2009-10-02

Subject: Revelado esqueleto mais antigo de hominídeo

 

Revelado esqueleto mais antigo de hominídeo

 

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COPYRIGHT T. WHITE, 2008Num rearranjo de grande alcance da evolução humana, investigadores relataram a descoberta do esqueleto de hominídeo mais antigo que se conhece, uma fêmea relativamente completa da Etiópia com cerca de 4,4 milhões de anos.

A descoberta mostra que os humanos não evoluíram a partir de chimpanzés ancestrais que caminhavam sobre os nós dos dedos, com há muito se pensava.

A descoberta, publicada na revista Science, mostra como as primeiras etapas dos humanos evoluíram numa linhagem separada do último ancestral comum partilhado pelos primeiros hominídeos e os grandes símios extintos.

O novo fóssil de Ardipithecus ramidus, familiarmente tratado por 'Ardi', oferece a primeira visão substancial da biologia de uma espécie perto do momento do último ancestral comum, que se estima ser pelo menos há 6 milhões de anos. Como os humanos modernos, o Ardi andava erecto e não usava os braços para caminhar, como os chimpanzés. Ainda assim, mantém um dedo grande do pé primitivo, capaz de agarrar ramos como o dos macacos.

"Este espécime espectacular mostra porque motivo os fósseis são realmente importantes", diz Andrew Hill, chefe de antropologia na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut.

Anteriormente, o esqueleto quase completo de um ancestral humano mais antigo tinha 3,2 milhões de anos e era o Australopithecus afarensis conhecido por Lucy, também da Etiópia. Como Lucy tinha muitas características em comum com os humanos modernos, não fornecia uma imagem muito clara da linhagem inicial entre grandes símios e humanos, explica Alan Walker, antropólogo biológico na Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park, mas o A. ramidus sim.

"Este espécime é muito mais importante e estranho", diz Walker, acrescentando que irá desencadear "um repensar considerável não apenas do nosso passado evolutivo mas também do dos nossos parentes vivos, os grandes símios."

Numa orgia de publicações, 11 artigos da revista Science incluem descrições do fóssil, bem como a geologia e paleoambiente do local da descoberta, no deserto de Afar, 230 Km nordeste de Addis Ababa. Os artigos são o culminar de 17 anos de estudo por parte de 70 investigadores que colaboraram no Projecto Middle Awash. Quarenta e sete deles são os autores dos artigos.

"O melhor acerca destes fósseis é que iluminam um buraco negro na evolução há 4,5 milhões de anos", diz Tim White, paleoantropólogo na Universidade da Califórnia, Berkeley, co-director do projecto.

O Ardipithecus mais antigo que se conhece, o A. ramidus kadabba, viveu há cerca de 5,8 milhões de anos na Etiópia. Os hominídeos mais antigos conhecidos são Orrorin tugenensis, de há 6 milhões de anos no Quénia, e o Sahelanthropus tchadensis, de há pelo menos 6 milhões de anos no Chade.

Em 1992, o membro da equipa Middle Gen Suwa descobriu o primeiro espécime de um A. ramidus perto da aldeia etíope de Aramis. Apesar de ao início não se acreditar que fosse uma zona rica, no espaço de dois anos já tinham sido encontrados fósseis suficientes para produzir o primeiro artigo que baptizou e descreveu brevemente o animal, a partir de 17 fósseis.

Seguidamente iniciou-se a investigação antropológica mais intensa que já foi feita. Perto de 6 mil espécimes de vertebrados foram catalogados para o Museu Nacional da Etiópia em Addis Ababa.

O trabalho foi feito em grande secretismo e muitos investigadores queixam-se do tempo que levou à publicação dos trabalhos sobre os fósseis. "Não estávamos interessados em quantos artigos podíamos publicar", diz Berhane Asfaw, co-director do Projecto Middle Awash do Serviço de Investigação do Vale do Rift em Addis Ababa. "O nosso interesse estava na cadeia completa de informação, é isso que dá o poder do trabalho."

 

De mais de 135 mil ossos ou dentes de vertebrados, a equipa identificou 110 espécimes de A. ramidus, representando no mínimo 36 indivíduos. O esqueleto de Ardi tem 125 peças.

Os fósseis provém de uma camada de sedimentos ensanduichada entre duas camadas de rocha vulcânica, cada uma datada de há 4,4 milhões de anos, o que define a idade dos espécimes, diz Giday WoldeGabriel, do Laboratório Nacional de Los Alamos no Novo México. Os fósseis nos sedimentos incluem plantas, pólen, invertebrados e aves, o que ajudou a determinar o ambiente florestal em que Ardi viveu.

Anos de trabalho de campo revelaram o crânio, dentes, braços, mãos, pélvis, pernas e pés de Ardi. O crânio estava esmagado em mais de 60 pedaços e o osso não estava bem fossilizado, estava tão mole que cada pedaço teve que ser moldado em borracha de silicone e digitalizado. "É uma tecnologia espantosa", diz Hill. "Não haveria forma de descrever este crânio há 15 anos."

COPYRIGHT 2009, J.H. MATTERNESEm vida, Ardi teria pesado cerca de 50 Kg e teria 120 centímetros de altura.

As suas mãos e pulsos não revelam características distintivas dos chimpanzés, como alguns ossos grandes e um sistema de tendões para absorver choques nas mãos e pulsos para suportar o peso do corpo, diz Owen Lovejoy, da Universidade Estatal de Kent no Ohio. 

O pé, com o seu dedo grande do pé virado para fora, teria permitido a Ardi agarrar-se às árvores e andar pelos ramos. Os dentes não têm caninos salientes, que a maioria dos grandes símios usam como armas ou exibição. "Tudo isto mostra que Ardi não faz parte da linhagem dos chimpanzés modernos", diz Suwa.

Uma questão importante é quando terá vivido este nosso último antepassado comum com os grandes símios: "Acredito que tenha sido há 8 a 10 milhões de anos", diz Lovejoy.

 

 

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