2009-08-23

Subject: Definição de floresta debaixo de fogo

 

Definição de floresta debaixo de fogo

 

 

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@ NatureA saúde das florestas do mundo, e a sua capacidade para aprisionar carbono, pode ser posta em perigo pela indústria madeireira se a definição de floresta da United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) não for alterada, alerta um estudo agora conhecido.

Um futuro acordo climático pode levar a que os países em vias de desenvolvimento sejam compensados pela preservação das suas florestas. A UNFCCC define floresta como uma área de terreno com 0,05 a 1 hectare de tamanho, da qual mais de 10 a 30% está coberta por árvores. As árvores também devem ter o potencial de alcançar uma altura mínima de 2 a 5 metros.

Os países que participam na UNFCCC podem escolher como querem definir a floresta com base nestas directrizes. Por exemplo, no Brasil a floresta é definida como uma área de terreno mais que 1 hectare, da qual mais de 30% está coberta por árvores com um mínimo de 5 metros de altura. Por outro lado, o Gana define floresta como uma área de terreno mais que 0,1 hectare, com mais de 15% de cobertura arborícola e altura mínima de 2 metros.

Mas um estudo publicado na revista Conservation Letters, diz que a UNFCCC colocou a proporção de terreno coberto por árvores demasiado baixa. Nophea Sasaki, ecologista florestal na Universidade de Harvard e um dos autores do estudo, diz que a zona florestal pode estar "severamente degradada" e ainda ser classificada como floresta de acordo com a definição actual da UNFCCC.

"A nossa principal preocupação é que as pessoas a considerem um limite e continuem a abater árvores até o atingirem", diz ele. Assim, ainda que a região possa perder muita biodiversidade e uma grande proporção do seu stock de carbono, ainda será considerada floresta. Sasaki diz que os madeireiros têm tendência a ter como alvo as espécies de árvore maiores e mais maduras, que contêm mais carbono.

Num estudo de campo de uma floresta sempre verde no Cambodja, Sasaki e o seu co-autor Francis Putz, da Universidade da Florida, Gainsville, usou dados de inventário para parcelas de árvores com troncos com diâmetros superiores a 5 centímetros para estimar que a floresta mantém 121,2 toneladas de carbono por hectare. Destas, 71,4 toneladas está nas árvores que têm troncos com diâmetros superiores a 45 centímetros, as preferidas dos madeireiros. Logo se todas essas árvores forem abatidas, o stock de carbono diminuirá quase 40% mas a zona ainda será considerada floresta segundo a definição da UNFCCC, refere o estudo.

Sasaki diz que o patamar mínimo para coberto arbóreo devia ser aumentado para 40%, a altura mínima das árvores deveria ser de 5 metros e as floresta naturais devem ser diferenciadas das plantações.

 

A sua proposta para o limite de coberto arbóreo, explica ele, não se baseia em cálculos que mostram que a degradação da floresta seria evitada a esse nível mas antes na definição usada pela Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, pois deve ser aceitável para os países participantes e "40% tem que ser melhor que 30%".

Sasaki também está preocupado com o facto de a degradação florestal poder vir a ser "ignorada" no acordo pós-Quioto sobre alterações climáticas que deve ser negociado em Copenhaga em Dezembro pois ele diz que vários estudos proeminentes ignoram essa questão, bem como a sustentabilidade a longo prazo das florestas, incluindo um da Universidade de Harvard sobre os acordos climáticos internacionais que foi apresentado à UNFCCC em Poznań, Polónia, em Dezembro do ano passado.

Neil Burgess, cientista da conservação na Universidade de Cambridge, diz que parte do problema é que a degradação não é fácil de medir. Ao contrário da desflorestação, que pode ser medida por métodos de detecção remota como satélites, a degradação é avaliada através de estudos no terreno que avaliam que tipo de espécies estão a crescer e estima o stock de carbono da floresta.

Burgess diz que o artigo de Sasaki não demonstrou porque considera que a definição que propõe é a óptima mas que "quanto maior coberto arbóreo se tem, mais intacta a floresta está e mais carbono está a reter".

"Inferir que quantidade de degradação será tolerável num acordo pós-Quioto seria muito útil. Os presentes na cimeira de Copenhaga terão que se preocupar com isto de alguma forma", diz Burgess.

 

 

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