2009-08-28

Subject: Ameaça à camada de ozono não é para rir

 

Ameaça à camada de ozono não é para rir

 

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O óxido nitroso (N2O), o chamado gás hilariante, é actualmente o principal agente da degradação da camada de ozono, sugere uma nova análise.

As capacidades de destruição do ozono deste gás têm sido largamente ignoradas pelos políticos e cientistas, que se têm focado nos mais potentes clorofluorocarbonetos (CFCs), historicamente considerados os químicos destruidores do ozono presentes na atmosfera.

Mas os níveis de CFC têm vindo a cair desde a adopção, em 1989, do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozono, um acordo internacional que comprometeu a descontinuação dos CFCs e, mais recentemente, dos hidroclorofluorocarbonetos (HCFCs). 

Entretanto, os níveis de óxido nitroso têm subido em resultado do aumento das emissões com origem em fertilizantes agrícolas, queima de biomassa e resíduos animais.

O químico atmosférico A. R. Ravishankara e os seus colegas da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) em Boulder, Colorado, usaram agora um modelo químico do ozono estratosférico para calcular o potencial de destruição do ozono (PDO) do óxido nitroso. 

Esse modelo fornece uma medida de quanto ozono é destruído por um dado gás, relativamente ao destruído pela mesma quantidade de triclorofluorometano (CCl3F), também conhecido por CFC-11 e um dos químicos mais significativos na degradação do ozono.

"Quisemos ver de que forma o óxido nitroso ficava escalonado como gás destruidor do ozono", diz Ravishankara. "As pessoas ainda não tinham olhado para ele desta forma."

Eles calcularam que o PDO do óxido nitroso é de 0,017 ou cerca de um sexto do CFC-11. Isto não parece grande coisa mas quando os autores levam em conta a larga escala das emissões de origem humana de óxido nitroso, como estimadas no último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, descobriram que o óxido nitroso é o mais significativo das substâncias destruidoras de ozono emitidas pelo Homem actualmente.

O óxido nitroso também é um potente gás de efeito de estufa já controlado pelo Protocolo de Quioto sobre alterações climáticas, ainda que as suas emissões não se espera que caiam significativamente no próximo século. Os autores projectam que se as emissões de óxido nitroso não forem reduzidas, podem tornar-se 30% mais destruidoras para o ozono em 2050 do que as emissões combinadas de CFC em 1987, quando estiveram no seu máximo.

"Esta é a primeira vez que alguém analisou o óxido nitroso isoladamente", diz a química atmosférica Susan Solomon, da NOAA, que não esteve envolvida no estudo. "É uma daquelas questões que tem sido ignorada."

Os cientistas atmosféricos sabem desde a década de 70 que o óxido nitroso degrada o ozono mas não o agruparam com as restantes porque parecia impotente relativamente aos CFCs.

 

O cientista atmosférico Don Wuebbles, da Universidade da Illinois em Urbana-Champaign, concorda que o óxido nitroso merece mais atenção. "De certa forma, o óxido nitroso é quase um gás esquecido. Quando se fala do ozono, fala-se de halocarbonetos, quando se fala de clima, fala-se de dióxido de carbono e metano. Esquecemo-nos que o óxido nitroso é o terceiro em crescimento na atmosfera."

As descobertas não serão uma surpresa para a maioria dos cientistas atmosféricos, diz Ravishankara. "Todos vão dizer que já o sabiam mas isso não é igual a demonstrá-lo."

Essa distinção tem implicações importantes para os políticos, que utilizam o PDO para fazer comparações relativas entre as substâncias destruidoras do ozono. "Sem esta informação, o decisores não têm as ferramentas para avaliar o papel do óxido nitroso na destruição da camada de ozono. Nesse sentido, tapámos o buraco entre a relevância política e a ciência atmosférica", diz Ravishankara.

Mas nem todos estão preocupados com o impacto do óxido nitroso na camada de ozono. "O óxido nitroso pode-se dizer que morreu como um problema para a camada de ozono na década de 70, porque sabíamos que estava a aumentar lentamente", diz o químico atmosférico Richard Stolarski, do Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland. "Nos nossos modelos climáticos químicos, onde o óxido nitroso aumenta 15 ou 20% até 2100, ainda acabamos com mais ozono do que tínhamos em 1960 [antes da produção em massa de CFCs]."

Ravishankara salienta que os gases destruidores do ozono ainda devem ser causa de preocupação. "Agora é com os decisores a forma como vão lidar com isto", diz ele. "É mais um pedaço de informação para alimentar a discussão." 

 

 

 

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