2009-09-07

Subject: Pontos vermelhos no bico das gaivotas podem indicar envenenamento

 

Pontos vermelhos no bico das gaivotas podem indicar envenenamento

 

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Na sequência do gigantesco derrame de crude do petroleiro Prestige, as gaivotas envenenadas apresentavam pontos vermelhos de menores dimensões no bico do que as aves saudáveis, revela um estudo agora conhecido.

A descoberta pode abrir caminho a que aves, peixes e lagartos possam ser utilizados como marcadores para uma variedade de problemas ambientais.

A triste história do Prestige teve início em Novembro de 2002, quando o navio se rasgou ao meio ao largo da costa noroeste de Espanha, derramando cerca de 63 mil toneladas de crude no Atlântico. As costas espanhola e francesa ficaram cobertas com uma espessa camada de crude, levando a que milhares de aves marinhas perecessem e as frotas pesqueiras locais fossem obrigadas a permanecer em terra meses.

Actualmente já não há equipas de limpeza na zona mas os cientistas ainda estão a fazer a recolha de dados que demonstrem os danos ambientais.

Em 2004, Cristobal Perez, da Universidade de Vigo, liderou uma equipa de investigadores que testaram 27 gaivotas de patas amarelas Larus michahellis adultas recolhidas de colónias isoladas ao largo da costa da Galiza. 

Num estudo agora publicado na revista Biology Letters, revelam ter descoberto um distinto padrão entre as aves que tinham adoecido mas não tinham morrido devido ao derrame de crude: quanto maior a quantidade de crude a que tinham sido expostas, menores eram os pontos vermelhos no bico.

Os pontos vermelhos nos bicos das gaivotas são uma componente importante da reprodução da espécie. A dimensão dos pontos intervém na corte e na competição por parceiros e as crias bicam-nos para induzir os progenitores a regurgitar alimento. Assim, a perda ou a diminuição dos pontos vermelhos pode colocar em perigo a capacidade reprodutora das gaivotas.

Os pontos surgem devido à presença de carotenóides e muitas espécies de aves, peixes e lagartos utilizam estes pigmentos para criar tonalidades amarelas, laranja e vermelhas no corpo, de modo a atraírem potenciais parceiros.

 

"A degradação dos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAH) do petróleo origina um stress oxidativo que danifica os tecidos. Para além de serem pigmentos vulgares, os carotenóides também protegem os tecidos dos danos oxidativos", diz Perez.

A equipa de investigadores conclui que as gaivotas que consumiram grandes quantidades de crude tiveram que desviar os carotenóides do ponto vermelho do bico para outras zonas do corpo, para remover as toxinas do corpo.

A descoberta levanta uma possibilidade intrigante. Qualquer animal que utilize carotenóides para colorir o corpo pode ser muito útil como indicador de poluição ambiental.

"Estas características coloridas podem ser uma óptima forma de seguir a qualidade ambiental", diz Geoffrey Hill, da Universidade de Auburn. "Se observarmos uma população de animais a perder a cor, podemos logo suspeitar que algo de errado se passa."

Animais colocados em stress por vários poluentes, seja petróleo, metais pesados ou PCB, por exemplo, devem mostrar sinais de redução da intensidade da cor, o que os torna excelentes sinais de aviso precoce da contaminação do ambiente.

"Será uma situação do tipo 'canário na mina de carvão'", diz Hill. "Podemos olhar para uma população em áreas que sejam potencialmente problemáticas e detectar poluentes." 

 

 

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