2009-11-14

Subject: Avaliado impacto ambiental da estratégia de combate à cocaína

 

Avaliado impacto ambiental da estratégia de combate à cocaína

 

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coca @ NatureUm controverso programa de pulverização com herbicida para reduzir a produção de cocaína na Colômbia tem poucos impactos ambientais negativos, concluiu um conjunto de estudos que marcam o último capítulo de um azedo debate ambiental sobre os riscos e benefícios. 

No entanto, esses resultados já estão a ser contestados.

A pulverização com o herbicida glifosato sobre as plantas e coca é uma ferramenta crucial na guerra à cocaína. A estratégia, conhecida por plano Colômbia, é apoiado pelos Estados Unidos mas há muito que há questões sobre o impacto do plano na saúde de animais e humanos da região.

A última avaliação analisa os vários efeitos ambientais e ecológicos do glifosato e dos surfactantes que foram usados para aumentar a potência do herbicida. Os surfactantes aumentam a solubilidade do glifosato, ajudando-o a penetrar nas folhas da planta.

Keith Solomon, da Universidade de Guelph no Ontário, Canadá, liderou uma equipa de trabalho na Colômbia onde testaram os efeitos da mistura de glifosato usando as mesmas concentrações e formulações que foram pulverizadas por via aérea. Das oito espécies de rãs sul-americanas estudadas, quatro revelaram alguma sensibilidade à mistura de herbicida em concentrações inferiores às da taxa de aplicação usada no Plano Colômbia, enquanto outras quatro espécies não foram afectadas.

Os investigadores também descobriram que as larvas de rã colocadas em pequenos lagos artificiais revelaram poucos efeitos tóxicos devidos à exposição ao glifosato, talvez devido à adsorção do glifosato e do surfactante aos sedimentos e outras partículas nos lagos.

Um artigo sumário do trabalho salienta a conclusão chegada por Solomon e os seus colegas, que o glifosato é um mail menor quando comparado com o impacto maior da plantação de coca, incluindo a desflorestação e a utilização de pesticidas. Os resultados dos vários estudos são publicados numa série de artigos na revista Journal of Toxicology and Environmental Health.

Mas Rick Relyea, da Universidade de Pittsburgh, Pensilvânia, um crítico tanto do estudo de Solomon como do Plano Colômbia, diz que os estudos têm falhas. Por exemplo, os estudos no lago das rãs, salienta ele, não dão informação suficiente sobre as partículas de solo presentes para que se tenha a certeza de que elas não estão a adsorver mais mistura de herbicida do normalmente aconteceria na natureza.

Para além disso, numa espécie de rã, Rhinella granulosa, cerca de um terço dos adultos morreram depois de terem sido expostos a concentrações de glifosato equivalentes às aplicadas nos campos. Relyea salienta que a investigação também confirma os seus próprios sobre a quantidade de glifosato suficiente para matar metade das rãs numa população, a chamada CL50.

"Todos concordam sobre as concentrações que causam toxicidade", diz Reinier Mann, ecotoxicólogo na Universidade de Tecnologia em Sydney, Austrália. "O debate está acabado sobre se as rãs estão expostas a estas concentrações."

A mistura de glifosato e surfactante pode causar problemas quando é pulverizada sobre o habitat de rãs, como na sarjeta de uma estrada ou numa vala ao lado de um campo, onde algumas espécies de rãs vivem e se reproduzem em poças temporárias. "Se esses químicos estão a ser pulverizados nessas zonas, logo é muito possível que se obtenham concentrações que causam toxicidade", diz Mann.

 

A visão oposta é que as localizações naturais fornecem diluição substancial, continua ele, seja através dos ribeiros, lagos profundos ou da adsorção do solo que retira os componentes da solução. "Esse é o cerne da questão, é um argumento velho que provavelmente nunca será decidida, acho eu."

Isso são más notícias para o Equador, vizinho da Colômbia, que continua a protestar contra a pulverização aérea com glifosato na zona da sua fronteira. O Equador faz parte da por Organização dos Estados Americanos, que financiou a investigação de Solomon num esforço para resolver a questão.

A equipa de investigação de Solomon também estudou uma cohort de quase 2600 mulheres de cinco regiões diferentes na Colômbia num estudo retrospectivo de tempo para a gravidez que não estabeleceu uma relação entre problemas de fertilidade e a pulverização para a erradicação da coca. Os cientistas dizem que a exposição ao glifosato pode não ter origem no Plano Colômbia mas na sua utilização nas plantações de cana-de-açúcar.

A equipa também analisou a saúde de 274 trabalhadores agrícolas que foram expostos ao glifosato e não descobriram evidências sólidas de danos celulares ou cromossómicos. Esta descoberta contrasta com investigações anteriores que tinham relatado efeitos tóxicos elevados do glifosato sobre células humanas in vitro.

O Plano Colômbia, entretanto, continua como se nada fosse mas ainda enfrenta forte oposição. Em Outubro de 2008, o Gabinete de Responsabilização do Governo dos Estados Unidos (GAO) relatou ao então senador Joe Biden que o cultivo de coca esta a alastrar e que o programa de erradicação não estava a funcionar. 

O GAO recomendou que o Congresso americano começasse a retirar o financiamento aos militares colombianos, que supervisionam o Plano Colômbia, e procurasse soluções alternativas, como persuadir os agricultores a cultivar outras plantas.

Apesar disso, um porta-voz do Departamento de Estado americano diz que o país vai continuar a apoiar o governo colombiano enquanto este último continuar com a estratégia de pulverização para combater o problema da cocaína.

 

 

Saber mais:

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