2009-09-17

Subject: Alerta sobre alterações climáticas vindo da Groenlândia

 

Alerta sobre alterações climáticas vindo da Groenlândia

 

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@ NatureA cobertura de gelo da Groenlândia derreteu muito mais rapidamente em resultado das temperaturas mais elevadas no passado recente do que se estimava, revela uma equipa internacional de cientistas.

Eles alertam para o facto de o futuro aquecimento poder ter efeitos mais dramáticos sobre a cobertura de gelo do que os investigadores têm vindo a assumir.

Há 9 a 6 mil anos a Terra atravessou um período invulgarmente quente mas estranhamente, ao contrário do que dizem os dados recolhidos de muitos outros locais no hemisfério norte, as medições de isótopos nos núcleos de gelo retirados da camada de gelo da Groenlândia (CGG) não reflectem essa alteração da temperatura.

Por isso, os modelos do comportamento da camada de gelo baseados nesses dados têm sugerido que a altura do gelo sobre a rocha-mãe teria permanecido bastante estável durante os últimos 12 mil anos.

Mas agora, novos dados obtidos a partir núcleos de gelo perfurados em seis locais diferentes sobre e em volta da camada de gelo mostram que este período invulgarmente quente também afectou a CGG e que, em resposta a essas temperaturas (que foram entre 2 e 3°C mais elevadas que as actuais temperaturas médias) perdeu 150 metros de altura no seu centro e encolheu cerca de 200 quilómetros nas orlas.

Uma equipa liderada por Bo Vinther, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga, Dinamarca, analisou os núcleos de gelo em busca de evidências das temperaturas regionais e da elevação da camada de gelo da Groenlândia no Holoceno, a era geológica que começou há cerca de 12 mil anos.

Cada núcleo é basicamente um grande cilindro de gelo, perfurado 3 quilómetros até à rocha-mãe subjacente. Depois o cilindro é cortado e o conteúdo em isótopos específicos, como o oxigénio, da água e bolhas de ar de cada secção é medido em laboratório.

Para inferir a temperatura ambiente na camada de gelo, a equipa teve que deslindar que alterações de temperatura que foram devidas a alterações de elevação e que alterações foram devidas a alterações climáticas, uma tarefa que se tem revelado difícil.

Para o fazer, analisaram dois núcleos de gelo de pequenas calotes geladas que não faziam parte da camada de gelo principal e que, acreditam os investigadores, não mudaram de altitude. Usaram as medições para perceber as temperaturas das calotes e, comparando-as com as temperaturas obtidas a partir de núcleos da camada de gelo principal, foram capazes de perceber qual a espessura da camada principal em diferentes momentos do passado.

"O que podemos agora dizer com certeza é que há 8 mil anos estava de facto 2 a 3 °C mais quente que agora e que foi essa diferença que realmente causou um grande degelo", diz Vinther. "E isso claro que nos dá uma indicação de que se o clima aquecer alguns graus então a camada de gelo pode começar a perder massa novamente."

 

Os resultados do estudo foram publicados na última edição da revista Nature.

Eric Rignot, que estuda o gelo e o clima na Universidade da Califórnia, Irvine, e no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, está entusiasmado com os novos resultados mas pede cautela na sua aplicação relativamente ao aquecimento futuro.

@ NatureEle está a trabalhar com outros para desenvolver modelos melhores sobre o comportamento das camadas de gelo para utilização no próximo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, com o objectivo de explicar os padrões observados na última década.

"A forçagem climática é de uma natureza muito diferente actualmente em relação ao Holoceno", diz ele, ainda que saliente que a análise do clima do passado "ainda nos fornece informação sobre o grau de sensibilidade da camada de gelo às alterações climáticas".

Rignot concorda com Vinther e a sua equipa de que o futuro do gelo será provavelmente derreter mais rapidamente do que os modelos actuais prevêem. "Quão rapidamente é difícil dizer." Mas, acrescenta ele, precisamos de usar estes dados para pensar um passo mais à frente. "A máquina climática está em movimento." 

 

 

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