2009-11-29

Subject: Porcos sujos são porcos saudáveis

 

Porcos sujos são porcos saudáveis

 

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Viver como um porco pode afinal ser bom para nós.

Uma recente investigação veio mostrar de que forma os leitões sujos obtêm as bactérias amigas que os ajudam a desenvolver um sistema imunitário saudável mais tarde na vida.

Os resultados, publicados online na BMC Biology, fornecem a primeira associação directa entre um estilo de vida sujo, saúde imunitária e expressão genética. 

Os resultados também indicam que a manipulação das bactérias intestinais no início da vida pode reduzir alergias e outras doenças auto-imunes, diz Denise Kelly, imunologista do intestino na Universidade de Aberdeen, e uma das autoras do estudo.

Os investigadores começaram com 54 leitões e dividiram-nos igualmente entre um ambiente exterior, um ambiente interno e um ambiente isolado onde recebiam antibióticos diariamente. Os cientistas mataram os leitões com cinco dias (estádio neonatal), 28 dias (estádio de desmame) e 56 dias de idade (estádio de quase maturidade) para estudar o seu tecido intestinal e fezes.

O estudo descobriu que 90% das bactérias presentes no intestino dos leitões que viviam no exterior pertenciam ao filo Firmicutes, na sua maioria da família Lactobacillaceae, conhecida pelos seus efeitos promotores da saúde e pela sua capacidade para limitar a proliferação de agentes patogénicos intestinais como a Escherichia coli e a Salmonella

Pelo contrário, as bactérias do filo Firmicutes compunham menos de 70% e pouco mais de 50% da flora intestinal dos leitões criados no interior e em isolamento, respectivamente. Os leitões também tinham proporções menores de bactérias da família Lactobacillaceae.

A equipa também descobriu que as diferenças nas comunidades microbianas intestinais afectavam a expressão de genes associados ao sistema imunitário dos leitões. Os animais criados no ambiente isolado expressavam mais genes envolvidos nas respostas imunitárias inflamatórias e na síntese de colesterol, enquanto os genes associados às células T se expressavam mais nos leitões criados ao ar livre.

 

Kelly refere que até agora a associação entre o ambiente em que vive e a resposta imunitária tinha sido circunstancial. "Tem havido muito falatório em volta da flora bacteriana intestinal e da forma como influencia a função imunitária e a susceptibilidade a doenças e alergias." Este trabalho finalmente estabelece uma associação causal forte.

Glenn Gibson, microbiólogo alimentar na Universidade de Reading, concorda que os estudos anteriores tinham "demonstrado por implicação" que as respostas do sistema imunitário estão associadas à presença de certos organismos no intestino. "Este estudo vai vários passos mais à frente ao avaliar a resposta da expressão genética a isso."

No entanto, ele acrescenta que dado que o estudo foi feito com porcos, não há forma de ter a certeza se os resultados são relevantes para humanos.

Kelly defende que as semelhanças entre os organismos encontrados nos intestinos dos porcos e dos humanos e ao tamanho comparável dos seus corpos, faz com que os porcos sejam um bom modelo para o estudo. Em estudos futuros, ela espera identificar melhor os tipos de organismos intestinais que estão associados à saúde. 

 

 

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