2009-11-22

Subject: Impactos da agricultura no aquecimento global

 

Impactos da agricultura no aquecimento global

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ Flickr

Claro que a agricultura nos fornece os alimentos de que precisamos todos os dias mas sabemos até que ponto as práticas agrícolas têm impacto no aquecimento global?

Sabe-se que, na realidade, os impactos da agricultura são enormes, tanto do lado sustentável como do lado industrial: o emprego de técnicas sustentáveis, como a agricultura biológica, tem um potencial enorme para ajudar na luta contra o aquecimento global enquanto a manutenção do status quo com as práticas agrícolas industriais vai continuar a causar danos terríveis ao nosso clima.

Impactos positivos

Sequestração de carbono no solo

A agricultura orgânica pode remover do ar e sequestrar 3200 kg de dióxido de carbono por 4 mil metros quadrados por ano. O estudo do Instituto Rodale que revelou este valor assombroso também descobriu que, quando devidamente feita, a agricultura orgânica não compromete a produção. 

Na realidade, em anos de seca até aumenta a produção, pois o carbono extra sequestrado no solo ajuda a retenção de água. Em anos húmidos, a matéria orgânica adicional no solo mantém a água longe das raízes das plantas, limitando a erosão e mantendo as plantas no lugar. Estes dois atributos também ajudam na tolerância aos extremos climáticos.

A agricultura como limite de emissões e armazenamento

Passando do solo para toda a indústria, o sector agrícola pode ser "largamente carbono-neutro" até 2030, negando de forma eficaz a gigantesca pegada de carbono da agricultura, ou seja, pode-se evitar emitir 2 mil milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono. Sendo assim, a prática da agricultura sustentável, em conjunto com a redução da desflorestação, é de longe mais eficaz e milhares de milhões de euros mais barata que investir em limites e armazenamentos de carbono nas centrais energéticas de todo o mundo.

Sistemas locais e emissões de gases de efeito de estufa

Combinados com os dois grandes passos amigos do ambiente que já foram mencionados, os sistemas de fornecimento de alimentos a nível local podem ajudar a reduzir o impacto da agricultura sobre o aquecimento global ainda mais. O exemplo usado para os cálculos, cerejas cultivadas suficientemente perto para serem transportadas por camiões em vez de aviões, não poderá ser aplicado a todos os produtos mas a lição é clara: empregar práticas agrícolas sustentáveis tem um potencial significativo para ajudar a mitigar as alterações climáticas e a reforçar os sistemas fornecedores de alimentação locais e sazonais.

 

Impactos negativos

A enorme pegada de carbono da agricultura industrial

Do outro lado desta equação, a agricultura industrial, a mais generalizada no mundo desenvolvido, tem um impacto imensamente negativo sobre o aquecimento global. Nos Estados Unidos, o sistema de fornecimento de alimentos contribui com 20% das emissões de carbono do país e, à escala global, os números do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) dizem que a utilização da terra para a agricultura contribui com 12% das emissões globais de gases de efeito de estufa e os subsídios a este tipo de prática perpetuam a situação.

Emissões de gases de efeito de estufa devidas à utilização de fertilizantes e pesticidas

Se considerarmos a energia necessária ao funcionamento de toda a indústria agrícola, as coisas ainda pioram mais: se incluirmos a manufactura e utilização de pesticidas e fertilizantes, combustível e óleo para os tractores, equipamento, transportes e envios, electricidade para iluminação, arrefecimento e aquecimento e emissões de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros gases de efeito de estufa, o impacto total salta para 25 a 30% da pegada total de carbono.

Alterações na utilização da terra e agricultura

Não é só o cultivo que torna a agricultura industrial tão danosa. Em quase todos os casos, altera-se a utilização da terra, através da desflorestação ou expansão urbana, o que resulta em mais aquecimento superficial. Uma única excepção é quando a desflorestação ocorre para criar mais terra agrícola (?!).

Parece estranho mas a diferença está no facto de estarmos a falar de aquecimento superficial e não de alteração das condições atmosféricas. Ainda que cortar uma floresta possa fazer parecer ficar mais frio, as florestas têm um potencial muito superior para sequestrar dióxido de carbono que as monoculturas da agricultura industrial. 

Resumindo, o efeito da conversão da utilização da terra sobre a subida das temperaturas é uma componente subestimada do aquecimento global e só porque parece estar mais fresco hoje do que ontem não significa que as alterações climáticas de grande envergadura não estejam logo ao virar da esquina. 

 

 

Saber mais:

Limitar crescimento populacional é crucial para reduzir emissões

Modelo climático estabelece metas ambiciosas

O fim do caminho para Copenhaga?

Mensagem assustadora do passado sobre alterações climáticas

 

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2009


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com