2009-12-16

Subject: Árvores no Árctico vão aquecer ainda mais as coisas

 

Árvores no Árctico vão aquecer ainda mais as coisas

 

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Acrescente mais uma má notícia para o Árctico relativa a um futuro globalmente aquecido.

Os investigadores identificaram um efeito de retroacção climático desconhecido que sugere que à medida que a vegetação se deslocar para norte vai acelerar a tendência de aquecimento que já existe.

As temperaturas superficiais superiores das últimas décadas já estão a tornar mais fácil às árvores crescerem mais a norte mas "quando a vegetação se instalar vai haver uma amplificação do aquecimento", diz Inez Fung, física atmosférica na Universidade da Califórnia, Berkeley. Ela apresentou os seus resultados a 14 de Dezembro num encontro da União Geofísica Americana em San Francisco, Califórnia.

A equipa de Fung correu um modelo de computador que simula a deslocação de árvores para uma zona de terreno nu, uma região com mais do dobro do tamanho do Alasca, a latitudes norte de 60º.

Como a vegetação é mais escura que o terreno nu tem um albedo (capacidade de reflectir a energia) inferior logo absorve mais energia do Sol e contribui para o aquecimento da superfície. É um efeito semelhante, explica Fung, do que se observa quando o gelo marinho derrete e expõe a superfície escura da água, acelerando o efeito de degelo.

As temperaturas médias no Árctico já estão a subir mais ou menos duas vezes mais depressa que no resto do mundo. Os cálculos da equipa de investigadores mostram que, em resultado do crescimento de novas árvores e arbustos, a paisagem aqueceu pelo menos 1ºC.

Noutra reviravolta, registos de pólen árctico antigo sugerem que árvores de folha caduca colonizam a paisagem antes das árvores sempre verdes e a transpiração das primeiras é maior, o que significa que libertam mais humidade sob a forma de vapor de água, um gás de efeito de estufa que também irá acelerar o efeito de aquecimento, diz Fung.

O estudo será publicado em breve na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

Robert Anderson, geólogo na Universidade do Colorado em Boulder, diz que o estudo de Fung é parte de uma imagem maior que mostra que o Árctico está a mudar muito mais depressa e de formas bem mais extremas do que antes os cientistas pensavam ser possível. "A paisagem já passou pela maior parte do aquecimento previsto para o século XXI e ainda só passou a sua primeira década."

Na conferência, Anderson apresentou um vídeo muito dramático de linhas costeiras geladas do norte do Alasca que estão a ser erodidas rapidamente pelo mar de Beaufort. Em certos locais, a erosão leva 9 a 14 metros de costa por ano, uma taxa de erosão "três ou quatro ordens de magnitude superiores ao vulgar", diz Anderson.

Esta situação pode ser parcialmente devida ao facto de o gelo marinho que mantém unida a linha de costa na maior parte do ano estar a desintegrar-se cada vez mais cedo, acrescido de a água que banha a costa ser mais quente do que costumava ser.

Quando questionada sobre o impacto das suas descobertas nas negociações climáticas que decorrem em Copenhaga, Fung diz estar impaciente para ver progressos mas acaba por soar algo fatalista: "Seja lá o que for que acordem, não será suficientemente rápido para impedir as alterações climáticas a que já estamos a assistir." 

 

 

Saber mais:

NOAA

Vídeo

Cientistas reafirmam que Homem é a causa das alterações climáticas

 

 

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