2009-12-01

Subject: Salmão 'sustentável' não é assim tão sustentável

 

Salmão 'sustentável' não é assim tão sustentável

 

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O pensamento popular sobre a melhor forma para melhorar os sistemas alimentares frequentemente falha completamente o objectivo, revelam os resultados de de um estudo global de três anos sobre os sistemas de produção de salmão.

Em vez de pressionar a implementação de uma produção orgânica sediada em terra ou de se preocupar com medições simples como "milhas dos alimentos", o estudo descobriu que o mundo pode alcançar maiores benefícios ambientais focando-se em aspectos chave da produção e distribuição.

Poe exemplo, o que é dado como alimento aos salmões, a forma como os salmões selvagens são capturados e a opção pela compra de peixe congelado em vez de fresco, todas têm mais importância que as opções clássicas entre orgânico vs convencional ou selvagem vs de cultura quando se consideram os impactos ambientais globais como as alterações climáticas, degradação da camada de ozono, perda de habitats críticos e acidificação dos oceanos.

O estudo é a primeira análise abrangente a nível global de um importante bem alimentar da perspectiva do ciclo de vida completo. Os investigadores analisaram tudo: a forma como o salmão é capturado na natureza, que alimento lhes é fornecido quando em cativeiro, como são transportados, como são consumidos e de que forma todas estas etapas contribuem tanto para a degradação ambiental como para os benefícios socioeconómicos.

Os investigadores por trás do estudo procuraram compreender a forma como o mundo pode desenvolver sistemas alimentares verdadeiramente sustentáveis através da compreensão das complexidades associadas com a produção de salmão selvagem e de cultura, bem como o seu processamento e distribuição.

Descobriram que a tomada de decisão em relação à comida tem que aprender a ter em conta o ciclo completo de vida e os custos socioeconómicos e ambientais da produção de alimentos. A forma como pesamos a importância desses impactos é, em última análise, subjectiva e faz parte da política e da cultura mas a utilização de uma abordagem abrangente dá mais nuances à tomada de decisão.

Até os alimentos têm um ciclo de vida e o mundo tem que compreender os seus custos totais para criar sistemas alimentares de que possamos depender para alimentar uma população que se estima cresça até aos 9 mil milhões em menos de 40 anos.

Os investigadores escolheram o salmão pois este exemplifica muitas características importantes dos nossos sistemas alimentares modernos e oportunidades únicas de comparação. 

O salmão está disponível em todo o mundo a qualquer momento e em qualquer localização, independentemente da estação ou do ecossistema local. Está disponível em numerosos produtos diferentes e é distribuído através de enorme variedade de transportes. Ao contrário de muitos outros sistemas alimentares, no entanto, está disponível tanto a partir de fontes selvagens como de sistemas de cultivo variados.

Não é fácil equilibrar as pessoas, os lucros e o planeta mas podia-se fazer muito melhor. A produção de alimentos, em todo, é a maior fonte individual de degradação ambiental a nível global. Os seus impactos variam muito mas, por exemplo, os primeiros resultados do estudo mostram que o cultivo de salmão em quintas terrestres pode aumentar as emissões de gases de efeito de estufa em 10 vezes relativamente à forma tradicional em água. Por outro lado, ainda que muitas culturas beneficiem da produção orgânica, a produção orgânica de salmão provoca impactos muito semelhantes à tradicional devido à utilização de refeições intensivas para os peixes. 

Para além da criação, também é importante considerar o impacto total da preparação dos alimentos. Conduzir até à loja e depois vir cozinhar sozinho em casa tem um grande impacto ambiental, logo ir comer fora mais vezes ou simplesmente comer com família e amigos em casa tem grandes benefícios.

 

Para os consumidores preocupados, é importante pensar como os alimentos foram produzidos e transportados, não apenas onde foram produzidos, quando se pensa nas opções a tomar.

As primeiras descobertas do estudo, que deverão ser complementadas no relatório final a publicar em 2010, incluem:

  • o peixe deve nadar e não voar. O transporte aéreo de salmão, ou qualquer tipo de alimento, resulta em impactos ambientais substanciais. Se mais alimentos congelados fossem consumidos usar-se-iam mais navios porta-contentor, que são a forma mais eficiente do ponto de vista de emissões de transportar alimentos. Actualmente a maior parte do salmão é consumido fresco e não congelado mas se países como o Japão, que recebe quase todo o peixe por via aérea, passasse a consumir 75% de salmão congelado seria mais benéfico para o ambiente que toda a Europa consumir salmão cultivado localmente;

  • a opção de comprar congelado é mais importante que as opções entre orgânico vs. convencional ou que selvagem vs. cultivado;

  • a avaliação do ciclo de vida fornece mais informação para a tomada de decisões, temos que optar pelas situações que trazem melhorias mais acentuadas e cedências são necessárias;

  • ao contrário do que geralmente se pensa, a grande maioria dos impactos ambientais e de utilização de energia na cultura tradicional de salmão resultam das rações para os alimentar, o que acontece numa quinta pode ser importante por razões ecológicas locais mas têm pouco impacto à escala global em situações como o aquecimento global;

  • reduzir a quantidade de produtos de origem animal nas rações a favor de rações à base de vegetais reduz fortemente os impactos ambientais;

  • o cultivo orgânico de salmão com recurso a alimento obtido por pescas intensivas resulta em impactos muito semelhantes à produção tradicional;

  • se não forem planeadas cuidadosamente, soluções tecnológicas para os desafios ambientais locais associados à cultura de salmão tradicional podem resultar em impactos muito acrescidos à escala global. De modo geral, a pesca do salmão resultam em impactos à escala global baixos mas há diferenças substanciais entre a forma como o salmão é capturado: em redes grandes quando formam cardumes tem um décimo do impacto de os capturar com anzóis e armadilhas.

Em todos os sistemas de produção de salmão, e em todos os sistemas de produção de alimentos, o mundo nada frequentemente contra a corrente. Em vez de trabalhar em conjunto com a natureza, o Homem trabalha contra ela, perseguindo o peixe em oceano aberto com grandes navios movidos a gasóleo ou substituindo os ecossistemas naturais por sistemas de bombagem e tratamento de água dispendiosos. Podemos fazer muito melhor do que isso se começarmos a nadar a favor da corrente. 

 

 

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