2010-01-13

Subject: Confirmada ligação entre bisfenol e problemas cardíacos

 

Confirmada ligação entre bisfenol e problemas cardíacos

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Os cientistas descobriram mais uma vez que as pessoas com níveis mais elevados de bisfenol A (BPA) na urina têm maior probabilidade de problemas cardíacos que os que têm níveis baixos de BPA.

Usado no fabrico de algumas garrafas de plástico para bebidas e para os revestimentos internos das latas de alimentos, o BPA pode imitar os efeitos do estrogénio no organismo e tem sido associado a vários problemas em estudos com animais, incluindo baixa contagem de espermatozóides, cancro da próstata e anomalias no desenvolvimento fetal.

Em 2008, os investigadores fizeram pela primeira vez a associação entre o BPA e a diabetes e as doenças cardíacas em humanos mas os grupos de pressão da indústria, nomeadamente o American Chemistry Council de Arlington, Virginia, negaram vigorosamente essas descobertas.

Agora, os mesmos investigadores estão de volta com um segundo artigo na revista PLoS ONE, que usa dados independentes para chegar a resultados de modo geral semelhantes, ainda que mais fracos. "É apenas o segundo conjunto de dados de uma grande população a ser divulgado", diz o autor principal David Melzer, da Escola de Medicina Peninsula da Universidade de Exeter. "Mostra que o nosso primeiro artigo não era uma anomalia estatística."

Melzer analisou dados do senso de 2005–06 do National Health and Nutrition Examination Survey de 1493 adultos, que forneceram amostras de urina e preencheram questionários sobre a sua saúde. Altas concentrações de BPA na urina dos sujeitos foram associadas a doença cardiovascular mas não com diabetes ou com níveis elevados de enzimas do fígado (que indicam danos nesse órgão).

No entanto, as concentrações de BPA eram 30% inferiores neste senso do que no de 2003–04 usado no estudo anterior da equipa, ainda que quando as duas amostras eram reunidas as associações à diabetes e às enzimas do fígado continuassem significativas estatisticamente.

Com base nos dados, um homem de 60 anos com o menor nível de BPA no senso tinha uma probabilidade de cerca de 7,2% de desenvolver doenças cardiovasculares, enquanto um sujeito semelhante com níveis três vezes superiores enfrentava um risco de cerca de 10,2%.

Os resultados somam-se a um número limitado de estudos em humanos sobre os efeitos do BPA mas não é provável que reúnam os dois lados de um debate intenso sobre a segurança deste composto químico.

O toxicólogo Frederick vom Saal, da Universidade do Missouri em Columbia, um crítico de há muito das regulamentações sobre a utilização do BPA, considera que a identificação deste tipo de associação a partir de dados epidemiológicos é alarmante. "A questão importante aqui é que deve haver mais de 100 factores envolvidos em qualquer destas doenças e estamos a estudar apenas um químico, uma recolha única de urina e já salta à vista como uma variável relevante. Isso é impressionante porque é algo que podemos mudar."

 

Já Steven Hentges, do American Chemical Council, diz que o facto de alguns dos resultados iniciais da equipa não serem apoiados por dados independentes coloca mais questões do que fornece respostas. "O peso das evidências científicas continua a apoiar a visão de que o BPA não é uma preocupação de saúde. Se pensarmos que este estudo levanta uma hipótese, aceito, mas o facto de não terem sido capazes de replicar a maior parte do que relataram antes diz muito."

De facto, outros cientistas concordam que o que está ainda em falta nesta pesquisa é a demonstração do mecanismo de acção. "Estudos de associação mostram que realmente algo se passa mas chegar a um mecanismo causa e efeito preciso é o que podemos acrescentar com estudos animais", diz Scott Belcher, da Universidade de Cincinnati no Ohio, que começou uma série de estudos em ratos financiados pelo Instituto Nacional de Ciências Ambientais e de Saúde de Research Triangle Park, Carolina do Norte.

Há muito que os cientistas sabem que o estrogénio tem a capacidade de afectar o funcionamento do coração através do receptor do estrogénio beta e Belcher está a estudar a forma como o BPA afecta os níveis de cálcio que controlam a contracção do coração.

Os seus resultados preliminares mostram que o BPA, como o estrogénio, provoca um batimento cardíaco irregular em ratos fêmea, o que pode aumentar o risco de ataque cardíaco. Belcher está a planear realizar mais estudos em roedores para analisar directamente os riscos de ataque cardíaco, obesidade e alterações no sistema cardiovascular.

A política sobre o BPA nos Estados Unidos parece um ciclo vicioso. A Administração de Alimentação e Medicamentos (FDA) adiou uma 'actualização' prometida sobre a sua posição de que o composto químico é seguro. "Vamos fazer uma comunicação em breve", diz a porta-voz da agência Meghan Scott, ainda que não tenha sido específica em relação à data da comunicação. 

 

 

Saber mais:

Plástico decompõe-se na água e liberta tóxicos

Porque o plástico nem sempre é fantástico ...

Estudo revela que plásticos podem ser cancerígenos

Fetos são afectados por exposição extra aos estrogénios

Plástico é o maior poluente do mundo

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com