2009-12-04

Subject: Navios ajudam a perceber o sumidouro oceânico de carbono

 

Navios ajudam a perceber o sumidouro oceânico de carbono

 

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Os navios cargueiros podem ajudar a seguir uma das variáveis climáticas que mais difícil de compreender se tem revelado, sugere um estudo piloto.

Usando dados recolhidos por navios comerciais os cientistas mapearam de forma rigorosa o dióxido de carbono absorvido pelo Atlântico norte e descobriram que varia enormemente de lugar para lugar e de ano para ano.

Apenas cerca de metade das emissões humanas de CO2 permanecem na atmosfera e mesmo essa quantidade reforça fortemente o efeito de estufa natural. O restante é absorvido, em quantidades mais ou menos iguais, pelas plantas e pelos oceanos.

Sem estes poderosos sumidouros naturais, as concentrações atmosféricas de CO2 estariam a subir a mais do dobro da taxa actual mas à medida que os oceanos ficam cada vez mais saturados de CO2, alguns começaram a ficar preocupados que possam deixar de ser tão eficientes como sumidouros.

Estas preocupações têm sido alimentadas por estudos que sugeriram que a fracção de emissões antropogénicas de CO2 que permanecem na atmosfera tinha subido de 40% para 45% entre 1959 e 2006. No entanto, um estudo mais recente não encontrou evidências dessa tendência na fracção aérea das emissões de CO2.

"Isto só vem ilustrar precisamente a vasta incerteza que rodeia esta importante questão", diz Andrew Watson, cientista que estuda o ciclo do carbono na Universidade de East Anglia em Norwich, e líder da pesquisa sobre a absorção do carbono, que foi publicada esta semana na revista Science.

Este estudo é a avaliação mais abrangente até à data da forma como o CO2 se desloca da atmosfera para o oceano. Os resultados devem permitir uma avaliação mais detalhada da forma como as alterações da absorção oceânica de CO2 podem afectar o clima planetário e a acidez dos oceanos.

Os investigadores equiparam quatro navios porta-contentores e um navio de cruzeiro que percorrem as rotas do Atlântico norte com sensores químicos, conhecidos por equilibradores, que medem a abundância de CO2 nas águas superficiais do oceano e no ar envolvente. Os dados podem ser usados para inferir a transferência total de CO2 do ar para o oceano no Atlântico norte.

A absorção de CO2 na região como um todo parece alterar-se consideravelmente de ano para ano, provavelmente em resposta a oscilações climáticas naturais. A absorção de CO2 também parece variar entre localizações e os fluxos anuais dependem fortemente das estações, o que torna difícil discernir qualquer tipo de tendência nos dados.

"Não observámos qualquer declínio substancial na força do sumidouro mas observámos flutuações muito pronunciadas", diz Watson. "Se a absorção de CO2 pelo oceano está sistematicamente a enfraquecer e, se assim for, qual os mecanismos por trás disso, é uma questão em aberto."

 

O estudo, financiado pela União Europeia, é parte do projecto em curso CarboOcean e tem estado em preparação há 10 anos. Um protótipo de sensor químico foi colocado num cargueiro em 2002 mas não funcionou como devia ser. Depois de mais testes, o estudo principal foi realizado em 2005, envolvendo cerca de 125 mil medições feitas por navios.

Os cientistas seguidamente foram comparar as suas observações com dados recolhidos mais esporadicamente nos anos adjacentes e descobriram que em 2005 a absorção oceânica de CO2 tinha sido mais elevada que noutros anos entre 2002 e 2007. Na ausência de observações mais sistemáticas, outros dados climáticos tinham sido usados para inferir o declínio continuado da capacidade de absorção de CO2 do Atlântico norte desde meados dos anos 90.

"Não há uma maneira única de determinar algo tão complexo como o equilíbrio regional de carbono", alerta Philippe Ciais, director-associado do Laboratório de Ciências Climáticas e do Ambiente em Gif-sur-Yvette, que coordena o Sistema Integrado de Observação de Carbono (ICOS), uma instalação pan-europeia de seguimento dos gases de efeito de estufa. "Mas a boa notícia é que podemos ultrapassar a incerteza com uma estratégia de amostragem inteligente e meios relativamente acessíveis."

O estudo revela um caminho para o funcionamento do ICOS, acrescenta ele. "Decididamente vai-nos guiar na concepção de um sistema eficiente de observação dos oceanos." 

 

 

Saber mais:

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