2009-08-20

Subject: Simbiose permite a cactos crescer em rocha nua

 

Simbiose permite a cactos crescer em rocha nua

 

 

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@ Earth NewsPoucas plantas conseguem crescer sem solo e ainda menos são capazes de crescer em rocha nua, no entanto algumas espécies de cactos do deserto conseguem esta proeza extraordinária e agora os cientistas perceberam como.

As plantas desenvolveram uma relação simbiótica com bactérias que se alimentam de rocha, permitindo que elas vivam nas suas raízes.

Os cactos chegam mesmo a incorporar as bactérias nas suas sementes, garantindo que são passadas para as gerações futuras.

"Estávamos a trabalhar no deserto quando notámos que muitos cactos estavam a crescer em rocha nua", recorda Yoav Bashan, biólogo no Northwestern Center for Biological Research de La Paz, México. "Tinham bom aspecto e estavam verdes em habitats onde geralmente as plantas não crescem."

O enigma, diz Bashan, é que as plantas precisam de minerais e azoto para sobreviver mas nada disso existe em rocha nua, que aprisiona os minerais e não apresenta formas acessíveis de azoto.

"A única explicação que nos ocorreu foi sugerir o envolvimento de microrganismos que ajudavam a planta a crescer, fixando azoto e dissolvendo os minerais da rocha. Por isso fomos procurá-los e encontrámo-los."

Bashan e os seus colegas sediados nos Estados Unidos Esther Puente e Ching Li descobriram que o cacto cardon Pachycereus pringlei que cresce na região vulcânica da Baja California Sur alberga bactérias capazes de dissolver rocha.

Estas bactérias vivem tanto na superfície das raízes dos cactos mas também no interior das suas células, relatam eles na última edição da revista Environmental and Experimental Biology.

Testes mais detalhados revelaram que as bactérias endofíticas também crescem nos frutos do cacto e são mesmo transferidas para as sementes. As bactérias desgastam a rocha, dissolvendo as suas partículas em pedaços mais pequenos.

"Acreditamos que descobrimos uma nova simbiose entre bactérias e plantas", diz Bashan. "O cacto fornece carbono às bactérias e as bactérias fornecem indirectamente os minerais e o azoto à planta."

 

As bactérias e a planta trabalham em conjunto: as bactérias dissolvem a rocha, permitindo à semente do cacto agarrar-se e, de seguida, as raízes perfuram a rocha erodida, fracturando-a ainda mais.

"Em consequência, debaixo da planta há uma pequena caverna onde as rochas foram consumidas e lixiviadas como solo e as raízes estão literalmente no ar", explica Bashan.

Testes revelaram que sem as bactérias os cactos não conseguem sobreviver. A relação simbiótica é especialmente frutuosa porque os cactos são capazes de passar as bactérias à geração seguinte.

@ Earth News"Quando uma semente cai, misturada com os dejectos de aves e morcegos, sobre rocha nua já contém as bactérias de que precisa para ser um pioneiro na colonização desse local", diz Bashan.

"A semente é a sortuda pois não há qualquer tipo de competição com outras plantas que não sejam portadoras das bactérias."

As bactérias e os cactos provavelmente evoluíram em conjunto, com os seus ancestrais a desenvolverem a relação simbiótica benéfica para ambas as espécies.

Os cactos também ajudam a produzir solo a partir da rocha, que outras plantas podem depois utilizar para colonizar o que em tempos seria um habitat extremo. "São plantas pioneiras", diz Bashan. "Formam solo a uma velocidade elevada, algo que, de outra forma, levaria milhões de anos a acontecer." 

 

 

Saber mais:

Yoav Bashan

 

 

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