2010-01-06

Subject: Mecanismo secreto de expulsão dos anfíbios revelado

 

Mecanismo secreto de expulsão dos anfíbios revelado

 

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Picos de planta, insectos espinhosos e mesmo transmissores de rádio não ficam muito tempo dentro de rãs arborícolas, os investigadores descobriram que estes anfíbios conseguem absorver objectos estranho das suas cavidades corporais para a bexiga e excretá-los com a urina.

A descoberta terá muito interesse para os investigadores de campo, que frequentemente implantam minúsculos transmissores de rádio nas rãs para as seguir, e também ajuda a explicar de que forma estes pequenos animais sobrevivem a uma vida de saltos em florestas espinhosas consumindo insectos cheios de picos inteiros.

"Parece-me um mecanismo bastante incrível para retirar coisas da cavidade corporal", diz o investigador principal Christopher Tracy, da Universidade Charles Darwin em Darwin, Austrália. Pelo contrário, o Homem e outros mamíferos tipicamente desenvolvem peritonite, uma infecção potencialmente mortal da membrana da cavidade corporal, se essa membrana for perfurada ou danificada por objectos aguçados.

Em 2003, Tracy e os seus colegas começaram um projecto para descobrir de que forma as rãs regulam a sua temperatura corporal. Implantaram cirurgicamente transmissores de rádio sensíveis à temperatura na cavidade abdominal de rãs arborícolas de três espécies (Litoria caerulea, Litoria dahlii e Cyclorana australis) que vivem na zona da cidade de Darwin. 

Após vários meses, os autores resolveram voltar a capturar as suas rãs para registar os dados e substituir as baterias dos transmissores mas, no campo, foram encontrar três dos transmissores no chão.

"Em estudos de telemetria de animais pequenos, não é invulgar descobrir que eles foram devorados por outros", diz Tracy, "mas geralmente há algum tipo de prova do que aconteceu, como marcas de garras no chão ou uma pilha de fezes de predador."

Neste caso os transmissores estavam impecáveis e a descoberta mais estranha ainda estava para vir: de volta ao laboratório, os investigadores abriram dúzias de animais e em muitos casos recolheram os transmissores não da cavidade corporal mas da bexiga urinária. "Foi por essa altura que começámos a tentar perceber exactamente o que se estava a passar", diz Tracy.

Em 2008, Tracy e a sua equipa decidiram estudar o fenómeno. Mantiveram três rãs e sapos dos canaviais em laboratório e implantaram-lhes cirurgicamente contas nas cavidades corporais. 

 

No espaço de duas ou três semanas, as contas apareceram no chão da gaiola das rãs. Apenas um sapo dos canaviais em cinco excretou uma conta mas Tracy abriu alguns dos restantes e apanhou-os a envolver as contas para a bexiga. Em apenas dois dias a conta estava rodeada por tecido transparente sem irrigação, tornando-se posteriormente vascularizado e muscular.

Os investigadores descrevem as suas descobertas num poster de apresentação no encontro da Sociedade de Biologia Integrativa e Comparativa de Seattle, Washington.

Apesar do estudo ser o primeiro a mostrar um animal a usar a bexiga para expelir objectos estranhos, os investigadores já observaram fenómenos semelhantes noutros vertebrados. Várias espécies de peixes e cobras absorvem objectos para o intestino a partir da cavidade corporal e expelem-nos através da defecação, por exemplo.

Rick Shine, herpetólogo da universidade de Sydney, Austrália, que já observou cobras a expelir transmissores de rádio implantados, diz que a investigação tem implicações vastas para a compreensão da fisiologia dos vertebrados. Para os répteis e anfíbios, pelo menos, mover objectos de uma parte das suas entranhas para outra pode não ser um problema. "Faz sentido que um animal retire um objecto da cavidade corporal mas o espantoso é serem realmente capazes de o fazer." 

 

 

Saber mais:

Rick Shine

Christopher Tracy

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