2009-10-30

Subject: Aerossóis tornam o metano mais potente

 

Aerossóis tornam o metano mais potente

 

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A complicada influência dos aerossóis no nosso clima acaba de ficar ainda mais ameaçadora: eles podem estar a tornar o metano um gás de efeito de estufa ainda mais potente do que antes se pensava, dizem os modeladores do clima.

Drew Shindell, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque, correu uma série de modelos de computador para mostrar que o potencial de aquecimento global do metano é muito maior quando combinado com os aerossóis, partículas atmosféricas de poeira, sal marinho, sulfatos e carbono negro.

O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) e tratados internacionais como o Protocolo de Quioto assumem que o metano é, tonelada a tonelada, 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono a aquecer o planeta. 

Mas a interacção com os aerossóis aumenta o potencial relativo de aquecimento global (PAG) do metano para cerca de 33, apesar de haver muita incerteza em redor do valor exacto. No Protocolo de Quioto, o PAG é usado para governar o mercado de emissões. "Este estudo diz que as PAGs deviam ser revistas porque estão a deixar de fora algo importante", diz Shindell.

Shindell também pensa que o decisores sobre o clima precisam de ter muito mais atenção às restrições sobre os poluentes de curta duração, como o metano, o monóxido de carbono, componentes orgânicos voláteis (COV) e os aerossóis. 

Isto pode levar a alterações significativas no clima local e global muito rapidamente, diz ele, enquanto os efeitos dos esforços para reduzir as emissões do dióxido de carbono de longa duração não serão notórios durante muitos anos. "Os compostos de curta duração são muito poderosos." O seu trabalho foi publicado na revista Science.

A crescente influência atribuída ao metano é interessante, diz Frank Dentener, do Instituto para o Ambiente e a Sustentabilidade da Comissão Europeia em Ispra, Itália. Ele salienta que reduzir as emissões de metano frequentemente não tem qualquer custo e pode mesmo produzir lucro, recolhendo o gás para venda ou evitando emissões ao tornar um processo mais eficiente e barato.

O metano, os aerossóis e outros poluentes de vida curta têm relações químicas complexas, das quais apenas parte pode ser captada pelos modelos de Shindell. Por exemplo, o metano leva ao aumento da formação de ozono na troposfera, que pode reduzir a produção agrícola. Também pode oxidar o dióxido de carbono ou, através de outras reacções, originar vapor de água (que também é um gás de efeito de estufa) na estratosfera. Um outro exemplo ainda, a reacção do metano com o grupo hidroxil reduz a quantidade desse químico disponível para criar aerossóis de sulfato arrefecedores.

 

Os modelos ainda não conseguem incluir todos os processos mas só o tentarem acoplar a química do ozono com a dos aerossóis desta forma já é um avanço, diz Dentener. "Em vez de olharmos para componentes individuais, eles olham com maior detalhe para o que as emissões destes componentes irão fazer a uma sequência de coisas."

Shindell diz que os modelos climáticos a longo prazo do futuro devem começar por incluir mais destes processos secundários locais. "Sabemos que estas coisas acontecem na atmosfera", diz Shindell. "A estratégia actual de assumir que os seus efeitos são zero é uma má opção."

Os aerossóis e os gases de curta duração não são totalmente ignorados. "O timing deste artigo é excelente", diz Greg Carmichael, investigador do clima na Universidade do Iowa em Iowa City. "Há cada vez mais consciência entre os decisores e comunidade científica que o período que se aproxima representa uma oportunidade crucial para associar o ar e as preocupações climáticas." 

Dentener alerta para que os cálculos necessários para obter os novos valores de PAG são "bastante complexos". Ele gostaria que outros investigadores pegassem na mesma questão e se alcançasse um consenso científico mas reconhece que os decisores já estão a perceber que é preciso um equilíbrio entre as estratégias de longo e curto prazo.

Os efeitos negativos e positivos dos poluentes do ar devem ser levados muito a sério, considera Almut Arneth, da Universidade Lund, que também escreve na revista Science desta semana. Ela refere que a maior parte das avaliações sugerem que o efeito arrefecedor dos sulfatos actualmente suplanta o efeito aquecedor do carbono negro. Assim, legislar para a remoção de poluentes do ar, nomeadamente sulfatos, levaria a um aquecimento rápido do clima. "Se queremos começar a desenvolver políticas climáticas realmente bem sucedidas, também temos que olhar para a poluição do ar."

Shindell apela ao IPCC para olhar "não apenas para o clima mas para todo o ecossistema e impactos na saúde ao lidar com estes poluentes". Isto pode ajudar tanto a curto como a longo prazo, diz ele. "Não espero que a próxima ronda do IPCC seja melhor, continuo a não ver muito ênfase nas soluções a curto prazo para o clima." 

 

 

Saber mais:

Drew Shindell

IPCC

 

 

 

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