2010-01-11

Subject: Tubarões mortos para fazer vacinas

 

Tubarões mortos para fazer vacinas

 

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@ elasmodiver.comAs vacinas que estão a ser produzidas para proteger as populações da gripe suína podem não estar ser saudáveis, nem para os humanos nem para várias espécies ameaçadas de tubarões.

A razão da situação é o facto de as milhões de doses produzidas da vacina contra a estirpe pandémica de H1N1 de 2009 contêm um isoprenóide chamado esqualeno, que é extraído, entre outras fontes, do fígado dos tubarões.

Vulgarmente encontrado em produtos de beleza como os cremes hidratantes da pele, o esqualeno também pode ser usado como adjuvante, um composto que reforça a resposta imunitária do corpo.

A Organização Mundial de Saúde recomenda a utilização de vacinas com base em adjuvantes pois eles permitem que as farmacêuticas produzam doses que utilizam uma quantidade menor de compostos activos, aumentando a disponibilidade dos fornecimentos.

O azeite, o óleo de germe de trigo e o óleo de arroz também contêm naturalmente esqualeno, ainda que em menor quantidade, mas por agora este é essencialmente retirado de tubarões capturados pelos pescadores comerciais, especialmente de espécies de águas profundas.

"Existem várias questões perturbadoras associadas à utilização de esqualeno retirado do óleo do fígado de tubarão", refere Mary O'Malley, co-fundadora do grupo de voluntários que luta pela protecção dos tubarões Shark Safe Network. "Os tubarões de águas profundas que são alvo destas capturas têm taxas de reprodução extremamente baixas e muitos já são espécies ameaçadas de extinção."

Por exemplo, um fornecedor apelidou o barroso Centrophorus granulosus o Rolls-Royce dos tubarões produtores de esqualeno mas o barroso já está listado pela Lista Vermelha de espécies ameaçadas da International Union for Conservation of Nature (IUCN) como vulnerável, o que significa que a espécie enfrenta um risco elevado de extinção.

Apesar das vacinas que contêm esqualeno ainda não terem sido aprovadas para utilização nos Estados Unidos, estão a ser distribuídas por muitos outros países, incluindo toda a Europa e o Canadá.

A Novartis, farmacêutica que produz vacinas para a gripe suína contendo esqualeno de tubarão, não se mostrou disponível para responder a questões sobre a origem do seu fornecimento de esqualeno. 

Já a GlaxoSmithKline (GSK), outra importante produtora de vacinas contra a gripe suína, anunciou em Outubro passado que tinha recebido encomendas de 440 milhões de doses de vacinas com adjuvante esqualeno, que têm sido administradas em 26 países até à data, confirmou a porta-voz da companhia Clare Eldred num comunicado.

A GSK não revela o nome do seu fornecedor ou a quantidade anual de esqualeno de tubarão que compra mas Eldred referiu que a farmacêutica absorve cerca de 10% da produção total do seu fornecedor.

O'Malley, da Shark Safe Network, estima que as 440 milhões de doses da GSK precisem de, pelo menos, 4400 quilogramas de óleo de tubarão, baseado no conteúdo declarado de esqualeno de 10,69 miligramas presente numa dose. Esta estimativa, no entanto, assume que não exista desperdício e não haja refinação do esqualeno uma vez extraído dos tubarões.

 

Encontrados a profundidades entre os 300 e os 1500 metros, os tubarões de profundidade que produzem esqualeno são geralmente capturados por arrasto de fundo, deliberadamente ou como capturas secundárias.

"O arrasto de fundo é um método de pesca horrivelmente destrutivo que arranca tudo no seu caminho e destrói áreas enormes do fundo do mar", explica O'Malley. Para além disso, os tubarões já em risco têm crescimento extremamente lento e raramente se reproduzem.

Uma fêmea de barroso, por exemplo, leva entre 12 e 15 anos a alcançar a maturidade sexual, dando à luz uma única cria após um período de gestação de cerca de dois anos. Isso significa que uma única fêmea perdida tem um grande impacto na população, diz Hans Lassen, conselheiro de pescas para o Conselho Internacional para a Exploração do Mar, uma organização intergovernamental.

Em 2006, a Comissão Europeia impôs limites à pesca de tubarões de profundidade no Atlântico norte e a quantidade de esqualeno de tubarão disponível no mercado tem-se reduzido desde então.

Ainda assim, alguns fornecedores de esqualeno requisitam estes tubarões de forma activa aos pescadores, diz O'Malley. Por exemplo, a empresa fornecedora francesa Sophim apresenta a lista das espécies de que necessita no seu site, juntamente com uma oferta para avaliar amostras de fígados de tubarão que "são ditados fora porque os pescadores não sabem que tem valor."

Algumas companhias cosméticas deixaram de usar esqualeno de tubarão ou estão a descontinuá-lo gradualmente em resposta a pressões por parte de grupos conservacionistas mas uma alternativa ao esqualeno ainda não é opção para os produtores de vacinas com adjuvantes, segundo Eldred da GSK. 

A companhia farmacêutica está a analisar fontes alternativas, não animais, de esqualeno, incluindo o azeite mas, de momento, "não fomos capazes de encontrar uma alternativa com um teor suficientemente alto", diz ela. 

 

 

Saber mais:

Raro tubarão encontrado e devorado nas Filipinas

Tubarões nadam cada vez mais perto da extinção

Proposta da União de protecção aos tubarões

 

 

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