2009-10-11

Subject: Mensagem assustadora do passado sobre alterações climáticas

 

Mensagem assustadora do passado sobre alterações climáticas

 

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The Joides Resolution @ BBCUm novo registo histórico dos níveis de dióxido de carbono sugerem que as metas políticas sobre o clima podem estar a "brincar com o fogo", dizem os cientistas.

Os investigadores usaram sedimentos oceânicos para deduzir os níveis de CO2 até há 20 milhões de anos.

Níveis semelhantes aqueles que são vulgarmente considerados adequados para limitar as alterações climáticas foram associados a níveis do mar 25 a 40 metros superiores aos actuais. Os cientistas escrevem na revista Science que esta descoberta aumenta a compreensão acerca da associação entre o CO2 e o clima passado.

Os últimos 800 mil anos têm sido relativamente bem mapeados a partir de núcleos de gelo perfurados na Antárctica, onde as temperaturas e conteúdo atmosférico históricos deixaram uma série de pistas químicas nas camadas de gelo.

Mas um olhar ainda mais para trás tem sido mais problemático e o novo registo apresenta estimativas muito mais precisas dos registos históricos do que tem estado disponível até agora relativamente ao intervalo de 20 milhões de anos.

A nova pesquisa foi capaz de olhar para trás até ao período Miocénico, que começou há pouco mais de 20 milhões de anos. No início do período, as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera andavam por volta das 400 partes por milhão (ppm), antes de começaram a diminuir há cerca de 14 milhões de anos, uma tendência que eventualmente conduziu à formação da calote de gelo antárctica e ao gelo marinho perene que cobre o Árctico.

As concentrações elevadas foram provavelmente mantidas por actividade vulcânica prolongada no que é actualmente a bacia do rio Columbia na América do Norte, onde as formações rochosas conhecidas por rios de basalto relatam uma história de fluxo de lava rotineiros.

Nos milénios seguintes, as concentrações de dióxido de carbono têm sido muito mais baixas: nos últimos milhões de anos têm oscilado entre 180 e 280 ppm de acordo com a sequência de idades do gelo e períodos interglaciais mais quentes.

Mas agora as emissões de gases de efeito de estufa da Humanidade estão a empurrar essa concentração para níveis de 400 ppm, que podem muito bem ser alcançados na próxima década.

"O que nós mostrámos é que no última período em que os níveis de dióxido de carbono foram mantidos a níveis próximos dos actuais, não havia calote de gelo na Antárctica e o nível do mar era 25 a 40 metros mais elevado", refere a investigadora principal Aradhna Tripati, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). "Com níveis de dióxido de carbono mantido aos, ou próximo dos, níveis actuais, não precisamos de grande variação no teor de dióxido de carbono para obter importantes variações nas calotes de gelo."

Os níveis elevados de dióxido de carbono e o nível do mar foram associados a uma temperatura média global cerca de 3 a 6ºC superiores à actual.

Os dados surgem da análise da razão de boro e cálcio nas conchas de minúsculos organismos marinhos chamados foraminíferos. A razão indica o pH da água do mar em que os animais viveram, que, por sua vez, permite aos cientistas calcular o dióxido de carbono presente na atmosfera. Os fragmentos de conchas provêm de núcleos de sedimentos do fundo do Pacífico.

 

De acordo com Jonathan Overpeck, que co-presidiu ao trabalho do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) sobre o clima antigo para o último relatório publicado em 2007, este estudo fornece um olhar mais rigoroso à forma como os valores de dióxido de carbono se relacionam com o clima do que os métodos anteriores.

"Este é ainda outro artigo que faz o futuro parecer ainda mais assustador do que anteriormente era considerado por muitos", diz o cientista da Universidade do Arizona. "Se alguém ainda duvida da associação entre o dióxido de carbono e o clima, é melhor lerem este artigo."

A nova pesquisa não implica que alcançar os níveis de dióxido de carbono tão altos resulte de certeza em enormes alterações do nível do mar ou que elas aconteçam rapidamente, salienta Tripati, apenas que manter esses níveis ao longo de grandes períodos de tempo pode produzir essas alterações.

"Não há nenhuma analogia perfeita no passado para as alterações climáticas actuais ou futuras", diz ela. "Podemos dizer que identificámos pontos de viragem no passado para a estabilidade da calote gelada, a física básica que governa as camadas de gelo vão muito mais atrás e penso que devemos usar o nosso conhecimento da física das alterações climáticas no passado para preparar o futuro."

Na Cimeira da Terra de 1992, os governos comprometeram-se a estabilizar as concentrações de gases de efeito de estufa "a um nível que impeça interferência antropogénica perigosa com o sistema climático". Que nível é esse tem sido objecto de intenso debate nos últimos anos mas um número que tem recebido apoio é 450 ppm.

Na terça-feira passada, por exemplo, a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou a sua receita para reduzir as alterações climáticas, que considera que as emissões de gases de efeito de estufa irão atingir um pico ao equivalente de dióxido de carbono de 510 ppm antes de estabilizarem a 450 ppm.

A proposta de lei Boxer-Kerry, que acabou de dar entrada no Senado americano, também cita o valor de 450 ppm. 

"O problema é que não sabemos qual é o limiar crítico de dióxido de carbono ou de temperatura para além do qual o colapso da camada de gelo é inevitável", diz Overpeck. "Pode ser abaixo das 450 ppm mas há mais provável que seja acima, ainda que não necessariamente muito acima. Mas o que este novo estudo sugere é que os esforços para estabilizar a 450 ppm devem evitar subir acima desse valor antes da estabilização, ou seja, qualquer tipo de 'derrapagem' acima das 450 ppm pode ser brincar com o fogo."

 

 

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