2009-12-17

Subject: Subida do nível do mar pode exceder as piores expectativas

 

Subida do nível do mar pode exceder as piores expectativas

 

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Com as conversações climáticas emperradas em Copenhaga, um estudo sugere que um dos problemas a elas associadas, a subida do nível do mar, pode ser mais urgente do que antes se pensava.

Robert Kopp, paleoclimatólogo da Universidade de Princeton em Nova Jérsia, examinou a subida do nível do mar durante durante o mais recente período interglaciar de há 125 mil anos. Foi um período em que o clima era semelhante ao que se prevê para o nosso futuro, com as temperaturas médias polares cerca de 3 a 5°C acima das actuais.

Outros estudos já analisaram esta era mas a maioria focou-se nas alterações do nível do mar em alguns locais, o que pode não reflectir alterações globais. O nível do mar pode subir, por exemplo, se a terra estiver a afundar-se, pode ser afectado por alterações na distribuição das massas continentais, explica Kopp. 

Os glaciares de uma idade do gelo têm gravidade suficiente para puxar a água ligeiramente para os pólos, logo quando derretem ela desloca-se novamente para o equador. Para ajustar os resultados a esses efeitos, a equipa de Kopp compilou dados relativos ao nível do mar de mais de 30 locais por todo o globo.

"Podemos ir a muitos locais diferentes e analisar os recifes de coral, os sedimentos intertidais ou as praias que estão agora acima do nível do mar e construir uma base de dados relativamente grande de indicadores do nível o mar", explica Kopp.

A equipa escreve na revista Nature que o mar subiu provavelmente 6,6 a 9,4 metros acima do actual durante o período anterior entre eras glaciares. Quando estava mais ou menos ao nível actual, a média de subida foi de provavelmente 56 a 92 cm por século. "Isso é mais rápido que a taxa actual de subida do nível do mar duas ou três vezes", diz Kopp, alertando para o facto de que se os pólos aquecerem como se espera, uma aceleração na subida do nível do mar pode vir a acontecer no futuro.

O estudo é "muito sofisticado", diz Peter Clark, geólogo na Universidade Estatal do Oregon em Corvallis. "Bem mais da calote gelada que existia na altura deve ter derretido do que se pensava", como partes da Groenlândia e da Antárctica.

As implicações são desconcertantes, diz Clark. Se o mundo aquecer aos níveis comparáveis com os de há 125 mil anos "podemos esperar que um grande parte da calote gelada da Groenlândia e parte da da Antárctica, provavelmente a sua zona ocidental, derretam."

Jonathan Overpeck, climatólogo da Universidade do Arizona em Tucson concorda. "A camada de gelo polar da Terra pode ser mais vulnerável às alterações climáticas do que se acreditava."

 

Mais ainda, se o aquecimento global levar a que os oceanos comecem a subir para os níveis de há 125 mil anos, não há razão para presumir que isso aconteça ao calmo ritmo de 6 a 9 mm por ano que o estudo de Kopp revela. Em parte isso deve-se ao facto de o estudo não ter a resolução suficiente para detectar alterações à escala anual, logo não há razão para dizer que a subida não tenha sido mais rápida.

O aquecimento do futuro próximo também pode ser conduzido por processos potencialmente mais rápidos do que os do último período interglacial. "O motor das alterações climáticas durante o último período interglacial foram alterações lentas na órbita da Terra, que aconteceram em milhares de anos", diz Stefan Rahmstorf, oceanógrafo no Instituto Potsdam de Investigação sobre Impactos Climáticos. "Agora estamos a assistir a um aquecimento de vários graus em apenas um século, o que deverá levar a uma subida do nível do mar mais rápida."

Alguns cientistas pensam que já estamos comprometidos com um futuro com níveis do mar mais elevados que se esperava. "Pode haver um ponto de viragem de aquecimento global para além do qual muitos metros de subida do nível do mar é inevitável a não ser que as emissões de gases de efeito de estufa sejam reduzidas drasticamente e muito em breve", diz Overpeck.

"Passei muito tempo a conversar com decisores da área da segurança nacional deste país e no estrangeiro sobre as implicações para a segurança das alterações climáticas", diz Marc Levy, director adjunto do Center for International Earth Science Information Network da Universidade de Columbia em Nova Iorque. "Testemunhei consistentemente uma incapacidade pela parte desses decisores para levarem a subida do nível do mar a sério. Este estudo ajuda a enquadrar os riscos em formas que os decisores possam compreender."

 

 

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