2009-12-26

Subject: Mistério da migração dos manatins resolvido

 

Mistério da migração dos manatins resolvido

 

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@ BBC

O mistério da razão porque os manatins do Amazonas migram foi finalmente resolvido. 

Só em anos recentes os cientistas descobriram que estes discretos animais aquáticos migram de águas rasas para águas mais profundas e agora podem revelar que os manatins fazem esta perigosa jornada para evitar ficar expostos a ataque por parte de predadores durante a estação de águas baixas.

Esta descoberta significa que a espécie pode estar em maior risco do que se pensava, dizem os cientistas, pois a migração e os baixos níveis de água os tornam vulneráveis aos caçadores.

A equipa internacional de investigadores brasileiros e ingleses publicou as suas descobertas na última edição da revista Journal of Zoology.

O misterioso manatim do Amazonas Trichechus inunguis é um mamífero vegetariano que vive em ambientes de água doce. Devido à sua peculiar forma já foi descrito como um cruzamento entre um foca e um hipopótamo. A espécie apenas pode ser encontrada na bacia do Amazonas, desde a foz do rio até aos seus tributários do Brasil, Colômbia, Equador, Guiana e Peru.

Os investigadores estudaram os manatins que vivem nas Reservas de Desenvolvimento Sustentado de Mamiraua e Amana, no noroeste do Brasil e para obter os seus resultados indagaram juntos dos habitantes locais sobre os movimentos dos animais, estudaram a forma e profundidade dos rios e lagos locais e colocaram coleiras-rádio para seguir os movimentos de 10 manatins.

Durante a estação da água alta, entre meados de Maio e o final de Junho, os manatins vivem em várzeas calmas formadas quando o rio inunda as planícies ribeirinhas, descobriram eles. Aqui os manatins consumem 8% do seu peso em plantas aquáticas por dia.

 

Depois, durante a estação da água baixa, entre Outubro e Novembro, os animais começam a migrar à medida que o nível da água desce. Viajam para águas mais profundas através de rias profundas pois torna-se demasiado perigoso permanecer nas águas rasas, dizem os cientistas.

Se os manatins não se deslocarem, acabam encalhados e expostos a predadores como caimões, jaguares e humanos que percorrem as margens dos corpos de água baixos.

Deslocar-se para um habitat de água mais profunda não é fácil, pois os grandes mamíferos têm que passar através de zonas estreitas na paisagem aquática, onde caçadores humanos esperam por eles. A perigosa viagem também tem outro aspecto negativo, força-os a jejuar durante vários meses devido à falta de plantas aquáticas.

"Os manatins do Amazonas migram para um habitat que não oferece condições de vida fáceis para fugir de um habitat que se torna inospitaleiro", diz Eduardo Moraes Arraut, do Instituto Nacional de Investigação Espacial de São Paulo, que realizou este último estudo.

Ao faze-lo, os manatins escolhem o menor de dois males. "Quando temos duas opções que não são boas, escolhemos a que é menos má", explica Arraut. "Fiquei surpreendido com a dificuldade das condições em que o manatim vive durante a estação da água baixa e também o fiquei pelo facto de estarem provavelmente a ser mortos por todo o Amazonas durante a migração."

Apesar da caça ao manatim ser ilegal, estes animais são muito apreciados pelos habitantes locais pela sua carne e pelo estatuto que oferecem a quem os caça. 

"É muito difícil matar um manatim e os caçadores são muito respeitados pelas suas comunidades", explica Arraut. "Os manatins estão em maior perigo do que se pensava porque todos os anos estão provavelmente a migrar através de canais estreitos onde ficam expostos a caçadores."

Arraut espera no futuro seguir os manatins de outras regiões do Amazonas para verificar se esta situação ocorre noutras zonas. 

 

 

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