2009-12-27

Subject: Plantas e animais em corrida pela sobrevivência à medida que alterações climáticas varrem o globo

 

Plantas e animais em corrida pela sobrevivência à medida que alterações climáticas varrem o globo

 

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@ Guardian

O aquecimento global avança pelo mundo à velocidade de mais de um quilómetro por ano, revela um novo estudo que salienta os problemas que a subida das temperaturas levanta a plantas e animais. 

Espécies que apenas conseguem tolerar um intervalo estreito de temperaturas vão precisar de se deslocar rapidamente se quiserem sobreviver. A vida selvagem das terras baixas tropicais, mangais e desertos enfrentam um risco maior que as espécies de zonas montanhosas, sugere o estudo.

"Estas são as condições que vão criar o palco, seja com as espécies a deslocarem-se ou a aguentar no local", diz Chris Field, director do Departamento de Ecologia Global da Instituição Carnagie, que trabalhou neste projecto. "Expressas em velocidades, as projecções de alterações climáticas estão directamente associadas às perspectivas de sobrevivência de plantas e animais."

O estudo, realizado por cientistas da Instituição Carnegie, da Universidade de Stanford, da Academia Californiana de Ciências e da Universidade da Califórnia, Berkeley, combinou informação sobre o clima actual e projectado no futuro para calcular a "velocidade da temperatura" em diferentes zonas do globo.

Descobriu que as zonas montanhosas vão continuar a ter a velocidade mais baixa de alterações climáticas, o que significa os animais não terão de se deslocar para muito longe para permanecerem dentro do intervalo de variação de temperatura do seu habitat natural.

No entanto, deslocações geográficas muito maiores são exigidas em zonas planas, como as pastagens alagadiças, mangais e desertos, para que os animais se mantenham na sua zona climática. Os investigadores também descobriram que a maioria das zonas actualmente protegidas não são suficientemente grandes para permitir as deslocações necessárias.

Healy Hamilton, director do Centro de Informática Aplicada à Biodiversidade da Academia Californiana de Ciências, disse: "Um dos aspectos mais poderosos destes dados é que nos permitem avaliar como a nossa actual rede de áreas protegidas vai funcionar num contexto de conservação da biodiversidade em face de alterações climáticas globais."

"Quando analisamos os tempos de residência em áreas protegidas, que definimos como a quantidade de tempo que irá demorar a que as actuais condições climáticas para se deslocarem no interior e para fora de uma dada área protegida, apenas 8% das nossas áreas protegidas têm tempos de residência de mais de 100 anos. Se queremos melhorar estes números temos que reduzir as nossas emissões de carbono e trabalhar rapidamente na expansão e interligação da rede global de áreas protegidas."

 

O estudo descobriu que o aquecimento global terá as menores velocidades nas florestas de coníferas tropicais e subtropicais, onde se deslocará a cerca de 80 metros por ano, e nas pastagens de montanha, um bioma de pastagem e arbustos em altitude, onde se deslocará a com uma velocidade projectada de 110 metros por ano.

Espera-se que o aquecimento global varra mais rapidamente as zonas planas, como os mangais, pastagens alagadiças e savanas, onde pode atingir velocidades acima de 1km por ano. Por todo o mundo, a velocidade média é de 420 metros por ano.

Os resultados deste estudo foram publicados na revista Nature.

Zonas de vida selvagem com velocidades projectadas de alterações climáticas não estão necessariamente melhor protegidas, salientam os cientistas. Habitats como as florestas de folha larga são frequentemente pequenos e fragmentados, o que dificulta a deslocação das espécies.

O estudo examina o movimento das zonas climáticas, não das espécies, alertam os cientistas, o que significa que é difícil prever os impactos sobre árvores, insectos ou outros animais individualmente. Alguns são mais tolerantes a alterações de temperatura que outros e o movimento das espécies pode ser difícil de seguir. 

Estima-se que as árvores se deslocaram para norte na Europa após o fim da última glaciação a uma velocidade de 1km por ano mas esta situação pode dever-se à existência de sementes dormentes na paisagem, o que não acontecerá se a espécie for obrigada a deslocar-se para novos territórios.

Os cientistas dizem que o aquecimento global vai levar a que as temperaturas globais se alterem tão rapidamente que quase um terço do globo terá velocidades climáticas superiores mesmo às mais optimistas estimativas de migração de sementes de plantas.

Algumas plantas e animais podem ter que ser fisicamente deslocados pelo Homem para os ajudar a sobreviver, dizem eles, e as áreas protegidas também devem ser alargadas e unidas entre si. 

 

 

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