna e do Homem, independentemente de quais das datas de Cuddie Springs estão correctas. "O clima pode não ser o único factor mas não pode ser eliminado como significativo." 

 

 

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