2009-11-23

Subject: Modelo prevê desflorestação futura

 

Modelo prevê desflorestação futura

 

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@ NatureUm modelo de computador que prevê as alterações futuras nas florestas mundiais pode fortalecer o caso apresentado pelos países da África central que exigem compensações pela protecção dos seus recursos naturais.

A gestão da floresta é um ponto chave da discussão na cimeira sobre o clima das Nações Unidas em Copenhaga em Dezembro. Os países participantes vão negociar a forma de recompensar os países com floresta tropical por protegerem as suas florestas, um mecanismo conhecido por REDD, ou seja, 'redução das emissões a partir da desflorestação e degradação da floresta'.

As taxas de desflorestação na bacia do Congo, a segunda maior floresta tropical do mundo, tem andado a cerca de 0,15% por ano nos últimos 15 anos mas os resultados preliminares do modelo, revelado esta semana, prevêem que o corte da floresta na região aumente para 0,3 a 0,5% por ano até 2020–30.

Os principais países com floresta tropical que historicamente têm tido taxas elevadas de desflorestação, como a Indonésia (2,0%) e o Brasil (0,6%), estão a pressionar para a criação de compensações com base nas suas tendências históricas. Com cenário relativamente alto de 'business-as-usual', espera-se que colham recompensas acima da média por qualquer tipo de redução da desflorestação.

Mas usar as tendências históricas vai prejudicar os países da bacia do Congo, defendem alguns. Apesar de no passado esta região ter tido baixas taxas de desflorestação, melhorias recentes na rede viária e projectos mineiros e madeireiros devem aumentar consideravelmente as taxas de desflorestação nos próximos anos. "Há fortes indicações de que as florestas da África central estão num ponto de viragem crítico para o futuro", diz Carlos de Wasseige, coordenador do projecto financiado pela União Europeia Florestas da África Central, que espera criar um centro regional de seguimento das florestas.

"A maioria das propostas para o REDD sugerem que a história é o melhor indicador para o futuro", diz Michael Obersteiner, que lidera o desenvolvimento do modelo no Instituto Internacional de Análise Aplicada de Sistemas de Laxenburg, Áustria. "Mas para os países centro-africanos, as projecções serão mais confiáveis."

O modelo, que usa uma resolução de 10–50 km2, é uma combinação de três modelos de utilização da terra chamados GLOBIOM, G4M e EPIC. As suas predições baseiam-se nos motores globais da desflorestação, incluindo o crescimento populacional e do produto interno bruto, bem como da procura e produção globais de biocombustíveis, madeira e colheitas. O modelo funciona calculando a probabilidade de a floresta ser abatida em certas zonas com base na topografia, composição do solo e clima.

Obersteiner reconhece, no entanto, que o modelo apenas reflecte os dados que nele são introduzidos, e esses dados podem ser muitas vezes difíceis de obter, seja através por falta de recursos para os recolher, seja porque a informação é pertença de companhias privadas.

 

"A ideia de estatísticas confiáveis disponíveis para todos escapa ao nosso país", diz André Kondjo-Shoko, chefe do inventário florestal da Republica Democrática do Congo. "As estatísticas não representam a realidade."

Outro problema é que o modelo não tem em conta outro motor importante da desflorestação: o corte ilegal de madeira para carvão e lenha.

A organização conservacionista WWF espera agora preencher estas lacunas de dados através de um 'geo-wiki', também revelado esta semana, que fornece um repositório de informação sobre a floresta. Criado com base nos princípios da enciclopédia Wikipedia, "combina os princípios das redes sociais com a arte dos mapas espaciais", diz Leo Bottrill, que lidera o projecto geo-wiki nos escritórios de Washington DC do WWF.

Bottrill deu início ao geo-wiki depois da sua luta para coligir informação sobre a região da bacia do Congo. Durante dois anos ele recolheu informações de base sobre depósitos minerais, concessões florestais e infrastruturas planeadas, como estradas, caminhos de ferro e linhas de transmissão. Ele espera que os utilizadores do site sejam capazes de contribuir com dados e mapas, seja através da Internet ou por mensagens de texto, bem como comentar e editar o conteúdo.

O WWF irá lançar o piloto do seu geo-wiki para a Republica Democrática do Congo em Março de 2010 e espera que o sistema esteja plenamente funcional até meados de 2010. "Esperamos que as pessoas agarrem esta ideia e a desenvolvam", diz Bottrill.

 

 

Saber mais:

WWF

The International Institute for Applied Systems Analysis

International Institute for Applied Systems Analysis Geo-Wiki project

Outra verdade inconveniente - O dilema malthusiano do crescimento populacional

O fim do caminho para Copenhaga?

Acordo climático pouco provável este ano?

 

 

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