2009-08-30

Subject: O avanço das árvores num mundo em aquecimento

 

O avanço das árvores num mundo em aquecimento

 

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linha de árvores no Montana @BBC

As árvores de todo o mundo estão a colonizar novos territórios em resposta à subida das temperaturas. Da costa ocidental dos Estados Unidos ao norte da Sibéria e ao sudeste asiático, as árvores estão a crescer em altitudes e latitudes maiores, à medida que o clima aquece.

Dos 166 locais estudados, as árvores estão a avançar em mais de metade e em apenas dois estão a recuar. A alteração é revelada pela primeira análise global das linhas de árvores, agora publicada na última edição da revista Ecology Letters.

No entanto, as árvores não estão a responder da forma que os cientistas esperavam. Em vez de avançar com a subida das temperaturas de Verão, a capacidade das árvores para colonizar novas zonas parece depender mais da subida das temperaturas de Inverno.

As linhas de árvores têm tendência para se formar sempre que as condições de crescimento se tornam demasiado agrestes. Por exemplo, em altitudes e latitudes elevadas o clima torna-se frequentemente demasiado frio para a sobrevivência das árvores, originando nessa fronteira uma linha de árvores, ou seja, floresta de um lado e plantas mais pequenas e resistentes do outro.

No entanto, por todo o mundo tem ocorrido uma subida da temperatura média do ar no último século. Esse aquecimento é mais pronunciado nas altitudes e latitudes elevadas, precisamente onde se formam as linhas de árvores.

Por esse motivo, em teoria, as árvores deviam tirar partido desses climas mais amenos e hospitaleiros, permitindo às linhas de árvores avançar para mais alto e mais perto dos pólos.

Na realidade, as coisas têm sido mais complicadas. Em alguns lugares as árvores subiram as montanhas ou seguiram para norte mas noutros parecem ter permanecido no mesmo local.

Mapa dos avanços e recuos das árvores @BBC

 

Para melhor compreender o que se estava a passar, Melanie Harsch, do Bio-Protection Research Centre da Universidade de Lincoln na Nova Zelândia, realizou uma meta-análise de um conjunto de dados global de 166 locais por todo o mundo em que a dinâmica das linhas de árvores foi registada desde 1900.

Quando analisaram esses dados, os investigadores descobriram que as temperaturas do ar tinham aumentado em 111 dos 166 locais, em média 0,013ºC por ano. Aquecimento no Verão tinha ocorrido em 117 dos locais, em média 0,0189ºC por ano, mais frequentemente que o aquecimento no Inverno, que ocorreu em 77 locais a uma média de 0,0199ºC por ano.

Mas mais importante, descobriram que as linhas de árvores tinham avançado para locais anteriormente considerados pouco hospitaleiros em 87 locais, que tinham permanecido estáveis em 77 e as árvores tinham recuado em apenas duas localizações.

As árvores não parecem estar a responder à subida das temperaturas de Verão. "Esperávamos que a estação de crescimento fosso o motor principal", diz Harsch, "mas descobrimos que não era, o Inverno é que era importante."

Isso pode ser porque as árvores que avançam durante os Verões quentes podem sobreviver mais facilmente a um Verão anormalmente fresco mas as que avançam durante um Inverno ameno podem não sobreviver a um Inverno particularmente frio, o que torna as temperaturas invernais o factor limitante.

Os investigadores também descobriram que as linhas de árvores difusas, onde o número de árvores se vai reduzindo gradualmente, estão a avançar muito mais rapidamente que as linhas de árvores abruptas, em que as árvores acabam repentinamente a uma dada altitude ou latitude. Uma possível explicação pode ser a existência de outros factores de stress, como a abrasão pelo vento, neve e gelo que limitam a propagação de espécies que criam linhas de árvores abruptas. 

 

 

 

Saber mais:

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