2009-12-14

Subject: Países desenvolvidos com metas de redução de gases de efeito de estufa pouco ambiciosas

 

Países desenvolvidos com metas de redução de gases de efeito de estufa pouco ambiciosas

 

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(Imagem: AP)Os países desenvolvidos não mostram sinais de querer respeitar metas recomendadas pelo IPCC, excepto talvez a Europa, ao passo que entre os países em desenvolvimento, vários já anunciaram objectivos mais ambiciosos que o necessário, embora estes dependam dos financiamentos dos países desenvolvidos.

Emissões são emissões, mas há muitas formas de fazer as contas. Apesar dos textos que hoje estão a ser apresentados no que respeita aos segmentos da Convenção e Protocolo de Quioto, estão longe do desejável e estão ainda muito em aberto.

O quarto relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) sublinha a necessidade dos países desenvolvidos reduzirem as suas emissões de gases com efeito de estufa entre 25% a 40% até 2020, em relação aos níveis de 1990. 

Para os países em desenvolvimento é sublinhado, no mesmo relatório, a necessidade destas nações apresentarem um desvio entre 15% a 30% em relação à tendência de crescimento de emissões (ou business as usual, BAU) até 2020. Tal como o IPCC também realça estas metas de mitigação dão ao mundo uma probabilidade de 50% de ficar abaixo de um aumento de temperatura de 2º Celsius em relação à era pré-industrial.

Neste momento, na Cimeira do Clima, há uma disparidade lamentável entre o nível de ambição dos países em desenvolvimento e dos países desenvolvidos, onde os primeiros anunciam cortes dentro do necessário estando os segundos longe disso.

Segundo cálculos do Project Catalyst estima-se que as metas dos países em desenvolvimento ficam dentro deste intervalo de desvio de 15-30% em relação à tendência de crescimento (ou BAU). Dois países já anunciaram até metas mais ambiciosas, como o caso do Brasil, com um desvio de 39% em relação ao BAU, e o caso da Indonésia de 41%.

As Maldivas e a Costa Rica afirmaram a intenção de serem nações neutras em carbono em 2020, humilhando as mais ambiciosas metas de redução dos chamados países do Anexo I (países industrializados).

A África do Sul acabou de anunciar que tomará acções de redução de emissões abaixo da linha de base de 34% em 2020 e 42% em 2025. Mas estes comprometimentos, tal como de outros países em desenvolvimento dependem do apoio financeiro internacional. A Coreia do Sul já anunciou uma meta de redução de 30% em relação ao BAU e comprometeu-se com cem milhões de dólares em melhoramentos ambientais na indústria como pare do pacote de recuperação económica.

As Organizações Não Governamentais sabem que existem verdadeiros desafios em definir a linha de tendência de crescimento (ou BAU). As metas anunciadas pela China e Índia em “intensidade carbónica” também são difíceis de quantificar pois dependem de projecções precisas de crescimento económico.  

 

É também fundamental salientar que a ajuda financeira dos países industrializados é um pré-requisito fundamental para muitos dos anunciados esforços de mitigação por estes países que continuam a lutar contra a pobreza e ainda precisam de recursos para o desenvolvimento humano e melhoria das condições de vida das suas populações.

No que diz respeito aos países desenvolvidos, relembre-se que são desejáveis reduções até 40% em 2020, em relação a 1990. Mas até o intervalo de 25% a 40% apontado pelo IPCC parece estar comprometido.

Cálculos efectuados pela Ecofys e pelo Climate Analytics mostram que os países desenvolvidos em conjunto apresentam reduções entre 13% a 19%. Se juntarmos os créditos de emissão da floresta, tal como estão a ser negociados aqui, este valor desce para um intervalo de 8% a 12% de redução de emissões em relação a 1990. 

Adicionando outros créditos e o “ar-quente” (direitos de emissão que passam entre o primeiro período de cumprimento 2008-2012 do Protocolo de Quioto e o após 2012), ficaremos entre uma redução de 2% em relação a 1990 ou mesmo 4% acima de 1990. Assim, e neste ponto das negociações, o planeta arriscar-se-ia a enfrentar um aumento de temperatura de 3,5ºC até 2100.

A União Europeia ficaria bem na fotografia se anunciasse uma redução de 30%, na linha do que os líderes do Reino Unido e da França pediram mas que não foi até agora assumido. Os Estados Unidos da América, a Rússia e a Austrália estão fora do intervalo de reduções necessárias e o Canadá parece inclusivamente querer aumentar as suas emissões.

Quando se faz as contas parece que quem chumba são os países desenvolvidos.

 

 

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