2009-11-24

Subject: A assustadora matemática do aquecimento

 

A assustadora matemática do aquecimento

 

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Se as novas campanhas arrancarem como se espera, vamos ouvir falar muito de dois números nos próximos meses e se tiverem sucesso podemos dar por nós a viver e a pensar de forma muito diferente.

Que números são esses? 350 e 50. O primeiro é a meta de redução de dióxido de carbono na atmosfera da Terra e o segundo é a percentagem mínima de terra e oceano que tem que ser protegida do desenvolvimento humano para limitar as alterações climáticas e impedir a extinção de muitas espécies animais e vegetais.

Ambos os números deixam cair uma pedrada de realidade no lago do status quo sobre as tarefas gémeas de abrandar as alterações climáticas e proteger as espécies ameaçadas.

É tempo de nos deixarmos de pézinhos de lã, dizem os seus defensores. As medidas propostas pelos governos, negociadores internacionais e mesmo por alguns grupos ambientalistas não se aproximam do que realmente deve ser feito. Se a cimeira das Nações Unidas do próximo mês em Copenhaga alcançar o que o mais lunáticos dos optimistas esperam (que não vai acontecer) continuaríamos a não escapar ao pior das alterações climáticas.

Isso porque as metas actuais de redução de emissões de gases de efeito de estufa e de preservação da natureza são uma farsa, diz Harvey Locke, advogado canadiano e vice-presidente da Wild Foundation, sediada em Boulder, Colorado.

"Não estamos a salvar o mundo, somos uns falhados e é tempo de reconhecermos isso", disse Locke recentemente no encontro Wild9 de conservação da fundação que decorreu em Mérida, México. "Todos nós quisemos realmente acreditar que podíamos consertar as coisas fazendo pequenos ajustes mas não funciona. Agora temos que dizer a verdade e deixar bem clara a escala da intervenção que é precisa. É tempo de largar as nossas metas fajutas."

Um que tem mesmo que desaparecer é a meta largamente aceite de manter o nível de dióxido de carbono na atmosfera abaixo das 450 partes por milhão na esperança que impeça a temperatura média da Terra de subir 2ºC. O nível actual é de perto de 390 e continua a subir. Com essa concentração os oceanos estão a aquecer e a ficar cada vez mais ácidos, matando recifes de coral, tempestades e secas estão cada vez mais intensas e as calotes polares e glaciares estão a derreter.

Ainda que 350 seja mais alto que o nível de antes da revolução industrial, os cientistas esperam que seja suficiente para nos safar da subida de 2ºC.

 

Também a precisar de uma actualização radical é a assumpção, adoptada há um quarto de século atrás, que é suficiente por de lado 12% da superfície da Terra em parques e outras áreas protegidas mas é demasiado baixo, seja para ter impacto sobre as alterações climáticas ou para salvar muitas espécies.

A nova meta, de proteger pelo menos metade do total de superfície terrestre e oceânica, foi apoiada pela primeira vez na Wild9. "Se não o fizermos, esta coisa vai desenrolar-se", diz Locke.

As metas revistas são complementares: as áreas naturais absorvem carbono da atmosfera e o aquecimento maior pode destruir muitas delas.

Mas essas metas também são arbitrárias e não trazem garantias: a natureza é demasiado complexa e imprevisível para haver certezas. Claro é, com certeza, que as metas actuais são demasiado brandas.

Os novos números exigem alterações significativas: para proteger metade do planeta temos que ser muito mais cuidadosos com o que resta e que é onde uma população a caminhar para os 9 mil milhões terá que viver. Para alcançar 350 precisamos de abandonar o carvão e a maior parte da nossa utilização do petróleo e do gás, adoptando novas tecnologias.

Tê-los como meta também vai exigir uma nova atitude, diz Larry Merculieff, nativa das ilhas Aleutas no Alasca. Ele desafia aqueles, incluindo Al Gore, que dizem que podemos manter o nosso estilo de vida actual, que está a empurrar os sistemas de apoio de vida da Terra para o seu limite.

"Não devemos falar de minimizar ou evitar a dor. Temos que rever todos os paradigmas que aceitamos como certos. Faz as perguntas erradas e encaminham-te para o destino errado."

Isso parece destinado a ser o falhanço real da cimeira de Copenhaga: não que os 15 mil delegados não cheguem a acordo sobre metas mas que eles não façam as perguntas certas. 

 

 

Saber mais:

350 - o número mais importante do planeta

Mensagem assustadora do passado sobre alterações climáticas

O fim do caminho para Copenhaga?

 

 

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