2010-01-18

Subject: A razão porque o petróleo do Exxon Valdez perdura

 

A razão porque o petróleo do Exxon Valdez perdura

 

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Limpeza depois do derrame do Exxon ValdezO petróleo derramado no Golfo do Alasca pelo Exxon Valdez permanece nas praias da zona, mais de vinte anos depois, devido a uma camada rocha porosa que a ajuda a manter o petróleo longe do ar, consideram os investigadores.

Os peritos há muito que estavam intrigados pelo facto de bolsas de petróleo permaneciam enterradas ao longo dos anos. Pouco depois do derrame do Exxon Valdez no canal Prince William Sound em Março de 1989, os investigadores calcularam que o petróleo se dissiparia no espaço de poucos anos ou mesmo meses. 

Alguns sugeriram que os processos naturais, como a degradação bacteriana, tratariam da maioria do petróleo, enquanto outros pensavam que o petróleo seria lavado da costa pelas ondas ou por mangueiras de alta pressão, mas as bolsas de petróleo permaneceram, enterradas meio metros abaixo da superfície de algumas praias, incluindo Eleanor Island, que recebeu uma quota parte substancial da contaminação.

Eleanor Island tem um troço de 40 metros de praia de gravilha polvilhada aqui e ali por pequenos blocos de rocha, deixados para trás pelas ondas que removeram os sedimentos mais pequenos. Os espaços entre estas pedras e rochas são suficientemente grandes para permitir que a água e o petróleo as atravessem. Abaixo delas, sedimentos ligeiramente mais finos foram compactados ao longo do tempo por processos geológicos que criaram duas camadas, com a superior centenas de vezes mais permeável que a de baixo, segundo Michel Boufadel e Hailong Li, da Universiade Temple de Filadélfia, Pennsylvania.

Boufadel e Li mediram a forma como a água flui através dos sedimentos rochosos usando diversos poços afundados em duas secções perpendiculares à costa e seguiram a salinidade da água à medida que esta se alterava com as marés e as escorrências de água doce pela praia. Também analisaram as zonas 'estagnadas' de água, que não eram atingidas pela maré.

Os investigadores determinaram que em secções onde a água doce corria, a água subterrânea com petróleo tinha maior probabilidade de ser levada para o mar através da camada sedimentar porosa, mas se a água estava estagnada, o petróleo escoava-se para a camada menos permeável abaixo.

Essa camada menos permeável também contém menos oxigénio, segundo as suas medições. Uma vez aprisionada na camada pouco permeável por acção da capilaridade, a falta de oxigénio pode impedir que o petróleo se degrade quimicamente ou que as bactérias degradem os hidrocarbonetos que restam.

A canalização subterrânea da praia é muito importante, diz Boufadel. "É o principal mecanismo de previsão da forma como o petróleo se vai deslocar ao longo do tempo." Ele sugere que se analisem outras praias com sedimentos glaciais grosseiros em locais como a Noruega, para se observar se se comportam da mesma forma, para ajudar a planear a resposta a futuros derrames.

Boufadel e Li, que está agora na Universidade de Geociências da China em Wuhan, sugerem que essas áreas de glaciais árcticas, onde o transporte e perfuração de petróleo se deve tornar mais comum com as alterações climáticas, podem acabar como armadilhas de profundidade para os derrames. 

O estudo é um dos vários projectos financiados pelo Exxon Valdez Oil Spill Trustee Council e pode apoiar os seus esforços para obter mais dinheiro de indemnização da Exxon. O trabalho foi publicado na última edição da revista Nature Geosciences.

 

Jeff Short, director de ciência para o Pacífico do grupo ambientalista Oceana em Juneau, Alsaka, considera que a investigação ilustra claramente a forma como bolsas de petróleo podem ficar preservadas durante décadas enterradas nos sedimentos.

Os investigadores tinham assumido que as praias com este tipo de superfície rochosa altamente permeável seriam lavadas completamente mas, em 2001, Short e os seus colegas relataram que as bolsas de petróleo eram mais comuns do que pensava. As suas descobertas criaram preocupação com os efeitos a longo prazo sobre animais como as lontras marinhas, que escavam profundamente para apanhar bivalves.

Erik Wickley-OlsenMas outros investigadores dizem que o petróleo antigo já não é uma ameaça para os animais. É pouco provável que sejam expostos a ele por estar enterrado tão profundamente, diz Paul Boehm, cientista principal da firma de consultadoria Exponent, contratada pela Exxon para examinar muitas das praias da zona afectada. 

Boehm também diz que a praia de Eleanor Island é "uma ave rara" e que muito poucas outras apresentam as mesmas condições geológicas, mesmo no Prince William Sound. "As praias são tão heterogéneas e as características que mantém o petróleo sequestrado são muito espaçadas." Ele acrescenta que se a questão é a remediação, pode ser melhor deixar o petróleo onde está em vez de o exumar e voltar a expor o ecossistema a mais resíduos. 

 

 

Saber mais:

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