2010-01-08

Subject: Oceanos libertam DDT de há décadas

 

Oceanos libertam DDT de há décadas

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Uma simulação do destino ambiental do DDT (diclorodifeniltricloroetano) revelou que quantidades substanciais do pesticida ainda estão a ser libertados dos oceanos de todo o mundo, apesar das restrições generalizadas à sua utilização em vigor desde a década de 70.

Os cálculos mostram que apesar de a utilização actual do DDT ser quase só no hemisfério sul, as suas concentrações estão, na realidade, a aumentar no hemisfério norte à medida que se desloca através dos oceanos e atmosfera do planeta.

Estima-se que 1,5 milhões de toneladas de DDT foram utilizadas entre as décadas de 40 e 70 do século passado, tanto como insecticida agrícola como no controlo de insectos portadores de doenças, como os mosquitos da malária, por exemplo. 

Mas o DDT é tóxico para uma enorme variedade de formas de vida aquática e os seus efeitos de redução da espessura da casca dos ovos também teve um drástico impacto em muitas espécies de aves. A preocupação com a sua toxicidade ambiental levou uma série de países a banir a utilização agrícola do DDT na década de 70.

Houve um declínio drástico na utilização do DDT desde então mas o seu legado continua muito presente, dizem Irene Stemmler e Gerhard Lammel, do Instituto Max Planck de Química em Mainz, Alemanha. O DDT está continuamente a reentrar na atmosfera a partir dos oceanos, antes de voltar a ser dissolvido, num ciclo recorrente. "O DDT fica simplesmente ali à espera do próximo ciclo", diz Lammel.

Os cientistas criaram um modelo de computador para simular a circulação do DDT entre o oceano e a atmosfera entre a década de 50 do século passado e 2002. O modelo revelou que desde a década de 70 a reemissão de DDT do oceano se tornou maior do que das três libertações modernas conhecidas de novo DDT: a sua utilização continuada em alguns países para o controlo da malária, a degradação dos contentores de armazenamento e outros pesticidas que contêm DDT como contaminante.

As emissões dos oceanos são suficientemente pequenas para não ser um risco directo para os humanos. "Os passageiros dos cruzeiros nunca irão ser prejudicados por isto", diz Lammel. Uma preocupação maior, no entanto, é que o DDT está a migrar para latitudes mais a norte pois o pesticida evapora mas rapidamente a partir das águas a sul mais quentes, aumentando a concentração nos mares mais frios ao longo do tempo.

 

Trata-se de uma preocupação ecológica porque os organismos marinhos concentram o DDT por factor de milhões à medida que sobe na cadeia alimentar, alcançando níveis onde pode ter efeitos tóxicos nos peixes, por exemplo, ou nos animais que se alimentam deles.

Os cientistas salientam que, no entanto, até à pouco tempo havia muito pouca monitorização do DDT em ambiente marinho, o que torna complicado verificar o seu modelo.

O DDT não vai ficar connosco para sempre. Parte dele, descobriram Stemmler e Lammel, deposita-se no fundo do oceano onde uma porção fica enterrada nos sedimentos e outra porção é destruída na atmosfera pela luz do sol, mas ambos os processos são lentos.

"Temos mecanismos de perda mas se eles são lentos não nos conseguimos libertar dele rapidamente a enterrá-lo no sedimento", diz Robbie MacDonald, oceanógrafo geoquímico no Instituto Canadiano de Ciência Oceanográfica em Sidney, Colúmbia Britânica, que não esteve envolvido no estudo. "Vai levar aos oceanos muito tempo para reduzir as emissões." Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters.

MacDonald compara a persistência do DDT ao encher de um reservatório imenso, apenas para descobrimos que também leva muito tempo a esvaziar. "Seria de esperar que este composto já tivesse desaparecido mas continua a saltar através destes reservatórios, o que as pessoas frequentemente ignoram. Quando controlamos as emissões, as pessoas esperam recompensas imediatas mas isso não acontece."

 

 

Saber mais:

Cor dos ovos indica DDT

Tolerância do DDT tornou moscas mais aptas?

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com