2009-11-01

Subject: Raramente anfíbios dão sinal antecipado de poluição

 

Raramente anfíbios dão sinal antecipado de poluição

 

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A saúde dos anfíbios é geralmente usada para dar uma estimativa grosseira do nível de poluição de uma dada área mas uma análise de mais de 20 estudos de toxicidade vem agora sugerir que estes animais são relativamente resistentes e não estão adequados à tarefa.

A descoberta pode ter um efeito significativo na forma como se avalia o ambiente. A sabedoria convencional sugere que se uma população de anfíbios é florescente, a área provavelmente está livre de poluentes mas o estudo mostra que outras espécies, como os braquiópodes, podem estar melhor adequados à detecção de contaminantes.

Acreditava-se que os anfíbios eram sensíveis aos poluentes devido à sua pele altamente permeável e vida variável, o que maximizava a sua exposição: tanto vivem na terra, como na água e, ao longo do seu ciclo de vida, tanto se alimentam de plantas, como de animais. No entanto, estudos que analisaram a forma como os anfíbios se comparam a outros animais na sua susceptibilidade a alterações ambientais não foi capaz de provar que eles são mais vulneráveis que outras espécies.

Para investigar até que ponto os anfíbios são resistentes, Jake Kerby, da Universidade do Dakota do Sul em Vermillion, analisou mais de 28 mil estudos da base de dados Aquatic Information Retrieval (AQUIRE) da Agência de Protecção Ambiental, parte do seu seu sistema ECOTOX, onde se detalhava os efeitos de vários agentes químicos poluentes sobre espécies aquáticas, incluindo insectos, bivalves, peixes e anfíbios. A equipa descobriu 23942 estudos de 73 químicos que tinham sido testados em anfíbios e muitos outros organismos, no total de 1075 espécies.

Separaram os químicos em quatro categorias: metais pesados, compostos inorgânicos, fenóis e pesticidas, tendo descoberto que os anfíbios eram muito menos sensíveis à exposição a metais pesados, inorgânicos e pesticidas que muitas outras espécies.

O grupo mais sensível revelaram ser os braquiópodes, que entravam em declínio dramaticamente na presença de metais pesados e químicos orgânicos. Sem surpresa, os insectos eram mais sensíveis aos insecticidas, enquanto os anfíbios eram mais sensíveis apenas a compostos fenólicos. Os resultados foram publicados na revista Ecology Letters.

"Com base nestas descobertas a presença de anfíbios num local não é um indicador fiável de o local estar livre de impactos", diz Kerby. Ele explica que a perda de biodiversidade de invertebrados que surge antes de os anfíbios desaparecerem pode estar a passar despercebida. "É fácil as pessoas notarem o desaparecimento de algo tão carismático como uma rã, mas muito mais difícil notar o desaparecimento de um mexilhão de água doce."

 

"Os dados são impressionantes", diz Sharon Lawler, ecologista aquática na Universidade da Califórnia, Davis. "É intrigante considerar que a ideia de que os anfíbios são mais os mineiros na mina de carvão que os canários, eles são sensíveis aos contaminantes mas não são os primeiros a revelar os sintomas."

Este trabalho "inverte a ideia geral de que os anfíbios são, em média, mais sensíveis a contaminantes ambientais que os outros organismos", diz Michael Benard, da Universidade Case Western Reserve em Cleveland, Ohio. "Esperamos que este trabalho leve a uma melhor regulamentação dos contaminantes, tendo em conta as diversas sensibilidades dos diferentes organismos."

Apesar dos anfíbios não terem revelado alta sensibilidade a todos os poluentes, estão longe de ser inúteis como indicadores de poluição, salienta o toxicólogo ambiental Rick Relyea, da Universidade de Pittsburgh, Pennsylvania. Os anfíbios certamente parecem ser maus indicadores do efeito dos contaminantes nos invertebrados mas podem ser muito mais eficazes na previsão do declínio de espécies vertebradas, incluindo o Homem.

"Um estudo como este pode ajudar-nos a determinar que espécies devemos analisar mais de perto", diz Steven Bradbury, director-adjunto para os programas de pesticidas da Agência de Protecção Ambiental em Washington, DC. Ele acrescenta que onde for possível a agência já segue mais do que os anfíbios para avaliar a contaminação de uma dada área.

A descoberta não deve diminuir a necessidade de conservação dos anfíbios, acrescenta Claude Gascon, vice-presidente executivo e co-secretário do grupo de especialistas em anfíbios da Conservation International de Arlington, Virginia. "Os dados da Lista Vermelha mostram que os anfíbios têm as taxas de incidência de ameaças e isso não pode ser ignorado. Com a sua conhecida sensibilidade aos raios ultravioletas, à destruição de habitat, doenças e alterações climáticas, os anfíbios estão a morrer em muitas frentes e ainda nos fornecem uma visão abrangente do ambiente global que é importante." 

 

 

Saber mais:

Jake Kerby

Conservation International

EPA AQUIRE

 

 

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