2009-12-19

Subject: Acordo climático de Copenhaga fica aquém das expectativas

 

Acordo climático de Copenhaga fica aquém das expectativas

 

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Barack Obama as he walks through the press conference room at the Bella Centre

O delinear de acordo climático frágil foi concluído esta noite em Copenhaga mas ficou aquém do que muitos países mais pobres e alguns desenvolvidos, como o Reino Unido, ambicionavam, deixando para o futuro mais longos meses de negociações.

No seguimento de oito rascunhos de texto e conversações entre 115 líderes mundiais, coube a Obama e a Wen Jiabao da China desenvolver um acordo político. O acordo, conhecido por acordo de Copenhaga, "reconhece" a validade científica da manutenção da subida de temperatura abaixo dos 2ºC mas não contém compromissos para redução de emissões que permitam atingir esse objectivo.

Funcionários americanos apelidaram o acordo de "significativo" mas até Obama admitiu que "este progresso não é suficiente, avançámos muito mas temos muito mais a percorrer".

Como se esperava desde o início da semana, tem como objectivo fornecer $30 mil milhões em financiamento aos países pobres para se adaptarem às alterações climáticas entre 2010 e 2012 e $100 mil milhões por ano depois disso. 

No entanto, foi um amargo desapontamento para os africanos e outros países vulneráveis que esperavam cortes nas emissões muito mais profundos para impedir a subida das temperaturas médias globais acima de 1,5ºC este século. Como quase todos esperavam, todas as referências aos 1,5ºC nas versões anteriores do acordo foram removidas no último minuto mas, e mais surpreendentemente, a anterior meta de 2050 para reduzir as emissões em 80% também foi deixado cair.

O acordo também estabelece um acordo sobre as florestas que se espera reduza significativamente a desflorestação em troca de dinheiro mas não menciona o tipo de verificação independente das reduções de emissões por parte dos países em desenvolvimento que os Estados Unidos e outros exigiam.

Obama insinuou fortemente que a China era a culpada pela ausência de um acordo substancial. Numa conferência de imprensa ele condenou a insistência de alguns países em olhar para trás para os acordos ambientais anteriores, os países em desenvolvimento deviam "sair desse modo de pensar e passar a uma posição em que se reconhece que temos que agir em conjunto".

Esta referência pouco velada recorda a disputa épica sobre se devemos abandonar Quioto e a sua distinção legal entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os países em desenvolvimento viram esta como uma tentativa por parte dos mais ricos para escaparem à sua responsabilidade pelas alterações climáticas. Muitos observadores culpam os Estados Unidos por chegar às conversações com uma oferta de redução de apenas 4% sobre os níveis de 1990. O texto final não obriga os países em desenvolvimento a fazer cortes nas emissões.

Os negociadores vão agora continuar a trabalhar em acordos individuais, como florestas, tecnologia, finanças, mas sem liderança forte a probabilidade é que levem anos a concluir.

 

Obama considerou a sua viagem como um sinal da renovada liderança global americana: "Chegou o momento de esquecer os aspectos secundários e dar forma ao futuro que desejamos, foi por isso que vim a Copenhaga" mas não ficou para a votação final "devido a constrangimentos climáticos em Washington".

Lumumba Di-Aping, negociador-chefe para o grupo G77 de 130 países em desenvolvimento ficou indignado: "Este acordo vai resultar com certeza em devastação maciça em África e nos pequenos estados-ilha. Tem o menor nível de ambição que podíamos imaginar, não passa de cepticismo sobre alterações climáticas em acção. Obriga os países a permanecer para sempre num ciclo de pobreza. Obama eliminou qualquer diferença entre ele e Bush."

John Sauven, director executivo da Greenpeace UK comentou: "A cidade de Copenhaga é um local de crime esta noite, com os homens e mulheres dele culpados a fugir para o aeroporto. Não há metas para redução de emissões de carbono e nenhum acordo sobre um tratado legalmente vinculativo."

"Ed Miliband [secretário inglês para as alterações climáticas] é dos poucos que sai desta cimeira com algum crédito. É evidente agora que o combate ao aquecimento global exige um modelo de política radicalmente diferente do que esteve presente aqui em Copenhaga. É um resultado desastroso para os povos de todo o mundo que enfrentam cada vez mais impactos negativos de um clima em alteração", comentou um porta-voz da organização ambientalista Friends of the Earth.

Lydia Baker, conselheira de política para a organização Save the Children, referiu: "Ao assinar um acordo inferior ao que se exigia, os líderes mundiais efectivamente assinaram uma sentença de morte para muitas das crianças mais pobres do mundo. Mais de 250 mil crianças de comunidades pobres podem morrer antes da próxima cimeira, no México no final do próximo ano." 

 

 

Saber mais:

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