2009-09-20

Subject: Gelo marinho árctico o terceiro menor do registo

 

Gelo marinho árctico o terceiro menor do registo

 

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@NatureO gelo árctico diminuiu ligeiramente menos este ano que nos últimos anos mas o mínimo da época, atingido esta semana, ainda foi o terceiro menor registado por medidas de satélite desde o seu início em 1979, reforçando uma tendência de descida com 30 anos na extensão do gelo de Verão.

Os cientistas do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo da Universidade do Colorado (NSIDC) em Boulder anunciaram que os 5,1 milhões de quilómetros quadrados de gelo marinho observados a 12 de Setembro correspondem ao mínimo do ano. Com os dias outonais do Árctico a arrefecerem e a luz a desaparecer após o equinócio da próxima semana, o gelo irá entrar novamente no ciclo de crescimento. "Virámos a esquina", diz Mark Serreze, perito em gelo marinho no NSIDC.

A redução do gelo marinho de Verão é um indicador por excelência das alterações climáticas nas latitudes mais elevadas, que nas últimas décadas têm aquecido mais que o resto do planeta. Como gelo reflecte parte da luz que atinge a superfície, a redução do coberto de gelo acelera ainda mais a tendência de aquecimento.

Mas o mínimo deste ano é quase um milhão de quilómetros quadrados, aproximadamente duas vezes a área de Espanha, acima do de 2007, quando o mínimo desceu para o mais baixo de que há registo, com 4,1 milhões de quadrados. Em 2008, o segundo ano baixo do registo, o mínimo de gelo marinho chegou 4,52 milhões de quilómetros quadrados.

A modesta recuperação deste ano, diz Serreze, provavelmente é devida a uma alteração nos padrões climáticos do final do Verão. A típica combinação de um sistema de altas pressões sobre o mar de Beaufort e pressões baixas sobre o leste da Sibéria, que transporta muito ar quente sobre o mar da Sibéria e empurra o gelo para o pólo, desapareceu em Agosto, preservando o que restava do gelo.

Mas não há indicação que 2009 marque o início de uma inversão da tendência, salientam os cientistas. O mínimo deste ano foi na realidade suficientemente baixo para reforçar a tendência negativa a longo prazo, diz Bill Chapman, cientista atmosférico na Universidade do Illinois em Urbana-Champaign. O mínimo de 2009 é 1,28 milhões de quilómetros inferior ao mínimo médio de Verão do período 1979–2008 e 1,61 milhões quilómetros quadrados inferior ao mínimo médio de 1979–2000.

Desde 2004, quando as observações com satélites da espessura do gelo começaram, as medições de altimetria-laser indicam uma redução substancial no volume total do gelo multicamadas no oceano. Se a estação de degelo começa com gelo fino na Primavera, é necessária menos energia para derreter zonas grandes no Verão.

Os modelos climáticos discordam sobre quando o oceano Árctico estará livre de gelo no Verão mas alguns cientistas pensam que pode ser já em 2030. Para além dos efeitos negativos sobre as espécies árcticas que se adaptaram ao ciclo anual do gelo, mar aberto nos meses de Verão terá implicações nas disputas sobre operações militares, rotas marítimas e exploração mineral e petrolífera.

"Estamos a entrar numa nova época de degelo do gelo marinho no oceano Árctico devido às alterações climáticas", diz Peter Wadhams, oceanógrafo da Universidade de Cambridge, que está estacionado ao largo da Groenlândia no estreito de Fram, a bordo do navio do Greenpeace Arctic Sunrise. "Em cinco anos a maioria do gelo marinho pode desaparecer no Verão, apenas com um restinho a norte da ilha Ellesmere."

Estranhamente, a tendência na Antárctica é um total contraste com o que se observa no Árctico. Tendo atingido a sua extensão máxima da estação, o gelo marinho antárctico está cerca de 400 mil quilómetros quadrados maior que a média máxima de Inverno de 1979-2000. Os cientistas pensam que a destruição do ozono e o aumento da evaporação e queda de neve no oceano Antárctico podem explicar a abundância de gelo em volta da Antárctica.

 

Outras Notícias:

Vulcões agitam-se com alterações climáticas

Os geólogos estão desesperadamente a tentar recolher dados para compreender de que forma o aquecimento global irá afectar a actividade geológica violenta.

Com a subida dos níveis atmosféricos de dióxido de carbono a aquecer o planeta, os problemas associados ao degelo não serão apenas a subida dos oceanos, eles incluem o 'destapar' dos vulcões mas exactamente quando e como estes monstros magmáticos irão explodir num mundo mais quente é difícil prever.

 

"O facto é que estamos a causar alterações climáticas e os perigos geológicos são outro conjunto de coisas em que não tínhamos pensado", diz Bill McGuire, do Centro de Investigação de Perigos Aon Benfield da University College de Londres. Ele organizou um encontro de vulcanólogos e oceanógrafos entre 15 e 17 de Setembro para chamar a atenção para o problema

A prioridade é desenvolver modelos globais da forma como as alterações climáticas provocam alterações na actividade geológica e de que forma esses processos devolvem energia ao sistema. Actualmente, não existem esses modelos, diz David Pyle, vulcanólogo na Universidade de Oxford, presente no encontro.

O problema é complexo, exacerbado pela dificuldade em separar a forçagem pelo clima dos efeitos de uma erupção vulcânica, aerossóis emitidos por uma erupção terão consequências na química atmosférica, que por sua vez irá afectar o clima. "As consequências complexas da actividade vulcânica para a biosfera atmosférica permanecem mal compreendidas", diz Pyle.

Mas há com certeza evidências de que menos gelo significa erupções mais dramáticas. "Com o gelo a tornar-se mais fino pode haver um aumento da explosividade das erupções", diz Hugh Tuffen, da Universidade Lancaster. Tuffen esteve em muitos países a estudar os vulcões. Os efeitos das alterações climáticas ao longo dos próximos 100 anos serão diferentes nos diversos vulcões mas os dados de que precisamos não são fáceis de recolher, os vulcões são isolados e perigosos.

Por exemplo, na Islândia, no final da última glaciação há 11 mil anos, houve um grande pico de actividade vulcânica que se pensa ter sido devido a inundações devidas a água do degelo. Nos vulcões islandeses, o gelo é como uma tampa protectora que, se removida, permite a descompressão do magma por baixo. Perde-se o equilíbrio que geralmente existe, tornando as erupções mais frequentes e mais explosivas. Nestes casos não há muito desfasamento entre as alterações climáticas e as erupções, diz Tuffen.

Mas nos Andes os vulcões são diferentes. Têm câmaras magmáticas por baixo e, com o degelo, a tampa protectora é mais uma vez perdida. Isto também parece ter causado um aumento de actividade vulcânica no passado mas porque as câmaras magmáticas estão a 5Km de profundidade não é claro a rapidez do processo após o degelo, diz Sebastian Watt, que trabalha com Pyle na universidade de Oxford.

Watt recolheu dados de 22 centros vulcânicos no Chile para tentar obter uma tendência mais geral da aceleração da actividade vulcânica. Usou datação por radioacarbono para definir a idade de diversas amostras de rocha e mapear onde e quando os vulcões dos Andes entraram em erupção nos últimos 18 mil anos. Infelizmente, um período geologicamente frio destruiu a maior parte das suas provas: "A datação é problemática porque há poucos dados de radiocarbono", diz Watt.

Tuffen alerta para as vias em perigo. No Chile, em Nevados de Chillán, uma área particularmente susceptível às alterações climáticas, os geólogos locais ficaram preocupados quando uma estância de esqui foi construída perto de um vulcão.

"Não sabemos ainda como será a ameaça ao longo dos próximos 100 anos", diz Tuffen. "Não devemos andar a assustar as pessoas mas sim a pensar em mitigar as consequências dos perigos."

McGuire concorda: "O IPCC não considerou estes perigos. Temos melhor hipótese de lidar com situações perigosas se soubermos que elas existem. As alterações climáticas não acontecem só na atmosfera e na hidrosfera, acontecem na geosfera também." 

 

 

Saber mais:

National Snow and Ice Data Center

The Cryosphere Today

Climate forcing of geological and geomorphological hazards

 

 

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