2009-11-16

Subject: Evolução de um único gene associada à linguagem

 

Evolução de um único gene associada à linguagem

 

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@ NatureDuas alterações minúsculas na sequência de um gene podem ter ajudado a instalar os mecanismos da linguagem em humanos.

Em 2001, foi descoberto em gene chamado FOXP2 que está por trás de uma perturbação hereditária na fala e linguagem. Este gene codifica um factor de transcrição chamado FOXP2, uma proteína reguladora que se liga ao DNA e ajuda a determinar até que ponto outros genes são expressos em proteínas.

Experiências vieram agora revelar que a versão humana da FOXP2, que tem dois aminoácidos diferentes quando comparada com a versão dos chimpanzés, tem efeitos diferentes sobre genes do cérebro das duas espécies. Essas diferenças podem afectar a forma como o cérebro se desenvolve e explicar assim o motivo porque só os humanos têm linguagem.

Para descobrir se estas alterações na FOXP2 têm uma função biológica, uma equipa liderada por Daniel Geschwind, da Universidade da Califórnia, Los Angeles, inseriu as duas versões em células cerebrais humanas e analisou a expressão dos genes que a proteína regula.

Descobriram que a versão humana aumentava a expressão de 61 genes e reduzia a expressão de 51 genes, quando comparada com a versão chimpanzé da mesma proteína. Para ter a certeza de que o mesmo acontecia em cérebros reais, analisaram a expressão dos mesmos genes em tecido cerebral humano e de chimpanzé, tendo encontrado níveis de expressão semelhantes. O estudo foi publicado na revista Nature.

Muitos dos genes que analisaram são conhecidos por ter papel no desenvolvimento e função do cérebro, acentuando o papel central da FOXP2 nas redes neurais da linguagem e da fala. Eles também afectam a formação e desenvolvimento dos tecidos moles, associando a FOXP2 ao lado físico da fala e da articulação.

"Não sou uma pessoa que acredita necessariamente que um gene nos vai dizer tudo mas este foi mesmo espantoso, coloca a FOXP2 numa posição mais ou menos central", diz Geschwind.

O estudo também acentua a ideia de que a linguagem não evoluiu do nada. Na realidade "depende do retorno de vias genéticas presentes em ancestrais não verbais, e não do surgimento de algo completamente novo", diz Simon Fisher, do Wellcome Trust Centre for Human Genetics de Oxford, membro da equipa que descobriu o gene e primeiro o associou à linguagem.

 

Se a FOXP2 é o principal motor da evolução da linguagem em humanos ou apenas mais um dente na engrenagem, permanece pouco claro, diz Fisher. "Vale a pena lembrar que um grande número de diferenças genéticas distinguem os cérebros das duas espécies, não é apenas a substituição na FOXP2."

Diferenças nas células ou mesmo nos animais usados para a análise também podem alterar a imagem. "Os resultados podem depender de amostras em particular de linhagens celulares humanas ou de chimpanzé", diz Wolfgang Enard, que estuda a história evolutiva do FOXP2 no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha.

Geschwind e a sua equipa tencionam ir mais longe em relação aos genes regulados pela FOXP2 e descobrir se são diferentes em humanos e chimpanzés. "É plausível que dado que a linguagem é tão importante que não só a FOXP2 mas também muitos dos seus alvos estejam a ser alvo de selecção."

A equipa gostaria de saber onde esses genes se expressam no cérebro e que tipo de células cerebrais os têm mais activos. Os seus resultados podem mesmo lançar novos candidatos para estudos genéticos destinados a identificar problemas de linguagem, diz Geshwind. 

 

 

Saber mais:

Dan Geschwind, UCLA

Simon Fisher, Wellcome Trust Centre for Human Genetics

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