2010-01-10

Subject: Equinodermes absorvem carbono

 

Equinodermes absorvem carbono

 

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@NatureAnimais como as estrelas-do-mar, ouriços-do-mar ou os lírios-do-mar sequestram muito mais carbono do que antes se pensava, segundo o primeiro estudo que estima a contribuição dos equinodermes para a armazenagem de carbono pelos oceanos.

Estudos do carbono biológico nos oceanos têm tendência para se focarem em organismos que andam à deriva, como o plâncton, pois sabe-se que esses animais armazenam carbono sob a forma de carbonato de cálcio, que transportam para o fundo do mar quando morrem.

Mario Lebrato suspeitou que os animais que habitam o fundo, como os equinodermes, também armazenam grandes quantidades de carbonato de cálcio e questionou-se sobre a verdadeira dimensão do seu papel no ciclo global do carbono.

Enquanto estudante de graduação na Universidade de Southampton, Lebrato, agora estudante de doutoramento no Instituto de ciências Marinhas de Leibniz, decidiu estudar as taxas a que os equinodermes absorvem carbonato de cálcio e o que acontece a esse carbono quando morrem. "A fundamentação disto foi inicialmente retirada do bolso porque ninguém acreditava na contribuição dos equinodermes para o ciclo do carbono", recorda Lebrato.

Ele e os seus colegas recolheram amostras de equinodermes tanto de águas profundas como rasas a várias latitudes do Atlântico e, em todas as paragens, tentaram recolher exemplares de cada uma das classes principais do filo: Asteroidea - estrelas-do-mar, Echinoidea - ouriços-do-mar, Ophiuroidea - ofiurídeos, Holothuroidea - pepinos-do-mar e Crinoidea - lírios-do-mar. Apenas recolheram animais adultos e todos foram limpos com cuidado antes de serem congelados e desidratados para ser transformados em pó para análise do conteúdo em carbono.

A equipa realizou medições de carbono para as classes que recolhia em todos os locais e usaram esses dados para criar estimativas do conteúdo em carbono para os equinodermes de cada latitude de outros oceanos por todo o mundo.

Mais tarde, os investigadores emparelharam as suas estimativas de carbono com dados de densidade populacional e mortalidade para cada uma das classes, para determinar que quantidade de carbonato de cálcio os animais adultos armazenam no corpo e qual a velocidade a que esse carbono era enterrado pelos sedimentos após a sua morte.

Lebrato e os seus colegas relatam na revista ESA Ecological Monographs que, em todo o mundo, os equinodermes capturam cerca de 0,1 gigatoneladas de carbono por ano, um número inferior ao resultante da captura global pelos organismos pelágicos (que ronda os 0,4 a 1,8 gigatoneladas, dependendo das fontes consideradas) mas ainda assim representa uma bomba de carbono considerável. Por comparação, as actividades humanas bombeiam para o ar todos os anos cerca de 5,5 gigatoneladas.

 

"Os equinodermes podem ser encontrados em todos os ecossistemas e em todas as profundidades por todo o mundo e têm corpos que chgam a ser compostos por mais de 80% de carbonato de cálcio, por isso estávamos à espera de um resultado deste tipo", diz Lebrato.

"Fiquei realmente surpreendido com a magnitude dos valores relatados neste estudo mas a sua abordagem parece correcta, pelo que os resultados devem ser bastante rigorosos", diz o paleoceanógrafo Justin Ries, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

"Estes números são um abrir de olhos mas suspeito que haverá ainda mais surpresas", diz Craig Smith, oceanógrafo biológico da Universidade do Havai em Manoa. Os números que este estudo revela são provavelmente inferiores ao real porque vastas regiões do Pacífico equatorial têm uma biomassa elevada de equinodermes e não foram bem estudadas, diz ele.

"Como este projecto teve que extrapolar dados para grandes áreas, há sem dúvida pontos quentes que foram ultrapassados e não foram incluídos na média global", diz Smith. Estes pontos quentes, explica ele, precisam de ser o alvo dos próximos estudos.

Uma questão crucial que este estudo levanta é o efeito potencial da acidificação dos oceanos devida ao aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera pode ter sobre os equinodermes e a sua capacidade de armazenamento de carbono. "Se os equinodermes forem desproporcionalmente susceptíveis à acidificação do oceano, então a dissolução de sedimentos derivados deles será um dos primeiros efeitos da acidificação no ciclo global do carbono", diz Ries. "De facto, talvez já esteja a ser." 

 

 

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