2010-01-19

Subject: Adensa-se o mistério do panda castanho

 

Adensa-se o mistério do panda castanho

 

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Os pandas estão cada vez mais ameaçados na natureza e o avistamento de um animal com uma pelagem extremamente rara castanha e branca está agora a aumentar o receio de que a espécie esteja a sofrer de consanguinidade.

Em Novembro de 2009 um membro do pessoal da Reserva Natural de Foping nas Montanhas Qinling na China, um dos últimos redutos do panda, avistou um panda com coloração invulgar. Estima-se que pesasse cerca de 2 Kg, o que o tornaria muito jovem, menos de dois meses de idade na altura.

Este foi apenas o sétimo animal do género a ser avistado na região ao longo dos últimos 25 anos, diz Tiejun Wang, ecologista espacial do Departamento de Recursos Naturais da Universidade de Twente em Enschede, Holanda, que trabalhou em Foping durante duas décadas. Mas a explicação para esta variedade invulgar permanece um mistério: "É tempo de termos um debate sobre o que está a causar isto porque pode estar a dizer-nos algo muito importante."

Wang e o seu colega de Twente Andrew Skidmore estão preocupados que a forma castanha e branca indique que o cruzamento entre pandas aparentados de perto se esteja a tornar mais comum.

Cada panda apresenta duas formas alternativas, alelos, de cada um dos seus genes, um herdado da mãe e outro do pai. Wang sugere que os pandas de Qinling transportam um alelo dominante para o pêlo preto e um recessivo para o pêlo castanho, o que significa que os pandas com pelagem castanha e branca só são possíveis quando herdam os alelos recessivos para castanho de ambos os progenitores.

As probabilidades de ambos os progenitores terem o alelo castanho são extremamente baixas, sugere Wang. Mas a coincidência torna-se mais provável se os pandas forem aparentados. "o habitat nas montanhas Qinling está gravemente fragmentado e a densidade populacional é muito alta", diz ele. "Os pandas castanhos podem ser uma indicação de consanguinidade local."

Os conservacionistas estão preocupados com o facto dessa consanguinidade poder significar que mais animais dependem do mesmo conjunto de defesas genéticas para sobreviver às ameaças ambientais, o que aumenta o seu risco de extinção.

De acordo com Wang, os pandas castanhos e brancos apenas foram vistos na população de Qinling, uma das cinco regiões montanhosas onde ainda existem pandas selvagens. Qinling é lar de cerca de 300 animais, perto de um sexto da população total selvagem.

O primeiro panda castanho e branco de que há registo, uma fêmea chamada Dan-Dan, foi descoberta em 1985. Ela foi levada para cativeiro, acasalada com um macho preto e branco e deu à luz um macho normal, preto e branco. Alguns anos depois, outro panda castanho e branco foi visto na natureza, com a sua mãe preta e branca. "Estas observações anedóticas sugerem fortemente a presença de genes recessivos", diz Wang.

 

A ideia vale a pena investigar, diz Sheng-guo Fang, investigador na Universidade de Zhejiang em Hangzhou, China, que tem estudado a morfologia e a genética dos pandas de Qinling mas pode haver outros factores em jogo.

Fang descobriu que, apesar da maioria dos pandas de Qinling parecerem animais normais pretos e brancos, muitos dos pandas da região têm manchas castanhas no pêlo do peito, o que sugere que pode ser algo específico de Qinling, como o clima ou um químico ambiental em particular que afectem um ou mais dos genes da pigmentação, diz Fang. "As montanhas de Qinling já criaram subespécies castanhas de outros tipos de mamíferos", salienta ele.

A ideia de existência de consanguinidade em Qinling também não vai ao encontro das mais recentes análises genéticas, que mostram que apesar da dramática contracção do habitat do panda nos últimos milhares de anos, as populações que restam de panda gigante parecem ter mantido grande diversidade genética.

"As evidências de que os pandas gigantes em geral, e os pandas das montanhas Qinling em particular, terem baixa variação genética é equívoca para dizer o mínimo", diz Mike Bruford, ecologista molecular na Universidade de Cardiff, que trabalhou nesse estudo.

O genoma do panda gigante, que foi publicado online na revista Nature do mês passado, também revelou poucos sinais de consanguinidade, diz Jun Wang, do Instituto de Genética de Pequim em Shenzhen, China. Mas o genoma deve revelar-se valioso na resolução do mistério dos pandas castanhos de Qinling. 

"Há mais de 125 genes conhecidos por afectar a pigmentação em ratos", diz Hopi Hoekstra, bióloga evolutiva na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, e um perito em pigmentação em mamíferos. "Há com certeza um bom punhado de genes candidatos que podemos sequenciar em duas formas e procurar diferenças", diz ela.

Jun Wang e os seus colegas já o estão a fazer. Até agora, estudaram a sequência de cerca de 50 genes dos conhecidos como envolvidos na pigmentação. A comparação dos pandas castanhos e pretos de Qinling e de outros locais pode ajudar a lançar luz sobre a base genética desta variedade rara, diz ele. 

 

 

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