2009-09-14

Subject: Alterações no Árctico podem ser irreversíveis

 

Alterações no Árctico podem ser irreversíveis

 

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algodão perto de Kangerlussuaq, Groenlandia (@Eric Post, Penn State University)As dramáticas alterações que estão a varrer o Árctico em resultado do aquecimento global não estão confinadas à perda de gelo marinho e aos ursos polares, um novo estudo vem sugerir que as forças das alterações climáticas estão a propagar-se pelo frio norte com efeitos muito diferentes em cada ecossistema e alterando a face do Árctico provavelmente para sempre.

"O Árctico que conhecemos pode já ser uma coisa do passado", diz Eric Post, da Universidade Estatal da Pensilvânia, que liderou uma equipa internacional que recolheu investigações sobre os efeitos das alterações climáticas através dos ecossistemas árcticos.

O estudo, apresentado na revista Science, é um dos primeiros a juntar os detalhes da multitude de alterações que ocorrem por toda a região. "Geralmente, quando as pessoas falam sobre declínios no Árctico, mostram números de perda de gelo marinho e a imagem de um urso polar. Este estudo tenta ir mais além citando um leque variado de artigos que quantificam o declínio ecológico no árctico", diz Ken Caldeira, da Universidade de Stanford, que não esteve envolvido no estudo. "Não conheço nenhum outro artigo que junte tanta riqueza de ciência sobre os ecossistemas árcticos."

Enquanto a Terra aqueceu em média 0,4ºC nos últimos 150 anos, o Árctico aqueceu três vezes mais. Esta amplificação do sinal de aquecimento global é resultado de um ciclo vicioso de auto-alimentação: à medida que o gelo marinho derrete, os oceanos absorvem mais calor, impedindo a formação de mais gelo no Inverno.

Só nas últimas duas ou três décadas, a quantidade de gelo que cobre o Árctico no Verão reduziu-se 45 mil quilómetros quadrados por ano, dizem os investigadores, para além de se quebrar mais cedo e congelar mais tarde no ano. A cobertura de neve também diminuiu nas latitudes mais elevadas.

Estas alterações físicas no ambiente estão a ter um impacto profundo na fauna e flora do Árctico. "As espécies terrestres e aquáticas estão a sofrer consequências adversas das atitudes humanas em latitudes a milhares de quilómetros", diz Post. "Parece que seja para onde olhemos, vamos encontrar sinais de alterações rápidas."

As espécies do Árctico que dependem da estabilidade e persistência do coberto de gelo, situação de que o urso polar é o exemplo mais conhecido, estão particularmente a sentir o impacto das alterações climáticas. A perda de gelo marinho está a causar o declínio rápido de várias espécies de gaivotas, morsas do Pacífico, focas aneladas, focas-monge, narvais e, claro, ursos polares.

Tanto os ursos polares como as focas aneladas dão à luz em tocas escavadas na neve. Se estes refúgios colapsam com as chuvas primaveris antecipadas, as crias recém-nascidas ficam expostas no gelo, onde morrem por acção de predadores ou por hipotermia.

Outras espécies estão a ser ameaçadas pelas migrações para norte de espécies antes confinadas a latitudes mais hospitaleiras. Um dos invasores mais visível é a raposa vermelha, que está a desalojar a nativa raposa do Árctico.

Também muitas árvores e arbustos têm avançado para norte, afectando a dinâmica dos ecossistemas. Acrescentar mais arbustos e árvores a uma paisagem leva a um aumento da temperatura do solo, promovendo actividade microbiana e favorecendo ainda mais os arbustos.

 

A adição de arbustos propaga as alterações pelos ecossistemas e afecta a capacidade da tundra de armazenar carbono: os arbustos podem aumentar o período de crescimento quando o solo é sumidouro de carbono mas também fornecem alimento aos bois almiscarados e renas, que limitam a capacidade de absorção de carbono ao comer as plantas. A pastagem, pisoteio e defecação pelos herbívoros também promovem o crescimento de ervas, que atraem gansos. estes, por sua vez, influenciam a produtividade dos lagos onde descansam e se alimentam.

As alterações no árctico podem ter efeitos opostos sobre diferentes espécies, algumas irão beneficiar da situação.

O estudo descobriu que as renas selvagens do arquipélago de Svalbard beneficiam do degelo precoce da neve, pois com menos neve e maior estação de crescimento, as renas não migratórias tiram partido da explosão de plantas. 

Do lado oposto desta situação estão os caribous migratórios da Groenlândia, cujo efectivo está em declínio. Os caribous não estão a conseguir adaptar a sua estação de procriação para se manterem a par da estação das plantas, logo as mães têm menos alimentos e mais crias morrem. Os Verões quentes também trazem mais insectos e parasitas que atacam os caribous.

Compreender porque certos ecossistemas beneficiam com as alterações climáticas, ou sofrem menos impactos, enquanto outros estão à beira do colapso é algo que os investigadores precisam de dar mais atenção.

"Há pouca redundância funcional entre as espécies dos ecossistemas árcticos", diz Post. "Por isso, alterações relativamente pequenas nos habitats ou abundâncias podem causar alterações fundamentais num ecossistema único e que também é importante para as culturas tradicionais e turismo.

"O Árctico é, infelizmente, um bom laboratório para testar as nossas predições sobre a resposta dos ecossistemas às alterações climáticas globais", diz Caldeira. Para melhor as compreender, a equipa propõe uma série de estudos na região para seguir os motores das alterações climáticas e as respostas biológicas a elas a longo prazo.

"Temos visto recentemente um grande ênfase no degelo árctico", diz Post. "As rápidas, genéricas e, em alguns casos, devastadoras alterações documentadas neste artigo recordam-nos o motivo porque é tão importante dar atenção às consequências da subida das temperaturas."  

 

 

Saber mais:

Registo geológico árctico correlaciona aquecimento com Homem

Pressões estão a encolher ursos polares

Manadas de renas em declínio a nível global

Novas evidências do aquecimento antárctico

 

 

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