2009-11-10

Subject: Plantação de árvores altera fluxo de água

 

Plantação de árvores altera fluxo de água

 

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Plantar árvores, que pode reduzir significativamente o dióxido de carbono atmosférico, ainda assim tem potenciais efeitos secundários danosos.

De acordo com dois novos estudos, a plantação de florestas em zonas que actualmente não têm árvores, um processo chamado aflorestação, pode reduzir a disponibilidade local de água.

Uma medida chave do fluxo de água é o 'fluxo base', a proporção de um ribeiro ou rio não atribuível directamente à precipitação ou degelo. O fluxo base é frequentemente visto como o fornecimento mínimo de água de que as pessoas podem depender com segurança. Mas em bacias hidrográficas que contenham rios pequenos, a aflorestação pode reduzir o fluxo basal até 50%, diz Esteban Jobbágy, ecologista do Conselho Científico Nacional da Argentina (CONICET) e da Universidade Nacional de San Luis.

Menos fluxo base significa menos água para as populações locais. "É uma preocupação, especialmente nas regiões mais secas, onde as diferenças do fluxo base podem ser mais notáveis", diz Dan Binkley, ecologista florestal na Universidade Estatal do Colorado em Fort Collins, que não esteve envolvido na investigação.

A equipa de Jobbágy levou a cabo um estudo de dois anos em sete bacias emparelhadas, sete com pastagens nativas e sete onde tinham sido plantadas florestas, na província de Córdoba, Argentina. Com as suas raízes profundas e canópia alta, as árvores absorvem e transpiram mais água do que as ervas, resultando em ribeiros mais secos. Segundo, Jobbágy, reduções do fluxo base são menos pronunciadas nas encostas ou nas bacias rochosas, pois a água consegue escapar às raízes das árvores e viajar através das rochas.

Jobbágy apresentou os resultados da sua equipa no último mês no Congresso Mundial de Silvicultura em Buenos Aires. Um segundo estudo apresentado na conferência e realizado no Uruguai, chegou a conclusões semelhantes. 

Uma equipa liderada por Wayne Skaggs, da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Chapel Hill, em colaboração com o Serviço Florestal dos Estados Unidos, aflorestou um lote de um par de zonas. Os investigadores observaram 18 a 22% de descida no fluxo base da zona aflorestada, comparada com o que continuava nas pastagens. "À medida que as árvores crescem, o efeito será cada vez maior", diz Skaggs.

 

As diferenças entre os números de Jobbágy e Skaggs são essencialmente diferenças no número de árvores por hectare nos dois estudos, que é maior nas bacias de Jobbágy, e a idade das árvores. Em Córdoba, as zonas estudadas foram aflorestadas na década de 70, enquanto Skaggs e a sua equipa plantaram as árvores em 2003.

Para além de reduzir o fluxo base, a aflorestação pode afectar a forma como a água se infiltra no ecossistema. "Os locais aflorestados não são tão pantanosos como as pastagens", diz Skaggs. As raízes das árvores ajudam a filtrar a água para o interior do solo, abrandando a taxa a que o nível de água sobe após as chuvas. "Isso é uma coisa boa, reduz o fluxo de cheia." De acordo com as observações da sua equipa, as zonas aflorestadas também impediram a erosão e a lixiviação de sedimentos, relativamente às zonas de pastagem.

Jobbágy diz que, pelo menos nas área que estudou, o equilíbrio ideal entre a aflorestação e as necessidades de água é um quarto da bacia hidrológica ser plantada com 400 a 500 árvores por hectare. "É possível impedir efeitos drásticos" na disponibilidade de água, diz ele.

Escolher cuidadosamente as espécies de árvores também pode ajudar, sugerem Binkley e Jobbágy, pois as diferentes espécies usam água a diferente taxa. Enquanto os pinheiros sempre verdes e de crescimento rápido consomem grande quantidade de água, as árvores de folha caduca usam menos, especialmente no Inverno. Para além disso, plantar apenas algumas porções da zona "pode alcançar um equilíbrio entre o fornecimento de produtos de madeira para as pessoas sem o impacto sobre o equilíbrio hídrico da bacia", diz Binkley.

 

 

Saber mais:

World Forestry Congress

 

 

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