2009-11-11

Subject: O fim do caminho para Copenhaga?

 

O fim do caminho para Copenhaga?

 

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@ NatureNa ronda final das conversações antes da cimeira climática de Copenhaga em Dezembro, os negociadores tentaram delinear um caminho a a seguir no caso (provável) de um tratado internacional legalmente vinculativo não poder ser assinado este ano.

Os delegados do encontro que decorreu entre 2 e 6 de Novembro em Barcelona fizeram progressos no deslindar do texto de um tratado que esperam que suceda ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012, mas as posições opostas na questão central de redução das emissões de gases de efeito de estufa parecem ter ficado ainda mais marcadas.

No último dia da conferência, o embaixador do Sudão Lumumba Di-Aping explicou novamente os perigos de fazer planos para um clima mais quente em vez de o tentar evitar.

Ao recusar tomar medidas agressivas para conter as emissões de gases de efeito de estufa, disse ele, os países industrializados estão a condenar os mais pobres e vulneráveis a desastres que nenhuma quantidade de dinheiro ou tecnologia podem impedir. Lumumba, que na posição de secretário do G77 representa a maioria dos países em vias de desenvolvimento nas conversações, tinha dito o mesmo durante todo o encontro em Barcelona. Desta vez a sua voz ressoou numa sala cheia de cadeiras vazias e o punhado de jornalistas presente não colocou questões.

Apesar das repetidas críticas de Lumumba e de outros, a União Europeia e os Estados Unidos tornaram claro que não há muita margem para negociação nos seus compromissos para reduzir as emissões até 2020, o que fica aquém dos 40 a 45% abaixo dos níveis de 1990 que os países em vias de desenvolvimento exigem.

De facto, a questão chave em Copenhaga será se os países mais pobres estão dispostos a aceitar reduções menos ambiciosas em troca de recursos adicionais que os ajudem a lidar com um mundo mais quente e lhes permitam instituir planos de desenvolvimento sustentável.

Lumumba diz que não. Se os países industrializados recusarem aumentar os seus compromissos, não haverá acordo em Copenhaga, diz ele, e "teremos simplesmente de aceitar que falhámos".

Tal ira e desconfiança são generalizadas entre os representantes dos países em vias de desenvolvimento, muitos dos quais se sentem pressionados nas negociações e desconfiam dos mercados de carbono como sendo apenas mais um esquema de enriquecimento para os ocidentais. 

@ Nature - clique para ver maiorA situação aqueceu no primeiro dia de conversações em Barcelona, quando uma das duas vias negociais foi suspensa por um dia após os países africanos se recusarem a dialogar sobre algo mais que as metas de emissões dos países em vias de desenvolvimento.

Mas o G77 é um grupo muito diverso, que se fractura em muitas questões, e Lumumba não fala por todos neste aspecto. O negociador-chefe da África do Sul Alfred Wills é duro sobre emissões mas reconhece que mais dinheiro e recursos pode ajudar a amansar a oposição dos países em vias de desenvolvimento. 

 

O negociador-chefe da Comissão Europeia Artur Runge-Metzger diz que a oferta condicional da UE para reduzir as emissões em 30% abaixo dos níveis de 1990 até 2020 está no intervalo de 25 a 40% citado pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) como sendo capaz de impedir um aquecimento de mais de 2°C. Pressionado pelos jornalistas sobre a posição do G77 de que um corte de 40% não é negociável, Runge-Metzger não mudou a sua posição: se o G77 não estivesse disposto a negociar não estaria aqui, disse ele.

O negociador americano Jonathan Pershing referiu que os compromissos que estão a ser apresentados pelos países desenvolvidos actualmente são o resultado de intensos debates nacionais, o que os torna mais robustos mas também torna pouco provável que mudem no próximo mês. Ele criticou muitos países em vias de desenvolvimento por tentarem evitar compromissos para reduzir o seu próprio potencial de crescimento de emissões.

Pershing também procurou evitar a especulação galopante de que os Estados Unidos não estariam prontos para assinar um tratado em Copenhaga, dado que várias legislações alternativas sobre o clima estão estão pendentes no Congresso. Essas legislações apresentam 17 a 20% de redução de emissões abaixo dos níveis de 2005 até 2020, o suficiente para que o mundo possa julgar a posição americana.

No entanto, o crescimento económico da década de 90 significa que esse tipo de redução será equivalente a poucos por cento abaixo dos níveis de 1990, o que não é suficiente, diz a Aliança dos Pequenos Estados-Ilha, que apela a reduções por parte dos países industrializados de 45% até 2020 quando comparadas com níveis de 1990. A aliança salienta que desde que o último relatório do IPCC saiu em 2007, novas pesquisas sugerem que os impactos serão superiores aos antes estimados sobre os seus países, incluindo cheias, erosão e aumento de frequência de eventos extremos.

Alden Meyer, director de estratégia e política da União dos Cientistas Preocupados de Washington DC, diz que os compromissos dos países desenvolvidos são realmente menos ambiciosos do que deviam mas ainda assim representam uma base sólida de trabalho para o futuro. Como muitos outros, ele pensa que é possível que os países convirjam em algum tipo de acordo em Copenhaga, mesmo se os negociadores precisarem de continuar a trabalhar em detalhes para o ano. "Provavelmente não vamos obter o que queremos em Copenhaga mas podemos obter o precisamos? Acho que sim." 

 

 

Saber mais:

UNFCCC

G77

AOSIS

Acordo climático pouco provável este ano?

Última ronda de conversações climáticas antes de Copenhaga

União Europeia deve chegar a acordo sobre negociações climáticas

Juntos fizemos história!

Conversações climáticas tropeçam em Bangkok

 

 

 

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