2009-10-27

Subject: Doença fúngica dos anfíbios compreendida

 

Doença fúngica dos anfíbios compreendida

 

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A infecção fúngica que está a matar anfíbios por todo o mundo actua perturbando o fluxo de electrólitos através da pele dos animais, causando, em última análise, falha cardíaca.

A descoberta está a ajudar a aumentar a esperança de que um tratamento possa um dia ser administrado aos anfíbios selvagens.

O Batrachochytrium dendrobatidis, uma espécie de fungo quitrídio causador da doença de pele quitridiomicose dos anfíbios, provavelmente propagou-se por todo o mundo através da rã sul-africana Xenopus laevis nas décadas de 30 e 40 do século passado, quando a rã era vulgarmente usada como teste de gravidez. A urina de uma mulher grávida injectada debaixo da pele da rã, continha hormonas suficientes para fazer o animal ovular.

Mas ainda que a rã africana pareça ter imunidade para a doença, muitos outros anfíbios não têm a mesma sorte. De acordo com um estudo liderado por pela perita em quitrídios Karen Lips, da Universidade do Maryland em College Park, a quitridiomicose pode matar 80% dos anfíbios em apenas um ano, numa área com condições frias e húmidas. 

Até agora, ninguém tinha exactamente a certeza da forma como os fungos matavam as suas vítimas, alguns investigadores pensavam mesmo que estaria a segregar algum tipo de veneno.

Jamie Voyles, ecologista de doenças da Universidade James Cook em Townsville, Queensland, Austrália, expuseram rãs verdes arborícolas australianas Litoria caerulea ao fungo e conseguiu decifrar o seu modo de ataque.

Voyles seguiu a progressão da infecção, recolheu amostras de sangue e urina e mediu o fluxo de electrólitos através de amostras de pele. Descobriu que os níveis de dois iões, potássio e sódio, eram grandemente reduzidos nas rãs infectadas e que a capacidade de deslocar esses iões através da pele tinha sido gravemente comprometida.

"A pele das rãs é realmente única pois é permeável à água mas tem que manter concentrações adequadas destes iões electrolíticos", diz Voyles. Em rãs infectadas, "o equilíbrio electrolítico está completamente destruído".

Os baixos níveis de potássio, em particular, são provavelmente responsáveis por uma quebra na regulação eléctrica do coração e as rãs eventualmente morrem de paragem cardíaca. Os resultados do estudo foram publicados na última edição da revista Science.

A equipa descobriu que uma solução rica em electrólitos, semelhante às bebidas energéticas mas mais concentrada, atrasou a morte dos animais infectados mas não os curava. "Como a pele está danificada, não conseguimos evitar que morram a não ser que resolvamos esse problema", explica Voyles.

Apesar das rãs em cativeiro puderem ser banhadas em medicamentos antifúngicos para as livrar da infecção, não há forma fácil de tratar as centenas de espécies de anfíbios selvagens em risco de serem dizimadas pelo fungo.

 

O trabalho de Voyles é só mais uma peça de investigação que pode, um dia, levar a um tratamento que possa ser aplicado na natureza. A geneticista Erica Rosenblum, da Universidade do Idaho em Moscovo, está a estudar a expressão génica do fungo e do seu hospedeiro para determinar o que torna o fungo tão letal e porque o sistema imunitário dos anfíbios parece não se aperceber da infecção. "Jamie descobriu que a regulação osmótica está toda desarranjada, estão basicamente a ter ataques cardíacos", diz ela. "A minha questão é anterior: porque motivo não há uma reacção imunitária?"

Um possível tratamento está a ser investigado por Reid Harris, ecologista microbiano na Universidade James Madison em Harrisonburg, Virgínia. Ele descobriu que pelo menos algumas espécies de anfíbios têm bactérias benéficas na pele que produzem um agente antifúngico protector. 

Ele está a analisar a possibilidade de adicionar mais destas bactérias ao solo dos ecossistemas onde vivem os anfíbios vulneráveis, para estimular as suas defesas naturais. "As pessoas já o fazem nos seus jardins e em aplicações agrícolas de larga escala."

Harris gostava de experimentar a técnica primeiro em rãs em cativeiro, nas chamadas colónias de garantia de sobrevivência de jardins zoológicos e outras instituições, onde muitos animais aguardam o dia em que poderão ser devolvidos à natureza em segurança.

Apesar destes avanços, Lips diz que já viu demasiadas populações de rãs destruídas pelo fungo e por isso controla o seu optimismo sobre a possibilidade de salvar o que resta. "Não sei se existe dinheiro suficiente a ser encaminhado para os laboratórios certos com rapidez suficiente para fazer a diferença. É preciso que mais governos e ONGs actuem, porque estamos a perder metade dos anfíbios do planeta. Colocá-los em jardins zoológicos é uma solução a curto prazo, não resolve qualquer problema." 

 

 

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