2009-09-11

Subject: Revelado o antigo cheiro da morte

 

Revelado o antigo cheiro da morte

 

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Woodlouse (Armadillidium vulgare)

Quando os animais morrem, os seus corpos exsudam um cheiro a morte específico, que repele os seus parentes vivos, descobriram os cientistas.

Os cadáveres dos animais tão afastados evolutivamente como insectos e crustáceos produzem o mesmo cheiro, causado por uma mistura de ácidos gordos. O cheiro ajuda os animais vivos a evitar outros que sucumbiram a doenças ou lugares onde os predadores estão à espreita.

Este 'sistema de reconhecimento da morte' terá evoluído há mais de 400 milhões de anos. 

A descoberta foi feita por uma equipa de investigadores sediada na Universidade McMaster, perto de Hamilton, Ontário, e foi publicada na última edição da revista Evolutionary Biology.

Liderada por David Rollo, a equipa quase que tropeçou no fenómeno enquanto estudava baratas vivas. "Estávamos a examinar o comportamento gregário das baratas", explica Rollo.

Quando uma barata encontra um bom local para se abrigar, liberta feromonas que atraem outras baratas. Numa tentativa de identificar exactamente os químicos envolvidos, a equipa de Rollo extraiu os fluidos corporais de baratas mortas para verificar o seu efeito.

"Ficámos espantados por descobrir que perto de 100% das baratas evitam os abrigos tratados com os fluidos corporais. Algo no extracto estava a abafar os efeitos atractivos", diz Rollo. "Iniciámos uma pesquisa exaustiva para descobrir o que poderia ser tão importante para afastar os insectos."

Depois de eliminar uma vasta gama de possibilidades, como a produção de sinais de alarme pelas baratas, consideraram a ideia de que uma molécula química específica é libertada quando os insectos morrem.

"A pesquisa da literatura revelou um artigo muito antigo feito pelo famoso sociólogo e ecologista E. O. Wilson", diz Rollo. "Wilson descobriu que as formigas removiam os mortos do ninho e os largavam num 'cemitério', tendo ele identificado o sinal activo como ácido oleico. A história famosa conta que Wilson descobriu que uma gota de ácido oleico sobre uma formiga saudável resultava na sua expulsão para o cemitério, apesar de espernear bastante no caminho."

E nada mais havia relativamente a informação anterior, por isso Rollo imaginou que as baratas poderiam usar uma molécula química semelhante para assinalar a morte.

A análise do extracto de barata revelou que é mesmo isso que se passa. A fracção que tinha um impacto tão negativo sobre as outras baratas continha nada mais que simples ácidos gordos, principalmente ácidos oleico e linoleico.

 

No entanto, a questão mais importante permanecia. As formigas e as baratas divergiram há milhões de anos e têm um parentesco tão distante como os aadvarks e os castores, diz Rollo. Por isso, produzem os mesmos químicos quando morrem por acaso ou um grupo mais vasto de animais origina o mesmo cheiro a morte?

O CHEIRO DO MEDO

Sabe-se muito pouco acerca da forma como os animais usam o olfacto para detectar o perigo.

Há vários animais, entre eles veados, porcos selvagens e coelhos, que evitam o cheiro a sangue. Também evitam o odor de diversos sabonetes, compostos essencialmente por ácidos gordos.

As ratazanas selam as entradas onde foram aplicadas fezes de gato mas não se sabe exactamente qual é o odor que as afasta, se a gato ou a fezes.

Os ratos conseguem detectar se outro rato esteve exposto a radiação ou a vírus. 

Outros trabalhos feitos por outra equipa de investigadores revelou que um tipo muito primitivo de insecto, os colêmbolos, também utilizam os mesmos ácidos gordos para reconhecer parentes mortos.

Novas experiências realizadas pela equipa de Rollo também já confirmaram que o fenómeno é mais generalizado.

Eles descobriram que os ácaros da madeira usam a mesma química para reconhecer os seus mortos, usando-a para evitar tanto os ácaros esmagados como os cadáveres intactos. O mesmo acontece com duas espécies não aparentadas de lagartas sociais, que se reúnem em grande número.

Quando testou as lagartas Malacosoma americanum e Hyphantria cunea percebeu que elas evitam fortemente os extractos retirados de corpos de outras lagartas mortas. Também evitam os ácidos oleicos e linoleico, o que significa que os diversos tipos de insectos, bem como os ácaros da madeira que são crustáceos, partilham um sistema comum de reconhecimento da morte.

Dado que os insectos e os crustáceos divergiram há mais de 400 milhões de anos, provavelmente a partir de um ancestral aquático, é provável que a maioria das espécies subsequentes reconheçam todas a morte de forma semelhante.

Essa capacidade é incrivelmente útil, diz Rollo, e "é não exige condolências". "Imaginem que entram num abrigo onde existem membros da vossa espécie mortos recentemente, quem sabe de algo equivalente à peste bubónica. Reconhecer e evitar os mortos pode reduzir as hipóteses de contrair a doença."

Ou então, imagine que essa vizinhança é lar de um voraz predador que já desmembrou vários dos nossos primos. "Evitar a área onde outros foram capturados por predadores também pode ser muito útil. De facto, como descrevemos, os ácidos gordos são muito fiáveis e libertados rapidamente as células depois da morte. A evolução pode ter favorecido o reconhecimento destas pistas porque são fiáveis e a exposição aos riscos de contágio e predação são tão importantes." 

 

 

Saber mais:

David Rollo

 

 

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