2010-01-17

Subject: Epidemia mata apenas morcegos americanos

 

Epidemia mata apenas morcegos americanos

 

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Esta semana o biólogo da vida selvagem Scott Darling e uma pequena equipa vai até à entrada da remota caverna Mount Aeolus no estado americano do Vermont, local que já foi a maior zona de hibernação de morcegos da Nova Inglaterra.

Apenas há três anos, a caverna albergava mais de 200 mil morcegos mas este ano a equipa vai lá entrar com fatos protectores brancos para ver se ainda existe algum animal.

A gruta Aeolus é um dos mais de 80 locais do nordeste dos Estados Unidos a ser atingido pelo síndroma do nariz branco (WNS), uma doença mal compreendida que tem sido devastadora para as populações de morcegos desde que surgiu pela primeira vez em 2006. 

O síndroma recebeu o seu nome devido o fungo esbranquiçado Geomyces destructans que cresce no focinho e por vezes nas asas dos morcegos afectados enquanto hibernam (ver fotografia acima). Por razões ainda por esclarecer, os morcegos acordam e esvoaçam quando deviam estar a conservar energia, acabando por morrer de fome quando se lhes acabam as reservas de gordura.

Ao longo dos últimos três anos, os biólogos dos morcegos estimam que um milhão de morcegos terá morrido de WNS nos Estados Unidos, com alguns dos locais de hibernação a perder 90 a 100% dos seus animais. Muitos peritos estão preocupados devido ao importante papel dos morcegos na hibernação.

Em Aeolus, "no ano passado encontrámos o que se estima serem entre 10 e 20 mil morcegos mortos no chão da caverna", diz Darling, que trabalha para o Departamento da Fauna Selvagem e da Pesca do Vermont em Rutland. E esse número foi apenas em Guano Hall, a câmara mais externa da caverna pois Darling e a sua equipa não quiseram entrar mais fundo para não acordar os restantes morcegos e porque "para ser honesto, a taxa de mortalidade é tão perturbadora que não quisemos atravessar mais pilhas de cadáveres".

Enquanto os biólogos se aventuram nas cavernas americanas este ano, os investigadores estão a lutar para desenvolver formas de contra-atacar o síndroma e compreender os seus mistérios, incluindo o porquê de os morcegos europeus permanecerem saudáveis apesar de o fungo também ser aí encontrado.

Alguns grupos estão a trabalha para desenvolver químicos que possam abrandar ou matar o fungo mas este ainda terão que sair do laboratório e podem ser danosos para outros fungos nas cavernas. Outras equipas estão a analisar controlos biológicos, bactérias que se possam propagar entre os morcegos, viver na sua pele e protege-los do fungo.

Uma vacina também poderá ajudar, ainda que, devido ao desafio que seria vacinar cada animal, esta abordagem provavelmente apenas seria prática na preservação de um número limitado de espécies ameaçadas, como o morcego do Indiana, que perdeu 30 a 40% do seu efectivo nos últimos três anos.

"Infelizmente, tudo isto levará muitos anos de pesquisas e estamos a funcionar no pressuposto de que já não temos tempo", diz Jeremy Coleman, o coordenador do WNS para o Serviço de Fauna Selvagem e Pesca Americano sediado em Cortland, Nova Iorque.

Um problema é que os cientistas ainda não sabem de que forma a doença mata os morcegos, ainda que muitos pensem que o fungo, que invade os folículos pilosos e as glândulas sebáceas das asas dos morcegos, irrite os animais de tal forma que os acorda da hibernação. Também se observam danos nas asas, o que pode reduzir a sua capacidade de capturar insectos se conseguirem sobreviver até à Primavera. Mas é possível que o fungo seja uma infecção oportunista, atingindo os morcegos que já estão doentes devido a outra coisa, apesar de nenhum outro agente patogénico ter sido encontrado.

 

Algumas pistas vêm de relatórios do ano passado sobre fungos brancos nos focinhos e asas de um pequeno número de morcegos em pelo menos oito países europeus. Quatro deles, Hungria, Alemanha, Suíça e França, confirmaram que o fungo é o Geomyces destructans, mas os seus morcegos continuam saudáveis.

Para aumentar a intriga vem um relatório de 1983 que mostra uma fotografia de um morcego alemão com algo branco no focinho. O relatório menciona avistamentos ocasionais destes morcegos durante sensos rotineiros no Inverno, sugerindo que o fungo poderá já estar a infectar os morcegos europeus pelo menos há 23 anos, aparentemente sem os matar, antes de surgir na América do Norte.

Segundo David Blehert, microbiólogo do Centro Nacional de Saúde da Fauna Selvagem do Serviço Geológico americano em Madison, Wisconsin, cuja equipa descreveu o fungo pela primeira vez, os morcegos europeus coevoluíram com o fungo e desenvolveram resistência imunitária. Também têm adaptações comportamentais que lhes permitem escapar à infecção letal, como o facto de hibernarem em grupos pequenos (com menos de cem animais), enquanto os morcegos americanos geralmente hibernam em grupos de milhares ou centenas de milhar, perfeitos para a propagação da doença.

clique para ver mapa maior"Vai ser interessante ver como será a situação daqui a dois ou três anos", diz Blehert. "Se o fungo que estamos a ver é o mesmo que foi documentado há três décadas, isso sugere o Geomyces destructans existe na Europa mas o síndroma do nariz branco não."

Mas o tempo não está do lado dos morcegos norte-americanos. "A qualquer momento estou à espera que o telefone toque com relatórios sobre novas localizações", diz Coleman, que está particularmente ansioso com a propagação da doença para sul e oeste. "O Tennessee ou o Kentucky, esses é que são local com números enormes de morcegos."

Os pequenos morcegos castanhos, espécie predominante na caverna de Mount Aeolus, são os que foram atingidos com mais gravidade, diz Thomas Kunz, biólogo da Universidade de Boston no Massachusetts. Os morcegos normalmente só produzem uma cria por ano, logo haverá grande dificuldade em recuperar as populações. "Estamos a prever extinções." 

 

 

Saber mais:

White-nose syndrome at the USGS National Wildlife Health Center

Cavernas mais quentes podem salvar morcegos de fungo mortal

 

 

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