2009-09-28

Subject: Controlo da natalidade é a solução das maleitas ambientais?

 

Controlo da natalidade é a solução das maleitas ambientais?

 

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@ Scientific AmericanO crescimento populacional, agora com cerca de 78 milhões de pessoas a mais todos os anos, é uma zona proibida para o ambientalismo moderno e para a política.

Mas avancemos por um momento pela zona proibida: a crise da biodiversidade, a crise da água, a crise climática. Por trás de todas estas crises há um denominador comum, a população humana. Espécies em extinção? Pensem no desmatamento para a agricultura necessária a alimentar 6,8 mil milhões de pessoas. Água? A maioria vai para fazer crescer esses mesmos alimentos, e para dar uma ajudinha a todas estas crises temos o resultado da queima dos combustíveis fósseis necessários a mover as nossas vidas, as alterações climáticas antropogénicas.

É nesse contexto que a pílula contraceptiva aparece como a resposta aos desafios ambientais do nosso tempo no editorial da revista The Lancet, bem como em vários artigos recentes.

Esta sugestão raramente é recebida com agrado, pois parece anti-humana, recordando as teorias controversas de Thomas Malthus. O espectro do controlo da natalidade e da população parece um pesadelo de Orwell, violando uma das liberdades mais básicas do ser humano.

A revista Philosophical Transactions of the Royal Society B, mete-se nestas águas turvas com um especial intitulado "The Impact of Population Growth on Tomorrow's World." Como escreve Roger Short, da Universidade de Melbourne, na introdução, "o crescimento inexorável da população humana está a exaurir os fornecimentos de energia convencionais, acelerando a poluição ambiental e o aquecimento global, originando cada vez mais estados falhados onde reina a instabilidade social".

Mas será que o crescimento da população é sequer um problema? Afinal, com o desenvolvimento dos países, a natalidade caiu, por vezes de tal forma que as populações estão a desaparecer, graças em grande parte à capacidade ganha pelas mulheres de controlar a sua reprodução, comentam Martha Campbell e Kathleen Beford, da Universidade da Califórnia, Berkeley.

No entanto, esta transição demográfica não é verdadeira para todo lado e, como Bradley Thayer, da Universidade Baylor, defende, as bombas populacionais nacionais desencadeiam guerras e terrorismo, ao criar grandes massas de jovens sem perspectivas económicas. 

 

De facto, como salienta Steven Sinding, do Instituto Gutmacher de Manchester, controlar o crescimento populacional pode na realidade ajudar os indivíduos a escapar à pobreza, como testemunha o crescimento económico excepcional da China nas últimas décadas, em parte alimentado pela controversa política Uma Criança por Família de Mao Zedong.

O planeamento familiar provou ser eficaz no passado, desde a Tailândia ao Irão, mas o financiamento para esse tipo de programa tem sido reduzido nos últimos anos. 

Em resultado, países em vias de desenvolvimento da África oriental, como o Quénia, Uganda, Tanzânia e Zimbabwe, têm as suas populações a aumentar rapidamente nos últimos anos.À espreita por trás de tudo isto está a potencial crise do recurso que permitiu esta expansão sem precedentes do efectivo humano: os combustíveis fósseis. 

Graças ao crescimento da população e à redução dos recursos, a produção de combustíveis fósseis per capita pode atingir um máximo em meados do século, terminando dois séculos de crescimento ilimitado de produção de energia que está na raiz da civilização moderna, escreve Richard Nehring ainda no mesmo especial.

Mas ficam por responder questões vexantes como 'Quem vai estabelecer o limite para o crescimento populacional?', 'Quem serão os alvos da restrição de fertilidade e será isso justo?' e, em última análise, 'Há um número ideal para o efectivo humano na Terra?'.

Ainda que o aumento da actual população de 6,8 mil milhões para perto de 10 mil milhões em meados do século torne a sobrevivência sustentável no planeta um desafio, especialmente porque o grosso desse crescimento ocorrerá entre os mais pobres, o verdadeiro problema pode mais o comportamento humano que o seu número.

Afinal, duplicámos a população nos últimos 50 anos mas o produto global bruto aumentou sete vezes e a utilização de recursos aumentou quatro vezes. O verdadeiro problema pode muito bem ser o consumo, que actualmente gera ainda mais consumo. 

 

 

Saber mais:

The Impact of Population Growth on Tomorrow's World

 

 

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