2009-09-24

Subject: Cimeira climática não aborda os desafios cruciais que enfrentamos

 

Cimeira climática não aborda os desafios cruciais que enfrentamos

 

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Obama e Jintao (@Nature)Alguns tinham esperança que houvesse um avanço na reunião de líderes mundiais sobre alterações climáticas e aquecimento global nas Nações Unidas em Nova Iorque.

Mas tudo parece apontar para o contrário, ainda que os líderes das maiores economias mundiais tenham uma nova oportunidade hoje, quinta-feira, quando se reunir o grupo dos 20 países mais industrializados do mundo (G20) em Pittsburgh. A revista Nature apresenta assim a sua visão do encontro.

As expectativas eram elevadas para os discursos dos presidentes americano Barack Obama e chinês Hu Jintao. Terão eles estado à altura?

Todos buscam sinais de progresso para os dois maiores emissores de gases de efeito de estufa, que conjuntamente são responsáveis por cerca de 40% do total, mas nenhum dos dois apresentou o tipo de compromisso necessário a revitalizar as conversações.

Obama estava na pouco invejável posição de precisar de fazer promessas arrojadas antes que o Congresso americano se tenha pronunciado sobre o assunto mas, ainda assim, ele recusou reconhecer, o que fará enfrentar cara a cara, os desafios que enfrenta na frente doméstica.

Por seu lado, Hu de modo geral sublinhou políticas já existentes, prometendo expandir as florestas, produzir 15% da energia do seu país a partir de fontes renováveis e reduzir a intensidade energética por unidade de produto interno bruto por "margem notável" entre agora e 2020. 

Todas estas medidas reduziriam substancialmente as emissões chinesas quando comparadas com as previsões base e a China está a começar a ganhar alguns elogios pelas suas políticas energéticas. Ainda assim, as emissões cumulativas devem continuar a aumentar e Hu não fez qualquer referência a metas específicas de emissões ou a datas em que o país poderá tentar estabilizar as suas emissões.

Houve algum sinal de convergência entre os dois países?

Tanto Hu como Obama usaram linguagem genérica sobre a necessidade de todas as nações se unirem mas os blocos de construção básicos, quem iniciará, quem vai pagar e que tipo de compromissos é preciso tomar, permaneceram solidamente no lugar.

Hu começou o seu discurso por subscrever a ideia de "responsabilidades comuns mas diferenciadas" e prosseguiu exigindo que as nações ricas fornecessem ajuda financeira à mitigação climática e ao desenvolvimento sustentável dos países em vias de desenvolvimento. 

Obama referiu o que muitos líderes de países industrializados têm dito desde sempre: as nações desenvolvidas têm que dar o primeiro passo e fornecer apoio financeiro ao que dele precisam mas os países em vias de desenvolvimento têm que se comprometer igualmente a ter algum tipo de acção verificável.

Ambas as posições parecem razoáveis, então qual é o problema?

Quase toda a gente concorda com estas declarações, as mesmas frases têm sido proferidas vezes sem conta por funcionários governamentais de todo o mundo mas encontrar um terreno comum, um meio-termo, tem sido mais difícil.

Que tipo de discussão se espera agora da cimeira do G20?

O aquecimento global e as alterações climáticas estão na agenda mas discussões acerca da recuperação da economia global devem dominar o encontro.

Apesar de os líderes terem planeados debates sobre o pacote financeiro climático que ajude os países em vias de desenvolvimento a pagar a adaptação e mitigação nos próximos anos, poucos pensam que os chefes de estado produzam qualquer tipo de declaração conclusiva sobre o tema.

 

E qual o significado de tudo isto para a Conferência sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas de Copenhaga em Dezembro?

Este tipo de coisa é difícil de prever mas está cada vez mais claro que obter um acordo inovador sobre emissões de gases de efeito de estufa que substitua o Protocolo de Quioto vai ser problemático.

Falando recentemente em Washington, Michael Zammit Cutajar, eniado de Malta sobre alterações climáticas e presidente de um dos grupos de negociação principais do processo das Nações Unidas sobre o clima, referiu que este tipo de diplomacia é como um Big Bang ao contrário, dolorosamente lento durante muito tempo e "com uma grande explosão no final".

Jennifer Morgan, directora do programa de clima e energia do Instituto dos Recursos Mundiais em Washington DC, coloca quatro cenários possíveis.

(@ Getty Images)O 'cenário avanço', em que os países chegam à mesa de negociações com propostas fortes e as juntam num acordo ainda mais forte; o 'cenário fundação', que depende de uma estrutura sólida que especifique compromissos básicos e situações como financiamento, monitorização e verificação, deixando os detalhes para depois.

O terceiro, o 'cenário lavagem verde', implica nada mais que compromissos fáceis que os países já fariam na mesma, o que significa que não há valor acrescentado na estrutura internacional, e o último é auto-explicativo: o 'cenário colapso'.

Neste momento, Morgan considera que as negociações estão a balançar entre os cenários 'fundação' e 'lavagem verde'.

Entretanto, o presidente francês Nicolas Sarkozy apelou, no seu discurso na cimeira das Nações Unidas, a que os chefes das nações mais industrializadas se encontrassem novamente depois da cimeira do G20 mas ainda antes de Copenhaga em Dezembro.

 

 

Saber mais:

Cimeira das Nações Unidas sobre o clima

Cimeira do G20 em Pittsburgh

UNFCCC

Novo estímulo para as conversações climáticas?

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Alterações no Árctico podem ser irreversíveis

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